Serge Bricianer: Biografia e Bibliografia

[Nota do Crítica Desapiedada] Em complemento ao texto que disponibilizamos de forma inédita em português no CD, recomendamos a leitura do depoimento emotivo de Charles Reeve a respeito do seu amigo Bricianer, escrito logo após a morte deste último em 1997. Conferir: Serge Bricianer, nuances do preto e do vermelho reluzente.


Serge Bricianer nasceu em Paris em 15 de fevereiro de 1923. Vindo de uma família rica (a ponto de seu jovem irmão ser vítima de uma tentativa de sequestro pedindo resgate), ele teve uma infância fácil e recebeu uma excelente educação, mas a crise de 1929 provocou a falência dos negócios do pai. O casarão da família em Vaucresson desapareceu nessas turbulências financeiras.

Ele foi então obrigado a trabalhar desde sua juventude, como alfaiate/peleteiro (primeiro, para um patrão, depois em casa, pago por peça) até os anos 60, época na qual trabalhou regularmente como tradutor, essencialmente para a editora Gallimard. Nos anos 70, ele se tornou corretor[1], e trabalhou, entre outros, na Encyclopaedia Universalis (1977-78) e no dicionário histórico Robert com seu amigo Christian Lagant[2].

Sua família, de origem judaica, é proveniente de Briciani, vilarejo situado na Moldávia, no Império Austro-Húngaro, perto da fronteira com a Rússia, e hoje integrado à Romênia.

Durante a ocupação, para escapar das prisões em massa antijudeus, Serge se refugiou primeiramente em Marseille e Nice, permanecendo na Suíça no final da guerra. Nos anos 40, ele se aproximou das juventudes comunistas[3], e depois ainda mais dos anarquistas. No final da guerra, ele retorna à Paris.

Na época, quase todo o mundo é “de esquerda”, especialmente os intelectuais. O peso do Partido Comunista é considerável (cerca de 25% dos votos nas eleições), o que se deve evidentemente à sua participação (tardia) na Resistência, mas também ao apoio direto da URSS e à sua participação em diversos governos (até sua exclusão por Ramadier em 1947). O Ministério do Trabalho é assim dirigido por Ambroise Croizat, que implementou a política de reconstrução preconizada por Thorez. Essa política foi contestada pela esquerda, como também pelos trotskistas, que a acusam de ter desarmado os rebeldes ao invés de fazer a revolução. Expulso do governo, o Partido Comunista se faz então o advogado de uma certa contestação baseada sobretudo na defesa incondicional da URSS, reencontrando assim seu comportamento de antes da guerra.

A situação do imediato pós-guerra favorece claramente a atividade de pequenos grupos críticos ao invés da atitude do Partido Comunista e do trotskismo predominante. Os trotskistas passam por diversas cisões. Uma delas, promovida por Castoriadis que era chamado então de Chaulieu, dará à luz ao grupo Socialismo ou Barbárie (S ou B). As questões debatidas nessa época dizem respeito à evolução da revolução russa, à natureza do sistema soviético, à viabilidade do socialismo em um único país. Mas, se há então um cimento que reúne indivíduos com ideias frequentemente muito diferentes, é a luta contra o stalinismo.

Desde antes da guerra, um grupo apareceu sob o nome de União Comunista [L’Union communiste (1933-1939)], onde se encontrava, entre outros, Marc Chirik[4], Szajko Schönberg, conhecido como Laroche, Gaston Davoust, conhecido como Chazé e que defendia, com nuances em função dos indivíduos, posições frequentemente vizinhas às dos comunistas de conselhos holandeses (particularmente sobre a participação nas eleições e sobre as políticas de frente popular). Ele tinha contato com Henk Canne Meijer, membro influente do GIK (Grupo de Comunistas Internacionalistas da Holanda), que tinha relação direta com Anton Pannekoek. No final da guerra, um novo grupo [Gauche Communiste de France (1944-1952) (Esquerda Comunista na França)] se forma ao redor de Marc Chirik, do qual Serge participa. Encontram-se aí pessoas como Muosso, Jean Malaquais, Pierre Bessaignet[5] e Laroche. Este participa apenas parcialmente das atividades do grupo, mas fornece sua contribuição para sua revista Internationalisme: ele foi principalmente o autor da primeira versão francesa de Lénine philosophe [Lenin Filósofo], publicado nesse contexto. Além disso, ele está ligado por uma sólida amizade com Mark Chirik, Canne Meijer, mas também Maximilien Rubel, o que explica bem encontros posteriores.

Da esquerda para a direita: Mark Chirik, Serge Bricianer, Mousso e Evras. Link.

De 1947 até 1952, encontramos contribuições de Serge na revista do grupo, sob o pseudônimo de Cousin (referência sem dúvidas à sua numerosa família), assim como, tardiamente, algumas produções de Louis Évrard, que Serge conheceu no edifício onde moravam então os dois, em 2 rue de Tourmon – endereço onde, próxima do fim, se organizava a difusão da Internationalisme[6].

Tanto nesses grupos quanto em outros, os debates giram em torno das questões mencionadas acima, mas um outro problema se impõe rapidamente: haverá uma nova guerra entre a URSS e os Estados Unidos? Essa eventualidade sendo considerada como provável (relembremos que em 1952 estoura a guerra da Coreia, que parecerá ser o prólogo da nova Guerra Mundial), Chirik e Laroche – que, enquanto judeus, escaparam das deportações e estimam, como diz este último, que “se a Gestapo não os pegou, a GPU os pegará” – decidem imigrar para a América do Sul. Laroche e sua esposa Dora partem no final de 1951 com seu filho Eddy, de 9 anos, para se instalarem no Peru, onde permanecerão até morrerem. Sua filha Rina, que tem então 23 anos e conheceu Daniel Saint-James nos bancos da École de physique et chimie, permanece em Paris para viver com ele. Marc Chirik parte para a Venezuela em 1952, deixando em Paris por alguns meses a sua companheira Clara, junto com seu filho Marc, com poucos anos de idade (e que Rina e Daniel levarão para Amsterdã, onde ele ficará um tempo com Canne Meijer e sua esposa Ge, antes de se reunir com seus parentes na Venezuela).

Nesse meio tempo, Clara, por sua vez, deixa Paris e, na plataforma da estação, encontra Rina e Daniel, Serge e Louis, que vieram saudar sua partida. Entre essas quatro pessoas nasce nessa ocasião uma amizade que só terá fim com a morte desses últimos.

