Original in German: Jack London: Die Eiserne Ferse
Jack London: A Bota de Ferro[1]
Jack London. Die Eiserne Ferse. Disponível na “Buchhandlung für Arbeiterliteratur”, Berlin SO 36, Lausitzer Platz 13[2].
Quando você estender suas benditas e fortes mãos na direção de nossos palácios e nossa glória púrpura, nós lhe mostraremos o que é força. Nossa resposta estará no bramido das granadas e dos estilhaços e nos estalos das metralhadoras. Nós esmagaremos os revolucionários com nossas botas e pisaremos em seus corpos. O mundo pertence a nós, nós somos seus senhores e ele permanecerá nosso. No que diz respeito ao exército do trabalho, eu digo que ele está no chão desde o começo da história e eu leio a história corretamente. E permanecerá no chão enquanto eu e os meus e os nossos descendentes tiverem o poder. Esta é a palavra, é o rei das palavras – poder! Nem Deus, nem ouro, mas poder. Derrame-o em sua língua até formigar! Poder![3]
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A Bota de Ferro de Jack London, escrita há mais de duas décadas, não faz profecias, ainda que a obra seja hoje o retrato do presente político-econômico e de suas futuras tendências de desenvolvimento. Assim como a obra científica de Karl Marx não obtém seu valor duradouro pela fantasia, mas pelo mais rigoroso trabalho intelectual no terreno da realidade, o sucesso consistente de A Bota de Ferro está enraizado no rigor científico com o qual Jack London adaptou as teorias de Marx para a ficção, popularizando-as. Já por isso este é o melhor romance social e somente o marxista e revolucionário London poderia tê-lo escrito.
Não é mais necessário verificar teoricamente as teorias marxistas, elas se provam a si mesmas há mais de meio século por meio de sua aplicação. Sua dimensão abrangente permite penetrar o passado, esclarecer tarefas atuais e mostrar com “precisão matemática”, como diz Jack London, a imagem do futuro próximo no sentido econômico-político.
Jack London sabia como manusear as armas marxistas. A Bota de Ferro agita e uma parte dessa prática revolucionária é trazer os trabalhadores à esfera de influência de sua propaganda e levá-los a ler os livros. É comum subestimar a força da teoria; Feuerbach já teve de rebater, em uma carta a Ruge, os ignorantes da seguinte maneira:
O que é teoria, o que é prática? No que consiste sua diferença? Teórico é o que está apenas em minha cabeça, prático o que assombra muitas cabeças. O que une muitas cabeças cria massa, se amplifica e, com isso, amplia seu lugar no mundo.[4]
Karl Marx complementa essa frase em uma de suas primeiras obras e a sintetiza desta maneira:
A arma da crítica decerto não pode substituir a crítica das armas, o poder [Gewalt][5] material deve ser derrubado pelo poder [Gewalt] material, mas a teoria se torna poder [Gewalt] material logo que conquista as massas. A teoria é capaz de conquistar as massas logo que se torna radical.[6]
Transformar a teoria em ato era o objetivo do consequente escritor e líder dos trabalhadores Jack London e a Bota de Ferro é parte integrante de sua prática revolucionária. Sua crítica não se aplica somente à sociedade capitalista, mas se estende também às armas da revolução em si. Em nenhum outro lugar além dela as coisas são denominadas de maneira tão simples a ponto de penetrar em qualquer cérebro; o elixir marxista é servido às colheradas, ninguém fica bêbado, mas todos abrem os olhos. A Bota de Ferro é radical.
Não é necessário descrever Jack London, ele está vivo, pois sua obra está viva. Ele possui cadeira cativa no lugar mais sublime que a história humana conhece: nos grandes corações do proletariado. Sua obra permanece parte fundamental da criação proletária.
