São Lula de São Bernardo: a invenção do Lula do Velho Testamento – Crítica Desapiedada

Sobe no palco o cantor engajado Tom Zé,
que vai defender a classe operária,
salvar a classe operária
e cantar o que é bom para a classe operária.
Nenhum operário foi consultado
não há nenhum operário no palco
talvez nem mesmo na plateia,
mas Tom Zé sabe o que é bom para os operários.
Tom Zé, Classe Operária

Há uma pequena teologia política circulando pela “esquerda” (reformista) brasileira. Segundo ela, existiram dois Lulas. O primeiro seria o Lula do Velho Testamento: barbudo, rouco, metalúrgico, cercado de operários e discursando nos estádios lotados do ABC, enfrentando patrões, polícia e ditadura. Seria um Lula anterior ao pecado original da governabilidade, quando os conflitos de classe ainda apareciam em seu discurso sem os cuidados exigidos pela gestão do Estado. Depois viria o Lula do Novo Testamento, institucionalizado e conciliador, capaz de estabelecer relações amistosas com empresários, assegurar respeito aos contratos e transformar antagonismos de classe em aparentes problemas administráveis por meio da negociação política.

A brincadeira funciona porque a imagem é imediatamente reconhecível e condensa uma interpretação da história recente de grande parte do bloco progressista no Brasil. Existiria um Lula autêntico, formado pelas grandes greves do ABC, que teria sido progressivamente domesticado pela institucionalização do PT, pelas eleições e, finalmente, pelas exigências decorrentes da gestão do capitalismo brasileiro. A barba teria cedido lugar à gravata, enquanto a luta de classes seria progressivamente substituída pela ideia de conciliação nacional. A Carta ao Povo Brasileiro, de 2002, costuma aparecer nessa narrativa como a certidão pública de uma conversão cuja história teria começado muitos anos antes.

Essa interpretação organiza retrospectivamente a trajetória de Lula como passagem entre dois personagens. O sindicalista do ABC fornece a medida a partir da qual o dirigente posterior pode ser julgado, fazendo da institucionalização uma história de afastamento em relação a uma origem política presumidamente mais radical.

A reativação política desse personagem precede a campanha de 2026. Quando Lula recuperou seus direitos políticos em 2021 e voltou ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, críticos do petismo já identificaram naquele retorno uma reativação de seu caráter mítico. Malvina Pretória Samuelson associou a esperança depositada novamente em Lula à procura de um dirigente capaz de resolver no terreno eleitoral uma derrota das lutas autônomas. No mesmo debate, Fagner Enrique chamou atenção para a circulação insistente das imagens do Lula jovem, barbudo e metalúrgico, tratando essa iconografia como parte da reconstrução política de sua figura (SAMUELSON, 2021; ENRIQUE, 2021).

Em 2026, essa operação foi incorporada explicitamente à campanha presidencial. A escolha de Vila Euclides para o lançamento da candidatura transformou o espaço das greves em um símbolo de continuidade entre o sindicalista de 1979 e o candidato contemporâneo.

O próprio Lula participou dessa reconstrução ao retornar, na convenção que oficializou sua candidatura, à história das greves, à formação do PT e à sua condição de dirigente sindical. Recordou que, em 1978, recusara um convite para disputar mandato parlamentar porque considerava a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos mais importante do que um cargo de deputado e recuperou a imagem que a imprensa construíra dele naquele momento, a do “operário puro”, ainda refratário à política institucional. A entrada posterior na política partidária aparecia, em sua reconstrução, como prolongamento da experiência sindical e como expressão da entrada organizada da classe trabalhadora na disputa política nacional.