No pequeno estúdio de 75 rue des Plantes, alugado como escritório por Maximilien Rubel e onde vivem então Daniel e Rina, o quarteto se reúne todos os sábados à noite ao redor de um jantar em conjunto para trocarem os pontos de vista sobre os problemas da época, sobre as concepções marxistas, etc. E, a cada ano no Pentecostes, o quarteto vai à Amsterdã para passar alguns dias na casa de Canne Meijer.

Na mesma época, um tipo de círculo de discussão se forma ao redor de Maximilien Rubel, com camaradas vindo de um grupo constituído ao redor do militante de origem trotskista Galién[7]. O quarteto se junta a eles. Mistura-se aí militantes já enriquecidos com uma certa história política, tais como Sophie Moen (conhecida como Sophie Galienne), Ngo Van, Agustin Rodriguez, Louis Gontarbert (conhecido como Sania), Guy Perrard (carteiro noturno), Lambert Dornier, etc., mas também pessoas mais “virgens”, como o matemático Isaac Kapuano. Discutia-se ali questões gerais, como a ideia da revolução, de socialismo ou de comunismo… mas essas são frequentemente apresentações de livros, como Reforma ou Revolução de Rosa Luxemburgo ou Burguês e braços nus na Revolução de 89 de Daniel Guérin, que servem de suporte para a discussão. É nesse quadro que Serge expõe pela primeira vez suas ideias sobre a revolução alemã de 1918-23. Mencionemos que nessa época Maximilien Rubel, preparando sua tese de doutorado (que defenderá em 1954), publica seus primeiros textos escolhidos de Marx, o que lhe vale ataques venenosos por parte dos stalinistas[8].

Em 1953, a revolta dos operários de Berlim desencadeia uma certa agitação nos meios de extrema-esquerda. Mas são sobretudo os eventos de 1956 na Hungria que criam o tremor, no centro, dessa vez, da esquerda tradicional. Numerosas reuniões se sucedem em Paris. Em uma delas, organizada pela Socialismo ou Barbárie, Castoriadis expõe seu ponto de vista sobre a revolta húngara: trata-se, para ele, de um exemplo muito puro da insurreição proletária. No grupo constituído ao redor de Rubel, reconhecendo a importância extrema do acontecimento, tem-se, ao contrário, a tendência de qualificá-lo de “comuna”, considerando que, à semelhança da Comuna de Paris de 1870-71, manifesta também outras características (mesmo que em razão de certas atitudes nacionalistas).

Nessa época, as reuniões do grupo são frequentadas de forma mais ou menos episódica por muitas pessoas novas, como Benno Sarel[9], Étienne Balasz[10] ou Jean Malaquais[11]. Algumas personalidades fizeram simplesmente uma aparição, como Cheikh Anta Diop[12] ou mesmo, em uma noite de 1956 (?), Nathalia Trotsky. Participam também, além disso, com frequência regular, dois húngaros – Georges Pap, que participou na insurreição, e seu pai[13], ainda muito apegado à ideia de partido – assim como um “observador” que intervém raramente, o bordiguista Dangeville[14]. Alguns “informais” se prendem, como Louis Janover, que se torna mais tarde o mais próximo colaborador de Rubel.

Em um quadro concorrente, Castoriadis organiza com Vega espécies de cursos noturnos onde ele começa a expor suas ideias sobre a sociedade moderna e sobre a sociedade futura, ideias que se reencontram mais ou menos modificadas em suas publicações futuras. Serge e Daniel participam, até o dia em que Castoriadis acusa Serge, que propôs expor as concepções dos comunistas de conselhos, de querer “vender os produtos de sua loja” – na verdade, esse é apenas um dos muitos confrontos que opõem essa personalidade transbordante e autoritária a alguns participantes.

O ano de 1956 é também o ano em que a oposição da Guerra da Argélia (que começou entretanto em 1954) ganha amplitude. A guerra da Indochina mal tinha agitado as multidões na França, mas esta nova guerra é mais perturbadora, pois com o envio do contingente, decretado pelo governo socialista, muitas famílias são diretamente afetadas. Nos meios politizados de esquerda e de extrema-esquerda se coloca então a questão da atitude a ser adotada. Suficientemente numerosos são aqueles que se tornam “porteurs de valises” [carregadores de maletas], fornecendo uma ajuda direta à FLN (Frente de Libertação Nacional da Argélia) em nome do anticolonialismo.

No grupo reunido ao redor de Rubel, ninguém evidentemente apoia a FLN, na qual todos veem o embrião da futura classe dominante. Mas entre os diferentes membros, há mais que nuances. Rubel vê na ação da FLN a prefiguração de uma sociedade como a russa, que arrisca ser pior que a precedente (posição decorrente da ideia que deixamos definitivamente passar o comboio da revolução em 1917), enquanto que Serge e Daniel destacam, ao contrário, que a descolonização vai criar um proletariado na Argélia, e logo evoluir a sociedade. Eles são favoráveis ao derrotismo revolucionário, que se coloca ao mesmo tempo contra o colonialismo francês e contra o apoio à burocracia em formação da FLN.

De fato, todas as discussões se polarizam agora sobre a evolução geral dos países ditos “atrasados”, questão diretamente ligada à interpretação da revolução russa e da natureza do regime soviético. Em 1958, Daniel redige um texto sobre o “Nacionalismo no século XX”, onde expõe em detalhe sua concepção das revoluções em países subdesenvolvidos que começam a implementar o sistema capitalista: elas são, em sua opinião, uma passagem obrigatória para um desenvolvimento industrial independente, o que exclui toda possibilidade de um verdadeiro movimento proletário, supondo antes de tudo a existência de um proletariado. Rubel e os outros acusam Daniel de ser um adorador da história, até mesmo um “marxista”, e de demonstrar a inconsequência ao se recusar a apoiar esse tipo de revolução[15]. Serge então o defende em uma carta particularmente vigorosa, que constitui de fato a carta de ruptura do quarteto com o grupo[16].

Serge continua entretanto a colaborar com Rubel, tanto para a edição na Pléiade do primeiro volume da obra de Marx quanto para os Cahiers de l’ISMEA [Cadernos do ISMEA], até o momento em que uma ruptura definitiva ocorre entre eles[17].