A Bota de Ferro não demanda avaliação poética, ainda que seja uma obra de arte como poucas no mundo da literatura. As descrições visionárias da “Comuna de Chicago” possuem uma força literária poderosa. No entanto, a crítica das formas é um exercício risível quando o poder do conteúdo ofusca tudo. Distante da escolástica filosófica, a verdade ainda é aquilo que é possível provar; assim, não há polêmica contra a Bota de Ferro, ou ela seria uma mentira loquaz. A influência da humanidade forte [Kraftmenschentum]nietzscheana e o posterior deslize do poeta para a fantasia visionária são pormenores que destacar seria a mais mesquinha das críticas. O essencial, no entanto, deste texto é o reconhecimento incontestável dos fatores de desenvolvimento reais que obtêm clareza no mais alto nível na luta de classes do proletariado. Contudo, London só faz jus aos pesquisadores de Marx esquecidos e aos teóricos obstinados na medida em que queria. Ele oferecia sua vida vigorosa e seu amor viril à classe trabalhadora. Ele fez o que pôde, por isso é considerado entre os temperamentos registrados na seção dos “comunistas sentimentais”, ainda que essa seja uma apreciação parcial. Não se pode esquecer que ele era um lutador que soube doar mais do que seu coração no trabalho de anos pelas organizações revolucionárias dos Estados Unidos. Pessoas valiosas como Upton Sinclair, que sem dúvida cumprem plenamente seu dever como escritores do proletariado, não partem, porém, de uma oposição determinada puramente pela humanidade à sociedade capitalista, embora se esforcem honestamente para fundamentar suas criações científico-teoricamente. Quem ia querer diminuir seus méritos por causa disso? Fazer o que podiam era toda sua missão.
O romance não deve, em última análise, ser para o proletariado nada diferente do tratado marxista-científico: ele deve aproximá-lo da revolução; apenas seus meios são diferentes e estes meios são duplamente reconhecidos. Seu valor reside em agitar e comover as pessoas; pois esta também é uma forma de esclarecimento. Embora Jack London tenha superado em muito este tipo de romance. Ele trabalha com ambos os métodos, com todos os meios, com coração e cérebro, cujo dualismo no organismo humano, aliás, parece completamente arbitrário. Onde entendimento e sentimento se identificam, decerto se encontra um ser humano completo que pode ser apontado como modelo do ser humano em geral.
A “Bota de Ferro” é a realidade hoje. Não há uma Comuna de Chicago, mas há revoltas e revoluções. Por mais sangrenta que a “Bota de Ferro” já tenha sido, ela parecerá apenas um ruído no futuro. São as primeiras vítimas que vemos esmagadas no chão. A “Bota de Ferro” não é uma especialidade americana, ela está incorporada em toda bestialidade que é dirigida contra a emancipação do proletariado. Não importa se revolucionários estão amarrados aos canhões na Índia, se Damasco virou cinzas, se há fuzilamentos em Java ou se os trabalhadores dos Bálcãs e da Turquia são exterminados, as massas comunistas húngaras, chacinadas, se Noske é festejado com 20 mil mortos, se se assassina social-democraticamente em Viena e fascistamente na Itália; não importa quem fornece as granadas, onde se enche prisões ou se erguem forcas, se o sangue é derramado nas ruas de Xangai ou nas avenidas parisienses, ele escorre dos corações dos trabalhadores, das vítimas fatais da bota de ferro.
A “Bota de Ferro” só se torna uma questão especial da plutocracia americana se o proletariado europeu ascender ao poder [Herrschaft]. E essas matanças praticamente inacreditáveis de seres humanos que marcam o clímax do romance de London sem dúvida serão superadas pela realidade. O país das oportunidades ilimitadas é assim em todas as áreas. Após a carnificina imperialista, caminha a passos largos em direção a esses grandes confrontos.