Lula na Vila Euclides em 1978 (à esquerda) e em 2026 (à direita)

A fórmula do “Velho Testamento” adquiriu sua expressão mais explícita durante a campanha depois da entrevista de Lula ao Jornal Nacional. Ao comentar uma postura considerada mais agressiva do candidato, Leonardo Sakamoto afirmou que o “Lulinha paz e amor” havia ficado em casa e que reapareceu o “Lula do Velho Testamento”. A expressão já não designava somente uma fase histórica da trajetória de Lula. Passava a funcionar como chave de leitura de comportamentos contemporâneos, de modo que o endurecimento do discurso, a recuperação do vocabulário de “classe” ou uma confrontação mais direta com os adversários podiam ser interpretados como sinais do retorno daquele personagem originário.

A operação possui eficácia simbólica porque permite transformar mudanças de linguagem em indícios de mudanças políticas mais amplas sem demonstrar a relação entre ambas. Quando Lula fala mais duramente contra os ricos, critica o neoliberalismo, confronta jornalistas ou recupera elementos de sua linguagem sindical, pode-se anunciar a volta do antigo metalúrgico sem examinar se houve alteração correspondente na forma estatal ou nas relações com o capital (nacional e internacional). A aparente radicalização discursiva passa a antecipar uma radicalização política cuja existência precisaria ser verificada em outro terreno.

A campanha mobiliza, assim, atributos associados ao metalúrgico de 1979 para conferir continuidade histórica ao candidato de 2026. Entre esses momentos existem quase cinco décadas de transformações no capitalismo brasileiro, no PT, na classe trabalhadora e na própria trajetória de Lula. É justamente essa utilização contemporânea da memória que torna necessário retornar às greves e perguntar o que havia efetivamente de radical no Lula que posteriormente seria transformado no personagem do Velho Testamento.

A radicalidade dos trabalhadores e a radicalidade de Lula

As greves do ABC tiveram uma importância que dificilmente pode ser exagerada para a reorganização da classe trabalhadora e para a crise da ditadura. Centenas de milhares de trabalhadores entraram em movimento contra patrões, legislação salarial e os aparatos repressivos do Estado, recolocando o antagonismo entre capital e trabalho no centro da vida política brasileira. A radicalidade desse processo, entretanto, não pode ser transferida automaticamente para a consciência política daquele que se tornou seu principal dirigente, pois a intensidade de um movimento social e o horizonte político de sua direção constituem problemas relacionados, porém distintos.

A memória posterior frequentemente fundiu essas duas determinações. Como o ABC estava em ebulição, Lula aparece retrospectivamente como revolucionário; como os trabalhadores desafiavam simultaneamente os patrões e as forças repressivas do Estado, atribui-se ao seu principal porta-voz um projeto de ruptura com a ordem. A multidão reunida em Vila Euclides acaba convertida em extensão da consciência política daquele que segurava o microfone, produzindo uma identificação entre a radicalidade da classe em movimento e a radicalidade de sua direção que as informações históricas não autorizam por si mesmas.

A própria origem do ciclo grevista recomenda cautela com essa identificação. As paralisações de maio de 1978 não foram concebidas por Lula e executadas posteriormente pelos trabalhadores. Elas emergiram do chão das fábricas, em meio ao desgaste salarial, às experiências acumuladas de resistência e à reorganização que vinha ocorrendo entre os operários. Lula adquiriria enorme centralidade naquele processo, porém o movimento que o transformou em liderança nacional não começou como produto de sua vontade. A formação de seu status político dependeu da mobilização que vinha de baixo, de maneira que o dirigente foi também produzido pelo movimento que posteriormente seria identificado com sua própria biografia (FRENCH, 2020).

A memória lulista acabaria invertendo essa relação. Uma classe trabalhadora em reorganização criou as condições históricas para a emergência de Lula, enquanto a narrativa posterior passou frequentemente a apresentar Lula como aquele que despertara a classe trabalhadora. Os milhares de operários que pararam máquinas, organizaram formas de resistência dentro das fábricas, enfrentaram chefias e sustentaram greves durante semanas passam a ocupar o fundo da cena, enquanto a biografia do dirigente assume progressivamente o primeiro plano. A transformação da história social das greves em história de uma liderança constitui um dos mecanismos centrais da construção de São Lula de São Bernardo.