O ano de 1958 é também o ano do “golpe de estado” gaullista, em maio. Uma certa inquietude e uma certa efervescência surgem em diversos meios. Em Socialismo ou Barbárie, Castoriadis (seguido nisso pela maioria) previu a irrupção de um enorme movimento proletário em outubro. Alguns membros do grupo exibem seu desacordo, o que cristaliza tensões preexistentes e provoca uma cisão: Claude Lefort deixa a S ou B, levando com ele algumas pessoas com quem ele cria um novo grupo, Informations et liaisons ouvrières (ILO) [Informações e conexões operárias], que visam deixar livre de manipulações burocráticas e de hierarquia formal ou implícita. Serge e Daniel assistem a uma ou duas reuniões desse grupo[18], em um momento em que as discussões se focam sobre a organização, e propõem, com iniciativa essencialmente de Serge, um texto sobre “L’art des organisateurs” [A arte dos organizadores][19], onde eles destacam o caráter irreal, em um grupo com apenas uma dúzia de pessoas, de uma discussão sobre a Organização com O maiúsculo, como se se tratasse de um partido de massa. Mas esse texto não tem qualquer efeito. Entretanto, rapidamente surgem oposições de pessoas no centro das cisões: Serge e Daniel criticam o dirigismo de Lefort, muito parecido com o de Castoriadis, e deixam então o ILO.

Simultaneamente, se organizam reuniões de opositores sindicais vindos de empresas diversas, desejosos de reunir suas experiências no centro do mundo do trabalho. Membros do ILO participam dessa concentração de empresas, que em 1962 se tornará Informations et correspondance ouvrière (ICO) [Informações e Correspondência Operária]. Em 1963 ou 1964, Serge e Daniel se juntam ao grupo e participam regularmente das reuniões – elas acontecem no primeiro sábado de cada mês, inicialmente em Louvois, bistrô situado próximo da Biblioteca Nacional, depois em Colbert, no mesmo bairro (rue Vivienne), e enfim em Tambour, na esquina da praça da Bastilha e da rue de la Roquette. Diversas pessoas se encontram nessas sessões onde trocam-se em geral informações sobre a vida das “caixas”, as denunciantes mais frequentes da atividade (ou da inatividade) sindical. Henri Simon toma notas das discussões, que servem para redigir o boletim informativo, realizado com a ajuda de sua esposa Odette.

O grupo vê passar muitas pessoas, mas existe uma espécie de núcleo fixo: Ngo Van, Antony[20], Guy Perrard, Agustin Rodriguez, Jeannine Morel[21], Paco Gomez, Jeannine Boubal, Rina, Serge e Daniel, Christian Lagant (que veio em outubro de 1959 após uma reunião comum entre o ILO, o Noir et Rouge e os Cadernos do Socialismo de Conselhos[22]), Marcel Kouroriez, conhecido como “pequeno Marcel”, e, claro, Henri e Odette Simon, verdadeiros pilares do grupo com Pierre Blachier, operário anarquista de Renault-Billanchourt, responsável oficial do jornal.

No boletim informativo, encontra-se um relatório das discussões – que dão uma imagem  bem original e bastante pertinente, apesar de limitada à experiência de alguns camaradas que trabalhavam nas fábricas, da vida nas empresas francesas – mas também relatórios de leitura propostas por Chazé e artigos sobre os autores então pouco conhecidos, como Herbert Marcuse, dos quais alguns são de Serge. O ICO publicará também, na forma de folheto duplicado, um texto sobre os comitês de empresa escritos à mão[23].

Entretanto, Serge, como aliás Rina e Daniel, sofrem com a falta de discussões mais propriamente teóricas e políticas. Quando acontecem, sobre a descolonização, por exemplo, são frequentemente copiadas das que fazia o grupo de Maximilien Rubel.

Insatisfeito, Serge persegue, por sua vez, atividades mais pessoais redigindo textos sobre o Estado, sobre a reprodução do homem pelo homem (problemas demográficos) – textos que infelizmente serão destruídos mais tarde – mas também sobre a atitude política de Marx, a social-democracia alemã, a revolução alemã de 1918-1923, etc. Vários deles são objeto de discussões com Rina e Daniel. Por volta de 1958-1959, também é considerada a publicação de uma revista teórica que, ao lado de novas publicações, retomaria alguns textos de Living Marxism[24] [Marxismo vivo], de Mattick ou de Henk Canne Meijer, mas esse projeto não terá resultado por falta de dinheiro, até mesmo por falta de potenciais leitores.

Em 29 de novembro de 1958, Serge dá uma pequena conferência, a título pessoal, na sala Lancry em Paris, pela iniciativa oficial dos “Amis du doute” [Amigos da dúvida], sobre o tema: Ensaio histórico sobre a oposição bolchevique ao bolchevismo, a configuração política na Rússia e na Alemanha (1919-1933), com uma particular insistência sobre as tendências não trotskistas[25]. É um verdadeiro fracasso: apenas uma dezena de pessoas apareceram, entre eles amigos diretos de Serge, como o fotógrafo Gilles Ehrmann e um ex-trotskista judeu lituano amigo da família de Rina. Mas dessa intervenção Serge tirou um texto cuidadosamente redigido, provavelmente destinado a uma publicação.

Em 1963, Louis Évrard parte para os Estados Unidos, onde encontra Paul Mattick e Naomi Sager, e de onde ele mantém uma rica correspondência com Serge. Ele traz de lá alguns contatos valiosos. Uma troca regular se instaura por correspondência entre Mattick e Serge, Rina, e Daniel, especialmente sobre a questão da evolução dos países subdesenvolvidos. Pouco a pouco as relações com Mattick vão se estreitando, assim como com Naomi Sager[26], que vai regularmente para a França. Serge, Rina e Daniel são então levados para conhecer diversos amigos de Paul Mattick, como Zellig Harris, célebre linguista mestre de Noam Chomsky, ou Joyce e Gabriel Kolko, historiadores estadunidenses que tomam posições extremas contra a intervenção dos Estados Unidos no Vietnã[27]. Uma sólida amizade se instaura entre todos, que dura ainda para aqueles que estão vivos, apesar das sérias divergências políticas.

Por volta da metade dos anos 60 (1964-1965), Serge vive alguns anos com Béatrice Rochereau de la Sablière, a ex-companheira do poeta Gherasim Luca, amigo de Serge. A relação deles não é apenas de ordem afetiva. No apartamento da rua Geoffroy-Marie, ambos, para sobreviver, traduzem, separadamente ou em conjunto, obras para editoras, especialmente a Gallimard. É em 1965 ou 1966 que, durante uma crise psicótica, Béatrice[28] destrói uma boa parte dos manuscritos de Serge, dos quais os textos sobre o Estado e sobre a demografia citados acima; ela é então internada durante algum tempo, e Serge parte para Peymeinade, na casa de Louis e Nicole Évrard, para tentar se recuperar desse drama. Lá, ele cai e quebra a perna. De volta à Paris, ele se instala por algum tempo na casa de Rina e Daniel.