Uma gazeta de Chicago levantou há algum tempo a questão do que seria necessário para os Estados Unidos no caso de uma revolução vitoriosa dos trabalhadores europeus e a resposta dada ao mesmo tempo foi exatamente a mesma que Jack London faz a burguesia dizer em a Bota de Ferro, cuja expressão mais consistente serve de lema para esta discussão. A plutocracia marchará contra a revolução; mas, para poder fazer isso, ela deve primeiro esmagar as forças revolucionárias no próprio país. Este é o dia da Comuna de Chicago. Então, também nos EUA, “o povo do abismo” incluirá milhões e avançará, gigante como a cidade que construíram, para não serem enterrados em seus cemitérios. Ele golpeia com a força justificada de seu ódio e de seu desprezo, que aparece de modo animalesco e, não obstante, que realiza o ato mais elevado da humanidade; e não será objeto de “estrategistas” capitalistas ou comunistas, mas conduzida e formada pela parcela criativa e com consciência de classe do proletariado. Talvez seja derrotado, uma vez, mais vezes, mas finalmente triunfará.
O romance de Jack London é interrompido no meio de uma frase. A última palavra não é enunciada; é a revolução vitoriosa que quebra para sempre o pescoço da sociedade de classes. Até então, se aplica a resposta que Jack London dá à burguesia:
[…] naquele dia, eu digo, nós responderemos a você; e no bramido das granadas e dos estilhaços e nos estalos das metralhadoras estará nossa resposta. Você não pode fugir de nós. […] É verdade que enquanto você e os seus detiverem o poder, o trabalhador estará no chão. […] O poder será senhor como sempre foi. É uma luta, classe contra classe. […] Não importa se será em um ano ou em dez ou em mil, sua classe será derrubada. E isso acontecerá pelo poder. Nós trabalhadores estudamos essa palavra até que todos nossos sentidos a ecoassem. – Poder! É uma palavra régia![7]
Esta certeza é inabalável para Jack London. Às vozes céticas, que perdem sua coragem devido à ligação traidora dos sindicatos com a classe dominante, ele diz:
[…] um de nossos teoremas diz que todo sistema que é construído sobre classes e castas traz em si o germe de sua dissolução desde o início[8].
Para demonstrar a qualidade da Bota de Ferro, será esboçado aqui um pouco de seu conteúdo. Jack London incorpora à trama um rapaz e revolucionário cuja vida é marcada pela combatividade intransigente e, consequentemente, também se sacrifica pela revolução. Ele o coloca frente a frente com os representantes das outras classes e assim elimina estas completamente. Uma crítica acachapante da sociedade burguesa em todas as suas manifestações tem centenas de frases magníficas como a seguinte:
Se a força produtiva dos seres humanos modernos é mil vezes maior do que o do homem das cavernas, por que há nos Estados Unidos 15 milhões de pessoas que não possuem moradia adequada nem alimentação suficiente? Por que então 3 milhões de crianças trabalham hoje nos Estados Unidos? Minha acusação é legítima. A classe capitalista administrou mal. Diante do fato de que o ser humano moderno vive mais miseravelmente em relação ao homem das cavernas, não é possível nenhuma outra conclusão senão a de que vocês administraram uma economia criminosa e egoistamente. […] Fizeram da civilização um matadouro. […] Vocês se levantaram, descaradamente, nas salas legislativas e declararam que sem o trabalho de crianças o lucro não seria possível. Acalmaram sua consciência com frases sobre belos ideais e moralidades esplêndidas[9].
Em nenhum lugar além de a Bota de Ferro e de os Pequeno Burgueses de Gorki a ideologia filisteia é tão vexada a ponto de a realidade se transformar na sátira mais amarga. No entanto, mais do que Gorki, London mostra o declínio histórico da pequena burguesia provocado pela acumulação. Em poucas páginas, London é capaz, como ninguém mais, de transmitir os fundamentos da história capitalista. Na brilhante seção “A matemática de um sonho”, ele analisa magistralmente as condições do devir e do perecer capitalista. Essa época infernal é dissecada nos mínimos detalhes. Algumas frases dão a entender seu método:
Falei dos profissionais e artistas como vilões. O que mais eles são? Todos eles, os professores, os pregadores e os redatores, mantêm seus cargos servindo à plutocracia, e seu serviço consiste em difundir apenas essas ideias que ou não prejudicam em nada ou convém à plutocracia. […] Hoje a plutocracia tem todo o poder nas mãos. Hoje, ela faz as leis, pois tem o senado, o congresso, os tribunais e órgãos legislativos. E não só isso; para se impor, tem à sua disposição a polícia, o exército e a milícia[10].