A própria formação sindical de Lula recomenda cautela com qualquer reconstrução retrospectiva que faça das greves o ponto zero de sua trajetória política. Depois do golpe de 1964, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo sofreu intervenção governamental. As antigas lideranças foram perseguidas e, em 1965, o regime autorizou novas eleições. Paulo Vidal chegou à presidência em 1969, numa chapa da qual Lula participava como suplente. Em 1972, Lula tornou-se primeiro-secretário e, em abril de 1975, assumiu a presidência da entidade.

O significado dessa continuidade institucional é objeto de interpretações distintas. Ruy Braga enfatiza que a intervenção da ditadura abriu espaço para dirigentes provenientes do velho sindicalismo oficial e situa Paulo Vidal nesse processo. Em sua interpretação, a burocracia que se reorganizou em São Bernardo procurava obter concessões materiais por meio da negociação com as multinacionais, aproximando-se de uma modalidade de sindicalismo de negócios. A ascensão posterior de Lula teria correspondido a uma renovação dessa burocracia sob a pressão crescente de uma base operária que já se movimentava dentro das fábricas (BRAGA, 2018).

A reconstrução de Marco Aurélio Garcia permite introduzir uma mediação necessária. Já antes da presidência de Lula, teria ocorrido uma diferenciação no interior da própria direção. Enquanto Vidal demonstrava crescente resistência diante das paralisações, o grupo formado em torno de Lula, Devanir, Campagnollo e outros dirigentes intensificava o trabalho junto às bases e procurava estabelecer conexões mais permanentes com a organização existente nas fábricas. O Primeiro Congresso dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, realizado em 1974, fazia parte desse movimento. Quando Lula assumiu a presidência, portanto, havia elementos reais de ruptura com a prática de Vidal, ainda que essa ruptura permanecesse situada dentro da estrutura sindical existente (GARCIA, 1982).

É justamente essa combinação que torna pouco produtivas duas genealogias simétricas. Lula não pode ser apresentado simplesmente como continuidade dos interventores e do velho peleguismo, porque sua direção participou de um processo efetivo de mobilização, enfrentamento patronal e aproximação com as bases. Tampouco surgiu exteriormente à estrutura sindical reorganizada depois de 1964. Sua formação política ocorreu dentro dela, e sua transformação em dirigente combativo acompanhou a crescente pressão exercida por trabalhadores cuja organização e disposição para a luta já ultrapassavam os limites dentro dos quais o sindicato havia operado durante os anos anteriores.

De pé, Almir fala, entre Lula e Paulo Vidal, ex-presidentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (1975) Foto: Estadão

O “revolucionário” que nunca prometeu revolução

Quando se retorna às posições efetivamente defendidas por Lula naquele período, o personagem do Velho Testamento começa a perder parte da radicalidade que lhe seria posteriormente atribuída. Não se encontra uma estratégia baseada no controle operário da produção, na socialização dos meios de produção ou na constituição de conselhos revolucionários. O que aparece é um dirigente sindical, defensor da estatização, dotado de grande capacidade de comunicação e organização, cuja linguagem política se estruturava principalmente em torno do salário, da dignidade do trabalhador, da independência sindical, da democracia e do reconhecimento dos trabalhadores organizados como interlocutores do conflito com o patronato.

Essas reivindicações possuíam conteúdo político real em uma sociedade submetida a uma ditadura que restringia a atividade sindical e reprimia a organização dos trabalhadores. O problema surge quando sua combatividade naquele contexto é convertida retrospectivamente em prova de um projeto revolucionário. Uma greve pode assumir formas extremamente combativas sem ultrapassar o horizonte da negociação das condições de venda da força de trabalho, assim como trabalhadores podem enfrentar determinado patrão sem formular a abolição da classe capitalista. O reformismo não se caracteriza necessariamente pela ausência de conflito. Ele pode produzir enfrentamentos intensos precisamente porque disputa as condições da exploração sem, contudo, questionar a própria relação social que as estrutura ou propor sua abolição.