Depois ele se muda para Bois-Colombes, em um pequeno apartamento cuja proprietária é sua irmã. As reuniões semanais com Rina e Daniel são retomadas então, assim como a participação nas reuniões do ICO. Sempre ciente do que acontece no microcosmo político, Serge leva para lá tanto os primeiros números da revista da Internacional Situacionista quanto um exemplar de De la misère en milieu étudiant [Sobre a miséria no meio estudantil].

Em 1967, Daniel entra na Faculdade de Ciências, o que, a longo prazo, terá consequências em suas relações, até as mais estreitas, com Serge.

Os “acontecimentos de 1968” vão introduzir muitas perturbações em suas vidas até então bem reguladas. Daniel participa do comitê de greve de Jussieu, e Rina nos eventos de Saclay. Eles só encontram Serge nas manifestações, durante os finais de semana e nas reuniões do ICO.

No ICO, Jean-Pierre Duteuil faz um relatório sobre a situação em Nanterre, logo seguido de Riesel e seus amigos “enfurecidos”[29], que se inscreveram no grupo com o objetivo confesso de arranjar confusão. Durante a reunião que se seguiu em 13 de maio de 1968, o ICO vê afluir mais de cem pessoas (entre eles, Castoriadis), que vieram buscar informações diretas sobre o que acontecia nos locais; era necessário agora se refugiar na faculdade de Jussieu ocupada. Pouco depois, ele decidiu fazer um folheto sobre os “acontecimentos”: A Greve geral na França, da qual participam da redação Serge, Rina, Daniel, Henri e outros.

Na mesma época, uma conferência foi organizada na faculdade de Jussieu, onde Serge fala da revolução alemã na frente de um grande auditório de estudantes. Sucesso mitigado: falar em um anfiteatro na frente de 200 pessoas não é algo fácil para Serge.

É também nessa época que ele começa a redigir seu livro sobre Pannekoek, que será publicado em 1969. Em 1970, ele publica com Daniel, no boletim informativo do ICO, um texto sobre a questão da violência[30].

No ICO, um certo ativismo é sentido. E a própria composição do grupo está mudando. Os estudantes se tornam a maioria ali. Aparecem também pessoas como Jean-Jacques Lebel, que levam com eles outras preocupações. Algumas aberturas são tentadas, o que leva Serge e Daniel a participarem de reuniões com grupos diversos, dos quais alguns são de tendência maoísta. Um encontro é também organizado com um grupo em formação ao redor do trotskista Jean-Jacques Marie, das edições EDI (onde será publicado o livro de Serge sobre Pannekoek), reunião da qual ajudam, além de Marie, Serge (que rompeu com o ICO), Daniel, Yvon Bourdet e Claude Orsoni. Mas a tentativa de aproximação logo capota.

Há algum tempo, o ICO organizava regularmente encontros internacionais. O primeiro foi realizado em Taverny[31] em 29 e 30 de julho de 1966, com o grupo inglês Solidarity [Solidariedade], os alemães e os belgas; o segundo em 1967; com os mesmos mais Mattick e um situacionista chamado Le Glou, que causou a confusão. Em 1968, nenhum encontro foi organizado, todos estando mais absorvidos por outras ocupações mais urgentes. Mas em 1969, uma reunião nacional acontece em Taverny, com a participação de tendências e grupos muitos diferentes, entre eles o Révolution internationale (o novo grupo de Marc Chirik, formado desde seu retorno à Paris). Paul Mattick, sua mulher Ilse e seu filho Paul[32] estão ali presentes. É também a primeira vez que vemos Guillaume e Barrot apresentarem o texto sobre a ideologia da extrema-esquerda e sobre os comunistas de conselho. Daniel demanda a Serge e Paul Mattick de responderem esse tipo de alegações, mas ambos estimam que elas são estúpidas demais para valerem a pena[33]. Em 1969 (11 e 12 de julho), uma reunião internacional é de novo organizada, dessa vez em Bruxelas. Participam ali os Mattick, Malaquais e Daniel Cohn-Bendit, entre outros. Serge vai para lá com Claude Orsoni, apesar de ter rompido com o ICO em um artigo intitulado La différence[34] [A diferença].

Por que essa ruptura? As pulsões ativistas parecem tê-lo envergonhado, as discussões sobre a questão sexual que assombram então o meio estudantil não o chamavam muito a atenção, mas o que questionava sobretudo era tanto a falta da coerência teórica quanto a atitude “não diretiva” do grupo que, para evitar as acusações de censura, tinha deixado aparecer no boletim informativo artigos que chegavam a justificar alguns tipos de atentados[35].

Algumas tentativas realizadas – entre outros por Daniel – para criar um tipo de grupo teórico mais ou menos coerente permanece sem futuro. As posições são diferentes demais: fazer coexistir pessoas como Yann Moulier, Chirstine Fauré, Jean-Jacques Lebel, Jean Pierre Duteuil, Serge, Rina e Daniel não é coisa fácil…

Serge participa nessa época, com Jorge Valadas e Jackie Reuss, na curta experiência de Mise au point[36], que produzirá especialmente um livro sobre Wilhelm Reich e uma crítica das posições de Deleuze, então muito na moda. O que mostra que as questões relativas à sexualidade não lhe eram assim tão indiferentes. Aliás, ele tinha anteriormente colaborado com a publicação, em um boletim informativo do ICO, de certos textos de Reich, assim como da crítica de suas ideias[37].

Apesar de ter rompido com a ICO, Serge participou na edição do panfleto sobre a produção e a distribuição comunista, que retoma o texto outrora redigido por Canne Meijer. Ele corrige certos erros materiais, mas se recusa a assumir sua apresentação, feita por Henri Simon, na qual ele vê uma certa máquina de guerra.

As relações com Daniel se distendem nessa época. As reuniões do sábado à noite cessam, sobretudo quando Serge aprende que Rina e Daniel apoiam, no posfácio do livro sobre os eventos da Polônia[38] publicado nas edições Spartacus, que é difícil de falar de ciências sociais preditivas. Um tipo de hiato se produz pela primeira vez em suas posições políticas, até então tão próximas que eram quase indiscerníveis. Mas a verdadeira razão desse distanciamento deve ser procurada em outro lugar. Daniel fica embriagado nas lutas da universidade de Jussieu às quais Serge é completamente alheio. Serge, por sua vez, manifesta uma certa indulgência para com os maoístas franceses, que Daniel não compactua. E, nessa separação relativa, há de fato uma dimensão de “velho casal cansado”.