Além disso, segue-se uma apresentação das possibilidades de desenvolvimento capitalista que hoje nós descrevemos como crise mortal. A imprensa proletária, na medida em que ela é marxista coerente, só pode desenrolar a mesma imagem se quiser retratar o presente, que para Jack London, àquela altura, ainda era o futuro. Aqui estão algumas amostras:
O desenvolvimento avançava, o ar vibrava com as coisas que aconteciam ou se aproximavam. O país havia entrado em tempos duros e estes foram causados por uma série de anos prósperos nos quais a dificuldade de exportar o excedente para o exterior havia se tornado cada vez maior. A indústria ainda trabalhava em capacidade limitada, muitas grandes fábricas estavam paradas e os salários eram reduzidos nos níveis superiores e inferiores. […] Uma série de líderes trabalhistas foram executados, muitos outros condenados à prisão, ao passo que milhares de grevistas foram arrebanhados em currais e foram tratados com crueldade pelos soldados. Agora era hora de sangrar pelos anos de prosperidade. Todos os mercados estavam abarrotados, todos os preços de mercado, caindo, e, por detrás da queda geral dos preços, o preço do trabalho, caindo mais rapidamente. A terra estremecia com as discórdias industriais. Estavam em greve aqui, ali e em todos os lugares; e onde não estavam, os trabalhadores eram demitidos das empresas. Os jornais eram cheios de informes violentos e sangrentos. E em todos os lugares as Centenas Negras faziam sua parte. Arruaça, incêndios criminosos e destruição indiscriminada eram sua função e faziam muito destas coisas. Todo o exército regular estava em campo. Todas as cidades e vilas eram como campos de batalha e trabalhadores eram abatidos como cães. Os fura-greves eram recrutados do grande exército de desempregados. E quando os fura-greves eram vencidos pelos trabalhadores, as tropas sempre apareciam e esmurravam os trabalhadores[11].
London já defendia naquela época o que hoje a maioria ainda não quer aceitar: que não há outra opção além de reforçar sua própria bota para poder pisar nos outros. Mesmo hoje, quando a situação descrita existe mesmo nos Estados Unidos (a grande greve têxtil, a greve dos mineiros de Colorado, Sacco e Vanzetti na cadeira elétrica; milhares de exemplos assim podem ser citados aqui). Upton Sinclair registra apenas uma pequenina parte das infâmias dessa época em seus romances que sempre vale a pena recomendar e que, ao contrário de toda a literatura americana contemporânea, contam somente a verdade, apenas uma pequena porcentagem dos proletários seguiu a lógica que London traçou na época:
A bota de ferro pisa em nossos rostos. Não resta nada além de uma revolução sangrenta da classe trabalhadora[12].
No capítulo “A greve geral”, o rosto político do corpo capitalista economicamente doente dá sinais que significam o começo do fim. Aqui se antecipa a revolução europeia diante do colapso do capital em virtude de sua expulsão do mercado mundial pelo mais forte Estados Unidos. London cita Karl Marx: “Soou o sino da morte da propriedade privada[13]” e oferece uma prova brilhante ao marxismo. Hoje não estamos muito longe desta situação e ela não se distingue em nada daquela que a pena de London descreveu. Mesmo a escória de Judas já foi identificada e exposta em toda sua repugnância:
Nós socialistas costumávamos prever com alegria o dia em que os trabalhadores organizados, sempre derrotados no campo econômico, finalmente chegariam ao campo político. A bota de ferro derrotou os sindicatos no campo econômico e com isso [segundo nossa teoria]os empurrou para o campo político. Mas em vez de isso nos ser agradável, nos será uma fonte constante de preocupações. A bota de ferro aprendeu sua lição. Nós mostramos a ela nosso poder ao longo da greve geral. Por isso a bota de ferro tomou providências para evitar uma segunda greve geral. E fez isso quando comprou os grandes sindicatos[14].