A literatura sobre as greves do ABC registra essa combinação entre combatividade e negociação. A direção metalúrgica conduziu enfrentamentos duríssimos e sofreu repressão estatal, ao mesmo tempo que permaneceu orientada para a constituição do sindicato como interlocutor legítimo do capital. Seu núcleo dirigente tampouco possuía uma orientação política claramente definida, mantendo distância considerável das concepções marxistas ou próximas que circulavam em outras organizações da “esquerda brasileira” (ANTUNES, 1988). Reconhecer esse fato não reduz a importância das greves; permite apenas distinguir a radicalização produzida pela luta concreta dos trabalhadores do conteúdo político atribuído posteriormente à direção sindical.

A relação entre direção e base torna-se particularmente visível quando o movimento ultrapassa aquilo que seus dirigentes haviam previsto. Em 1978, apesar da campanha sindical pela reposição salarial e da crescente combatividade do sindicato, a eclosão das paralisações surpreendeu a própria diretoria. A greve iniciada na Scania nasceu da organização realizada no interior das fábricas e rapidamente alcançou dezenas de milhares de trabalhadores. O próprio Lula reconheceria posteriormente que, no primeiro momento, o sindicato atuou sobretudo como representante e intermediário de um movimento cuja iniciativa se encontrava nas fábricas. A capacidade de ação dos trabalhadores precedia, nesse caso, sua centralização pela direção sindical (BRAGA, 2018).

Essa relação se modificou em 1979. O sindicato passou a dirigir uma mobilização em escala regional, transferindo parte importante do processo decisório das fábricas para as grandes assembleias. A mudança ampliava enormemente a capacidade de generalização da luta e, ao mesmo tempo, reforçava a posição da direção sindical como instância responsável por condensar reivindicações, conduzir negociações e apresentar encaminhamentos ao conjunto da categoria. Marco Aurélio Garcia observou que as energias desencadeadas nas fábricas em 1978 foram canalizadas pelo sindicato no ano seguinte por meio das grandes concentrações de Vila Euclides, chegando em alguns momentos a ultrapassar a capacidade efetiva de direção de uma entidade preocupada em preservar sua condição de condutora do movimento (GARCIA, 1982).

A distância entre direção e base apareceu de forma aberta no próprio curso da greve. Depois de dez dias de paralisação, a direção encaminhou uma proposta de retorno ao trabalho que foi recusada por uma assembleia de aproximadamente 90 mil metalúrgicos. A intervenção do Ministério do Trabalho ocorreu logo depois. A radicalidade daquela conjuntura, portanto, não pode ser deduzida diretamente da orientação da direção sindical. Em momentos decisivos, trabalhadores reunidos em assembleia recusaram o encaminhamento proposto por seus próprios representantes e pressionaram o movimento para além do ponto em que estes pretendiam inicialmente conduzi-lo (BRAGA, 2018).

A greve de 1979 permite observar essa orientação em funcionamento no interior de um conflito que estava longe de ser moderado. Depois da intervenção do Ministério do Trabalho no sindicato e em condições crescentes de repressão, abriu-se um canal de negociação entre a direção afastada e representantes empresariais. Um ou dois dias antes da assembleia de 27 de março, Lula e o advogado Maurício Soares reuniram-se com os empresários Paulo Francini e Cláudio Bardella, ligados à FIESP. A reunião foi acompanhada por telefone pelo ministro do Trabalho, Murilo Macedo, e nela foram estabelecidas as bases da proposta de uma trégua de 45 dias. No dia seguinte, a diretoria e a Comissão de Salários discutiram os termos e decidiram defendê-los diante dos trabalhadores. Reunida em Vila Euclides, uma assembleia de mais de 70 mil metalúrgicos aprovou a suspensão da greve e o retorno às fábricas (RAINHO; BARGAS, 1983).