Nos anos 70, René Lefeuvre, diretor das edições Spartacus, tenta criar um coletivo destinado a desempenhar o papel de comitê de redação da revista do mesmo nome e, mais tarde, quando ele adoece seriamente, encarrega-se do trabalho de edição que até então assumia sozinho. Vários dos amigos de Serge participam dele, mas o próprio Serge, manifestando uma certa simpatia por essa iniciativa e fornecendo alguns artigos, se abstém de participar. O coletivo se dissolverá ao fim de alguns anos, frente à dificuldade de assegurar coletivamente a substituição de um trabalho editorial que restava essencialmente à obra de um indivíduo.

É também nos anos 70 que Serge realiza várias traduções de Mattick, entre eles Crise et théories des crises [Crise e teorias das crises], publicado na editora Champ libre em 1976, e redige seu livro de apresentação de ideias de Korsch, que é publicado em 1975, assim como uma nota sobre o KAPD inserido no livro de Gorter publicado pela Spartacus em 1979.

Quando em 1976 é publicado o livro de D. Authier e J. Barrot sobre a revolução alemã, Serge percebe uma “sujeira de livro” e redige, sem falar para ninguém, textos sobre o anticonselhismo, na intenção de responder às suas teses. Estes textos foram encontrados em seus documentos. Neles, ele examina em particular as ideias de Canne Meijer sobre o papel e a organização dos conselhos operários.

Apesar do seu ódio de aviões, Serge vai a Boston para encontrar Mattick algum tempo antes da morte dele, em 1981.

No início dos anos 80, ele participa dos “débats de la Teinturerie” [debates da lavanderia], organizados em lugares associativos por um grupo do leste de Paris onde se encontram alguns de seus amigos, e que dará em seguida nascimento aos “Amis du doute”, retomando uma denominação que ele próprio utilizava. Se sua avaliação pessimista da situação social o leva a permanecer afastado de toda atividade orientada para o exterior, ele segue entretanto com interesse nas atividades do grupo, que editará três números dos Cahiers du doute [Cadernos da dúvida]. Pelas mesmas razões, ele se recusa a participar das discussões do Cercle Berneri, nascido em 1990, mas continua a seguir suas produções e a apresentar o seu ponto de vista no quadro de discussões amigáveis em torno de uma mesa.

Nos últimos anos de sua vida, ele reata ligações mais estreitas com Rina e Daniel: passa a vê-los regularmente em Paris, e vai até visitá-los na Normandia com Naomi Sager, apesar de seu horror do campo! Discussões são retomadas, e as posições parecem tão próximas que nada, quase, parece ter mudado…

Vítima de um câncer de pulmão, ele foi operado uma primeira vez no Hospital Necker, mas teve uma recaída em 1997 e entra no Hospital Saint-Antoine, depois na Clínica Galliéni du Blanc-Mesnil, onde será hospitalizado até sua morte algumas semanas mais tarde.

As preocupações que foram as suas ao longo de sua vida continuam a ocupá-lo até sua cama do hospital: ele propõe, a Rina e Daniel que o visitam então no hospital, criar uma fundação que teria por objetivo ilustrar uma certa forma de combate social. E teria como primeiro objetivo fazer uma estimação do estado do capitalismo atual, um pouco no espírito do que gostaria de ter feito Henk Canne Meijer no fim de sua vida[39].

Serge morreu em 12 de junho de 1997. Suas cinzas estão depositadas no cemitério do Vésinet.

Serge era alguém muito reservado. Apenas após sua morte que seus amigos mais próximos puderam perceber até que ponto seus estudos e seus interesses eram seguidos e coerentes. Ele tinha uma grande paixão pela história e pela análise dos fatos e das ideias.

Ao examinar sua biblioteca, os fios condutores de seus interesses apareceram com evidência:

  • As revoluções russa e alemã
  • Marx, o marxismo, o anarquismo, o movimento operário internacional
  • Os movimentos de conselhos e o comunismo de conselhos
  • O surrealismo, as religiões (orientalismo, ocultismo, islamismo, judaísmo, cristianismo, budismo etc.)
  • A filosofia, a psicologia, a psicanálise
  • As ciências da natureza
  • A literatura e especialmente os suspenses policiais

Seus livros e seus arquivos – que serviram de base para a edição póstuma de alguns de seus textos – foram conservados na BDIC (Biblioteca de Documentação Internacional Contemporânea) de Nanterre. As obras que essa biblioteca já possuía foram dados ao Museu social de Paris e à BFS (Biblioteca Franco Serantini) de Pisa. Uma lista do conjunto de seus livros foi registrada na BDIC.

1960, Henk Canne Meijer e Gé Hoogland, na esquerda “Cousin” (Serge Bricianer), um antigo membro do “Internationalisme” na França. Link.

Fontes

A maioria das informações desta nota biográfica provém das memórias pessoais de Rina e Daniel Saint-James, mas também de confidências feitas por Serge em diferentes momentos de sua vida. Várias pessoas que o conheceram em uma época ou outra de sua vida trouxeram uma contribuição para a redação desta nota biográfica: trata-se de Giannio Carrozza, Jean-Pierre Duteuil, Elisiario Lapa, Claude Orsoni, Tonia Perez Lopez, Georges Rubel, Henri Simon, Nicole Thirion, Ngo Van.

Serge forneceu alguns elementos de confirmação em “Karl Korsch (1886-1961): un itinéraire marxiste [Karl Korsch (1886-1961): um itinerário marxista]”, introdução a Karl Korsch, Marxisme et contre-révolution dans la première moitié du vingtième siècle [Marxismo e contrarrevolução na primeira metade do século XX], Paris, Seuil, 1975.

O que resta de sua correspondência e de seus escritos serviu para verificar as informações fornecidas oralmente.

Nós consideramos este texto como não acabado. Os testemunhos que nós chegamos a recolher, as verificações, os cruzamentos com outras fontes, serão integrados à medida que forem chegando até nós. Agradecemos desde já àqueles que desejarão entrar em contato conosco para nos contar parte de suas lembranças ou fornecer informações complementares.

Bibliografia

Obras. Introduções, traduções

Anweiler, Oskar. – Les soviets en Russie, 1905 – 1921 [Os sovietes na Rússia, 1905 – 1921]. Traduzido do alemão por Serge Bricianer. Prefácio de Pierre Broué. – Paris: Gallimard, 1972, XXVIII-355, p.