A perspicácia do político London é evidente em suas explicações sobre a constelação do poder após a revolução europeia e sua atitude com relação ao trabalho pela revolução, que também é possível ver como seu legado, o revela mais uma vez como revolucionário consequente:
Quantos fuzis você tem? Você sabe onde comprar bastante chumbo? Quando se trata disso, lembre-se que as misturas químicas são melhores que a força bruta![15]
A morte da comuna de Chicago e a morte de seus melhores lutadores mostram a necessidade dessas medidas e também encerram o livro. Será continuada pela própria história através da ação consciente do proletariado internacional. A tarefa humana mais nobre hoje é acelerá-la e revolucionar cérebros e corações. O trabalhador morto Jack London, o homem da IWW, continua a falar com sua voz sábia e bela. Não são muitos aqueles que falam sua língua, que anunciam o princípio da cultura humana que não é mais cultura de classe. Coloque seu romance social nas mãos dos trabalhadores e muito será feito: assim é reduzido o período da bota de ferro e, com isso, a paralisia covarde é arrancada de seus corações. A história dos trabalhadores é escrita com sangue e o proletariado deve fazer história com sangue.
[1] Tradução da resenha Jack London: Die Eiserne Ferse, originalmente publicada na Kommunistische Arbeiter-Zeitung (Jg. 8, Nr. 86, 7, novembro de 1927, p. 2-4, a partir da transcrição de Thomas Schmidt para o Marxists’ Internet Archive. [n. t.]
[2] Mattick não fornece maiores detalhes sobre a edição e não foi possível identificar qual tradução era essa: em alguns trechos, se assemelha bastante à primeira tradução para o alemão, feita por Erwin Magnus, que pode ser consultada no Nemesis – Sozialistisches Archiv für Belletristik e no Projekt Gutenberg; em outros, porém, diferente bastante. Todas estas citações dessa obra são traduzidas diretamente do alemão, mas incluem apenas as referências em português e inglês (esta entre colchetes) a partir da edição bilíngue Jack London, A Bota de Ferro (Tradução: Ricardo Giassetti. São Paulo: Instituto Mojo, 2022), disponível de maneira integral e gratuita em PDF e EPUB tanto no site do Sesc SP como no da editora Mojo. [n. t.]
[3] A Bota de Ferro, p. 127-128 [p. 538-539]. [n. t.]
[4] Carta de Feuerbach a Ruge, junho de 1843; é possível encontrá-la transcrita aqui e traduzida para o português aqui: https://revistapandorabrasil.com/revista_pandora/traducoes/carta_de_Feuerbach_a_Arnold_Ruge_1843.pdf (fica a nota, porém, que o PDF é baixado automaticamente e o site também apresentou alguns problemas ao ser acessado). [n. t.]
[5] O termo alemão Gewalt possui uma ambiguidade poder/violência. Essa ambiguidade é bem demonstrada por Walter Benjamin em „Zur Kritik der Gewalt“ in: Gesammelte Schriften II (Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1977), p. 179-203. [n. t.]
[6] Mattick omite um trecho dessa passagem, destacado a seguir em negrito: “A teoria é capaz de conquistar as massas logo que se demonstra ad hominem e ela se demonstra ad hominem tão logo se torna radical”. MEW 1 (Berlin: Dietz Verlag, 1981), p. 385; Crítica da filosofia do direito de Hegel (2ª edição revista. Tradução: Rubens Enderle & Leonardo de Deus. São Paulo: Boitempo, 2010), p. 151. [n. t.]
[7] A Bota de Ferro, p. 129-130 [p. 540]. [n. t.]
[8] A Bota de Ferro, p. 269 [p. 675]. [n. t.]