O episódio não autoriza tratar a decisão simplesmente como capitulação. A intervenção havia retirado a sede sindical da direção, a repressão aumentava e existiam dificuldades materiais concretas para sustentar a paralisação. O que interessa para o argumento é a relação estabelecida entre mobilização, negociação e direção. Os termos da saída foram produzidos inicialmente em um circuito de negociação mais restrito, reelaborados pela direção e pela Comissão de Salários e, somente depois, submetidos à assembleia. A decisão final permanecia formalmente nas mãos dos trabalhadores, enquanto a direção concentrava acesso às negociações, às informações sobre a correlação de forças e à formulação da alternativa que seria apresentada à base.

A tensão tornou-se ainda mais nítida ao final da trégua. Em 13 de maio, antes da nova assembleia, a diretoria e a Comissão de Salários avaliaram que os trabalhadores estavam mais organizados, mobilizados e dispostos a retomar a greve do que quarenta e cinco dias antes. A maioria da direção decidiu, contudo, recomendar a aceitação do acordo e não reiniciar a paralisação. Segundo a reconstrução de Rainho e Bargas (1983), dirigentes e ativistas perceberam no estádio que grande parte dos trabalhadores rejeitava essa orientação. Lula defendeu então a decisão tomada pela direção e solicitou um voto de confiança da categoria. Anos depois, ao recordar o episódio, ele próprio reconheceria a distância produzida naquele momento: os trabalhadores haviam sido preparados para um novo confronto e não queriam encerrar a mobilização, enquanto coube à direção propor o fim da greve.

Marco Aurélio Garcia enfatiza outro aspecto daquele desfecho. A recuperação do sindicato sob intervenção adquiriu tamanho peso para a direção que o acordo salarial, apesar dos ganhos reduzidos, foi apresentado também como meio de restituição da entidade. A aceitação esteve longe de ser consensual; segundo sua reconstrução, parte dos trabalhadores deixou o estádio antes mesmo do encerramento da assembleia (GARCIA, 1982).

A divergência é reveladora porque impede identificar automaticamente a disposição de luta existente na base com a orientação política de sua principal liderança. Lula não aparece como agente exterior destinado simplesmente a desmobilizar os trabalhadores. Participara da construção daquela força coletiva, sofrera a intervenção estatal e continuava dependendo dela para negociar. Ao mesmo tempo, concebia como atribuição da direção avaliar até onde o conflito poderia avançar e interrompê-lo quando julgasse que sua continuidade colocaria em risco as conquistas possíveis. A combatividade e a contenção pertenciam, assim, ao mesmo modo de condução sindical.

Essa contradição reapareceria ao longo do ciclo grevista. O sindicato dependia da iniciativa dos trabalhadores para acumular força diante do patronato e do Estado, enquanto sua função de representação lhe conferia uma posição específica para negociar a transformação dessa força em acordos. A liderança de Lula constituiu-se dentro dessa tensão. Sua combatividade não excluía a negociação e sua participação na mobilização não impedia que, em determinados momentos, atuasse para conter uma dinâmica que ultrapassava os limites considerados sustentáveis pela direção.

Por isso, perguntar se Lula demonstrou coragem diante dos patrões e da ditadura resolve muito pouco. A documentação permite responder afirmativamente, sem que dessa constatação resulte qualquer conclusão necessária sobre o possível caráter revolucionário de sua liderança política. A questão decisiva está no horizonte atribuído à mobilização e nas formas organizativas por meio das quais sua força deveria ser transformada em conquistas. Quando a pergunta é formulada nesses termos, boa parte do personagem do Velho Testamento desaparece e surge em seu lugar um sindicalista cuja força residia precisamente na capacidade de mediar conflitos e convertê-los em negociação.


CONTINUA…

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