Korsch, Karl. – Karl Marx. Posfácio de Paul Mattick; introdução à edição alemã de Götz Langkau; tradução do alemão por Serge Bricianer. – Paris: Champs libre, 1971, 288 p.

Korsch, Karl. – Marxisme et contre-révolution, dans la première moitié du vingtième siècle [Marxismo e contrarrevolução, na primeira metade do século XX]. Seleção de textos traduzidos e apresentados por Serge Bricianer. – Paris: Seuil, 1975, 285 p.

Mattick, Paul. – Crises et théorie des crises [Crises e teoria das crises]. Traduzido do alemão com a contribuição de Serge Bricianer. – Paris: Champ libre, 1976, 242 p.

Mattick, Paul. – Intégration capitaliste et rupture ouvrière (choix de textes) [Integração capitalista e ruptura operária (textos escolhidos)]. Tradução de Serge Bricianer. Prefácio de Robert Paris. – Paris: EDI, 1972, 272 p.

Mattick, Paul. – Marx et Keynes, les limites de l’économie mixte. [Marx e Keynes, os limites da economia mista]. – Tradução de Serge Bricianer. – Paris: Gallimard, 1972, 440 p.

Note sur le KAPD. [Nota sobre o KAPD]. – p. 11-15, em: Gorter Herman, Lettre ouverte au camarade Lénine: réponse à la brochure de Lénine “Le gauchisme, maladie infantile du communisme”. [Carta aberta ao camarada Lenin: resposta ao panfleto de Lenin “O esquerdismo, doença infantil do comunismo]. Gorter poète. – tradução de André Proudhommeaux, prefácio de Anton Pannekoek, introdução e notas de Serge Bricianer. – Paris: Spartacus, 1979, 112 p. (Cahiers mensuels julho-agosto 1979. Série B n° 109).

Pannekoek et les conseils ouvriers. Textes choisis, traduits e présentés par Serge Bricianer. [Pannekoek e os conselhos operários. Textos escolhidos, traduzidos e apresentados por Serge Bricianer]. – Paris EDI, 1969, 302 p.

Pannekoek et les conseils ouvriers. Textes choisis, traduits e présentés par Serge Bricianer. [Pannekoek e os conselhos operários. Textos escolhidos, traduzidos e apresentados por Serge Bricianer]. – Nova edição revista, corrigida e aumentada, Paris EDI, 1977, 308 p.

Artigos (em ordem cronológica)

George Cousin, Tribune libre [Tribuna livre], em Internationalisme, n° 27, 15 de outubro de 1947, p. 21-30.

G. Cousin, Nouvelles internationales et nationales – Staline sauvé par l’inflation [Novas internacionais e nacionais – Stalin salvo pela inflação], em Internationalisme, n° 30, 15 de janeiro de 1948, p. 12-14.

Cousin, Le Danube est désormais un fleuve russe [O Danúbio é agora um rio russo], em Internationalisme, n° 32, março de 1948, p. 7-17 e 20.

Cousin, Situation internationaliste [Situação internacionalista], em Internationalisme, n° 33, 15 de abril de 1948, p. 9-17.

Cousin, Et vive la paix [E viva a paz], em Internationalisme, n° 35, junho de 1948, p. 6-10.

Cousin, Gomulka était-il trotskiste? [Gomulka era trotskista?], em Internationalisme, n° 38, outubro 1948, p. 5-7.

Cousin, L’Orient: point crucial des antagonismes impérialistes [O Oriente: ponto crucial dos antagonismos imperiais], n° 39, novembro de 1948, p. 7-13.

Cousin, Aperçu de la pensée révolutionnaire en Australie [Visão geral do pensamento revolucionário na Austrália], em Internationalisme, n° 40, dezembro de 1948, p. 21-31.

Cousin, Signification d’un message présidentiel [Significado de uma mensagem presidencial], em Internationalisme, n° 41, janeiro de 1949, p. 1-5.

Cousin, Autour d’un procès [Em torno de um processo], em Internationalisme, n° 42, fevereiro de 1949, p. 6-10.

Cousin, Revue de presse [resenha de imprensa], em Internationalisme, n° 42, fevereiro de 1949, p. 17-20.

Cousin, Les fractions de la G.C.I. en France et aux États-Unis [As frações da GCI na França e nos Estados Unidos], em Internationalisme, n° 43, junho-julho de 1949, p. 30-35.

Exposição do camarada Cousin (na reunião de S ou B de 21 de abril) (seguido de): Cousin, Guerra da Coréia, em Internationalisme, n° (44 bis ? ilegível), (1950, ilegível), p. 15-28.

Cousin, Siqueiros, go home [vá para casa], n° (45, 1952 ilegível), p. 44-50.

Serge Alex Bricianer, Una lesion cervical [Uma lesão cervical], em: KA BA, Buenos Aires, n° 1, novembro de 1958 (2 p. n. n.).

Serge Bricianer, A propos de l'”Opposition ouvrière” [Sobre a “Oposição operária”], em Socialisme ou Barbarie, n° 36, vol. VI, abril-junho de 1964, p. 65-71.

Serge Bricianer, Riches et pauvres en Amérique [Ricos e pobres na América], em Socialisme ou Barbarie, n° 38, vol. VIII, outubro-dezembro de 1964, p. 105-109.

(Anônimo), Réflexions d’un camarade après la discussion sur la question nationale [Reflexões de um camarada após o debate sobre a questão nacional], em: ICO, n° 39, maio de 1965, p. 20-22.

(Anônimo), Le mouvement pour les conseils ouvriers en Allemagne [O movimento para os conselhos operários na Alemanha], em: ICO, n° especial (n° 42), agosto-setembro de 1965, 24+9 p.

(Anônimo), Leitura. “Le 17 juin 1953” [17 de junho de 1953], Arnulf Baring, Colônia, 1965, em: ICO, n° 43, novembro de 1965, p. 16-19.

Serge Bricianer, l’ombre de Spartacus [A sombra de Spartacus], em: La Quinzaine littéraire, n° 4, 2 de maio de 1966, p. 21-22.

Serge Bricianer, Après Vatican II, em: La Quinzaine littéraire, n° 20, 15-30 de janeiro de 1967, p. 23-24.

(Anônimo), A propos de Wilhelm Reich [Sobre Wilhelm Reich], em: ICO, suplemento do n° 60, maio de 1967, p. 1-16.

(Anônimo), Cinq livres sur mai [Cinco livros sobre maio], em: ICO, n° 73, agosto-setembro de 1968, p. 13-23.