[9] A Bota de Ferro, p. 116-117 [p. 527-528]. A tradução para o alemão introduz algumas alterações no trecho, por isso, ele é reproduzido abaixo de acordo com a tradução de Ricardo Giassetti, indicando as omissões em negrito e os acréscimos em texto tachado:
“Se o poder de produção do homem moderno é mil vezes maior do que o do homem das cavernas, por que então, nos Estados Unidos de hoje, há quinze milhões de pessoas que não estão devidamente abrigadas e adequadamente alimentadas? Por que então, nos Estados Unidos de hoje, existem três milhões, de crianças trabalhadoras? É uma acusação verdadeira. A classe capitalista administrou mal. Diante dos fatos de que o homem moderno vive mais miseravelmente do que oi homem das cavernas, e que seu poder de produção é mil vezes maior que o do homem das cavernas, nenhuma outra conclusão é possível senão que a classe capitalista administrou mal, que vocês administraram mal, meus patrões, que vocês administraram uma economia mal, criminal e egoisticamente. […] Vocês bagunçaram a civilização. […] Vocês se levantaram (assim como se levantam agora), descaradamente, em nossas salas legislativas, declarando que os lucros seriam impossíveis sem o trabalho de crianças e bebês. […] Vocês embalaram sua consciência para dormir com o burburinho de doces ideais e caras moralidades.” [n. t.]
[10] A Bota de Ferro, p. 195; 200 [p. 604; 609]. [n. t.]
[11] A Bota de Ferro, p. 211-214 [p. 620-621]. O trecho em alemão apresenta algumas diferenças importantes em relação ao original, portanto, abaixo é reproduzida a tradução para o português:
“A história avançava rapidamente. O ar vibrava, coisas aconteciam e se formavam. O país estava à beira de tempos difíceis, causados por uma série de anos prósperos que resultaram na dificuldade de escoar o excedente no exterior. As indústrias trabalhavam pouco e muitas grandes fábricas esperavam na ociosidade a produção excedente ser consumida. Os salários estavam sendo reduzidos. […] Vários líderes trabalhistas foram executados. Muitos outros foram sentenciados à prisão, ao mesmo tempo em que milhares de grevistas eram reunidos em currais e tratados de maneira aterrorizante pelos soldados. Os anos de prosperidade agora precisavam ser pagos. Todos os mercados estavam saturados. Todas as ações estavam em queda. E, em meio à queda geral dos preços, o valor do trabalho desmoronou mais rápido do que todos os outros. A terra se viu convulsionada com dissensões industriais. O trabalho estava em crise em toda parte e, onde não estava parado, era controlado pelos capitalistas. Os jornais estavam cheios de histórias de violência e sangue. E, ao longo dessa penúria, as Centenas Negras fizeram sua parte. Motins, incêndios criminosos e destruição arbitrária de propriedade eram a sua função, e as desempenhavam muito bem. Todo o contingente regular do exército entrou em campo, convocado à ação pelas ações das Centenas Negras. Todas as cidades e vilas eram como campos de batalha, os trabalhadores eram abatidos como cães. Os fura-greves eram recrutados do vasto exército de desempregados. E, quando os fura-greves eram derrotados pelos sindicatos, as tropas vinham e esmagavam os sindicatos.”
Vale notar, porém, que a tradução para o português traduz “Labor was striking here, there, and everywhere; and where it was not striking, it was being turned out by the capitalists” como “O trabalho estava em crise em toda parte e, onde não estava parado, era controlado pelos capitalistas”: a tradução para o alemão neste caso é um tanto mais precisa. [n. t.]
[12] A Bota de Ferro, p. 216 [p. 624]. [n. t.]
[13] Marx apud London, A Bota de Ferro, p. 262 [p. 667]. Mattick traduz esta citação a partir da tradução usada por London e, nisso, altera o tempo verbal para o passado, troca “hora” por “sino” e “derradeira” por “morte”, um termo um tanto mais carregado. No original, MEW 23, (Berlin: Dietz Verlag, 1962), p. 791: “Soa a hora derradeira da propriedade capitalista”; em português, O capital: crítica da economia política: livro 1: o processo de produção capitalista (Tradução: Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 832). [n. t.]
[14] A Bota de Ferro, p. 266-267 [p. 672]. O trecho entre colchetes é um acréscimo de Mattick. [n. t.]
[15] A Bota de Ferro, p. 283 [p. 689]. [n. t.]
Traduzido por Thiago Papageorgiou.
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