(Anônimo), Une omission bizarre [Uma omissão bizarra], em: ICO, n° 74, outubro de 1968, p. 12.

(Anônimo), A propos de l’autogestion [Sobre a autogestão], em: ICO, n° 74, outubro de 1968, p. 20-26.

(Anônimo), La Différence [A Diferença], em: ICO, n° 81, maio de 1969, p. 18-25.

(Anônimo), Quelques réflexions [Algumas reflexões], em: ICO, n° 94, junho de 1970, p. 1-7.

Serge Bricianer, Psychanalyse et mouvement social [Psicanálise e movimento social], em: Mise au point, n° 1, outubro de 1972, p. 1-45 (mas ele participou do debate e da elaboração do conjunto do número).

Traduções para sustento (mas também por interesse pessoal)

Churchill, Randolph S. e Churchill, Winston. – Victoire dans le désert [Vitória no deserto] – Paris: Gallimard, 1968, 317 p.

Cipolla, Carlo. – Histoire économique de la population mondiale [História da população mundial] – Paris: Gallimard, 1965, 191 p.

Ficher, Louis. – Lênin. – Paris, Christian Bourgois, 1966, 505 p.

Köler, Wolfgang. – Psychologie de la forme [Psicologia da forma], Gallimard, 1964, 381 p.

Lukacs, Georg. – Soljenítsin. – Paris: Gallimard, 1970, 191 p.

March, Arthur. – La Physique moderne et ses théories [A Física moderna e suas teorias], Paris, Gallimard, 1965, 225 p.

Mitscherlich, Alexander. – L’idée de paix et l’agressivité humaine [A ideia da paz e da agressividade humana] – Paris: Gallimard, 1970, 191 p.

Popkin, Richard H. – Les assassins de Kennedy [Os assassinos de Kennedy]. – Paris: Gallimard, 1967, 191 p.

La révolte des étudiantes allemands [A revolta dos estudantes alemães] (Uwe Bergmann, Rudi Dutsche, Wolfgang Lefèvre, Bernd Rabel). – Paris: Gallimard, 1968, 383 p. (trad. por SB e Anne Gaudu)

Sakharov, Andrei D. – La liberté intellectuelle en U.R.S.S. et la coexistence [A liberdade intelectual na URSS e a coexistência]. – Paris: Gallimard, 1969, 191 p.

Science et synthèse [Ciência e síntese] (Exposição e debates do colóquio internacional organizado pela Unesco, Paris, 1965), Paris, Gallimard, 1967, 384 p. (Trad. por SB e Fernand Lot).

Shub, David. – Lênin. – Paris: Gallimard, 1972, 351 p. (revisão e complemento por SB)

Tribunal Russell. – Le Jugement de Stockholm [Tribunal Russell – O Julgamento de Stockholm] – Paris: Gallimard, 1967, 381 p.

Tribunal Russell II. – Le Jugement final [Tribunal Russell II – O Julgamento final] – Paris: Gallimard, 1968, 383 p.

Widgery, Alban G. – Les Grandes doctrines de l’histoire: de Confucius à Toynbee [As Grandes doutrinas da história: de Confúcio a Toynbee], Paris, Gallimard, 1965, 384 p.

Kreig, Margareth. – La Médicine verte [A Medicina verde], Paris, Plon, 1968 (Trad. por SB e Béatrice Rochereau), 387 p.

Carmichael, Joel. – Histoire de la révolution russe [História da revolução russa], Gallimard, 1966, (tradução por Béatrice Rochereau), 384 p.

Broyles, Allen P. – La Société John Birch [A sociedade John Birch], Monaco, Ed. du Rocher, 1964 (trad. por Béatrice Rochereau), 192 p.

Esses dois livros estavam em sua biblioteca, entre outros traduzidos por sua iniciativa. É provável que o trabalho de tradução tenha sido feito com Béatrice Rochereau, ou que ele tenha feito o trabalho de revisão.

Gargner, Martin. – Les Magiciens démasqués: santé et prospérité des pséudo-savants [Os Mágicos desmascarados: saúde e prosperidade dos pseudo-intelectuais], Paris, Presses de la Cité, 1966, 386 p. (Traduzido do inglês por Béatrice Rochereau).

Essa tradução fica a meio caminho entre o trabalho de sustento e o trabalho de interesse pessoal. A tradução e as notas de rodapé foram objetos de força de debates com Daniel Saint-James. O título foi imposto pelo editor para relembrar o livro de Pauwels e Berger: Le Matin des magiciens [A manhã dos mágicos].

Textos inéditos ou póstumos.

Le poème s’éclipse devant ses conséquences: Gherasim Luca par Serge Bricianer [O poema se eclipsa frente a suas consequências: Gherasim Luca por Serge Bricianer], em: Oiseau-tempête[40], n° 4, 1998, p. 29 – 33.

Nécrologies et textes sur S.B. En hommage à Serge Bricianer [Necrologias e textos sobre S.B. Em homenagem a Serge Bricianer], em: Révolution internationale, setembro de 1997, n° 271 p. 4. É mais uma necrologia do CCI e do que o precedeu que de S.B.

Reeve, Charles. Serge Bricianer, des nuances du noir et du rouge vif [Serge Bricianer, nuances do preto e do vermelho vivo], em: Oiseau-tempête, Paris, n° 2, outono de 1997, p. 15-16. Traduzido também em Etcetera, Barcelona, n° 30, dezembro de 1997, p. 49-50.

Echanges, n° 84, p. 66.

A propos de Serge Bricianer [Sobre Serge Bricianer], em: Echanges, n° 85, setembro-dezembro de 1997, p. 44-45.

Os textos inéditos de Serge Bricianer

Até hoje, dispomos dos seguintes textos, escaneados ou redigitados por Daniel Saint-James e Claude Orsoni[41]. Esses textos serão progressivamente colocados no site.

1) Movimentos religiosos

RUPTURE ET CONTINUITÉ DANS LES NOUVEAUX MOUVEMENTS RELIGIEUX [RUPTURA E CONTINUIDADE NOS NOVOS MOVIMENTOS RELIGIOSOS], 3 p. Trata-se de um texto bem curto visivelmente inspirado pelo livro de Gilles Kepel.

2) Textos sobre o Islã

Serge parece ter tido a ambição de fazer um livro sobre esse assunto. Por volta do final dos anos 80, ele circulou um texto com esse título: Chapitre VIII: Le Califat: de la doctrine à la structure de base. [Capítulo VIII: O Califado: da doutrina à estrutura de base].

Posteriormente, ele retomou esse texto e o separou em duas partes. A primeira, sempre apresentada como capítulo VIII, tem agora o título: La thèse du despotisme oriental [A tese do despotismo oriental]. A segunda se tornou a primeira parte de um capítulo IX tendo como subtítulo Une idée neuve en Islam: la propriété foncière privée [Uma ideia nova no Islã: a propriedade fundiária privada] e como título Evolution involution de la structure de base [Evolução-involução da estrutura de base]. A primeira parte desse capítulo é intitulado 1) Le régime agraire [O regime agrário], e a segunda, adicionada por Serge, 2) La constitution urbaine [A constituição urbana].

Tudo se complica quando descobrimos que existe um outro capítulo IX com somente uma segunda parte, intitulada: Schémas de pouvoir: à la recherche du califat perdu [Esquemas de poder: em busca do califado perdido].

Tudo poderia ser considerado como simples se não tivesse também um texto sem número de capítulo intitulado: Description de l’Afrique subsaharienne [Descrição da África subsaariana].

Além disso, existe um texto com cerca de cinquenta páginas intitulado Sur l’Islam [Sobre o Islã], apresentando onze seções. Não é impossível que algumas seções desse texto tenham sido partes de capítulos do livro previsto inicialmente. Entretanto, com o estouro da revolução iraniana, Serge tentou tratar por esse texto o problema da contestação islamista nos países do islã. O final fala mais particularmente do Irã, com uma passagem sobre os chouras, os “conselhos” que fizeram sua aparição em alguns lugares e empresas do Irã. Esse texto é coerente, mesmo que ele termine muito cedo.

SOBRE O ISLÃ, 56 p.

I. Deux grandes chances de l’islam contemporain [Duas grandes chances do islã contemporâneo]. II. Des réformateurs sans Réforme [Reformadores sem Reforma]. III. Colonialisme et sous-développement [Colonialismo e subdesenvolvimento]. IV. Du panislamisme au laïcisme [Do pan-islamismo ao laicismo]. V. La femme, l’homme, la famille [A mulher, o homem, a família] Hauts et bas des confréries [Altos e baixos das confrarias] La force des choses [A força das coisas] Les Frères musulmans. [Os irmãos muçulmanos] Irã: 1. Idéologie et pouvoir religieux [Ideologia e poder religioso]. Irã: 2 Une étincelle met le feu à la plaine [Uma faísca coloca fogo na planície XI]. Irã: 3. La révolution événement fondateur en deux phases [A revolução, acontecimento fundador em duas fases] VIII. La thèse du despostisme oriental, 13 p. [A tese do despotismo oriental] Une idée neuve en Islam: la propriété foncière privée, 20 p. [Uma ideia nova no Islã: a propriedade fundiária privada]. IX. Evolution-involution de la structure de base [Evolução-involução da estrutura de base]. 1. Le régime agraire [O regime agrário]. Evolution-involution de la structure de base, 14 p. 2. [Evolução-involução da estrutura de base] La constitution urbaine [A constituição urbana] Schémas du pouvoir: 2. À la recherche du califat perdu, 10 p. [Esquemas do poder: 2. Em busca do califado perdido] Description de l’Afrique subsaharienne, 35 p. [Descrição da África subsaariana].

3) Sobre a Alemanha

Há dois textos suficientemente estruturados. O primeiro é um texto sobre a social-democracia alemã. Contém cerca de cinquenta páginas e é anterior a 1968. Visivelmente, o texto está inacabado, Serge tinha talvez a intenção de o ligar ao segundo texto que fala sobre a revolução alemã e o movimento de conselhos. Este último, visivelmente inacabado também pois não trata do KAPD, forma entretanto um todo.

SOCIAL-DEMOCRATIE ALLEMANDE [SOCIAL-DEMOCRACIA ALEMÃ] (ou: Bismark-Hitler) (Introdução…) 54 p. Esse texto foi escrito sem dúvidas antes de 1968. TEXTE SUR LA RÉVOLUTION ALLEMANDE, [TEXTO SOBRE A REVOLUÇÃO ALEMÃ], 76 p. MARX ET LA SOCIAL-DEMOCRATIE (Marx et le Nationalisme…) [MARX E A SOCIAL-DEMOCRACIA (Marx e o Nacionalismo)], 24 p. Faz parte de um conjunto de folhetos escritos na máquina e paginadas da página 38 até a página 64. Encontramos aí algumas preocupações do pós-guerra e as referências bibliográficas terminam em 1955. É provável que era destinado a ser integrado no texto geral sobre o Estado, destruído pela Béatrice.

4) Sobre a Rússia

DES EFFETS DE SURFACE (ou: LA VENGEANCE DE LA VALEUR D’ÉCHANGE ou: ÉCONOMIE FICTIVE) [EFEITOS DE SUPERFÍCIE (ou: A VINGANÇA DO VALOR DE TROCA ou: ECONOMIA FICTÍCIA] 10 p. L’OPPOSITION. LE COTE NOCTURNE DU BOLCHEVISME [A OPOSIÇÃO. O LADO NOTURNO DO BOLCHEVISMO]. Cerca de quarenta páginas manuscritas, cuidadosamente paginadas com notas de rodapé.

5) Sobre os grupos comunistas de conselhos na Europa ocidental

UN MOUVEMENT SAUVAGE [UM MOVIMENTO SELVAGEM]. O texto original é constituído por cerca de vinte páginas manuscritas.

6) SOBRE O ANTICONSELHISMO

QUELQUES PROCÉDÉS DE L’ANTICONSEILLISME [ALGUNS PROCESSOS DO ANTICONSELHISMO], 3 p. (Cf. SPARTACUS, N° 98, OUT. 1978, p. 7). É mais uma carta que um texto. Talvez Serge quisesse enviar essa carta para a Spartacus.

UNE NOUVEAUTÉ FRANÇAISE: IMPOSTURE ET FRAUDE DANS LA RÉFUTATION D’UNE IDEOLOGIE IMAGINAIRE [UMA NOVIDADE FRANCESA: IMPOSTURA E FRAUDE NA REFUTAÇÃO DE UMA IDEOLOGIA IMAGINÁRIA], 37 p. Seguido de várias cartas para J.-J. Lebel, Marc Chirik, etc.

7) Sobre a organização

SUR L’ART DES ORGANISATEURS [SOBRE A ARTE DOS ORGANIZADORES], 3 p. Este texto sem dúvida circulou em um número de ILO de 1959.

SUR L’ORGANISATION [SOBRE A ORGANIZAÇÃO], 7 p.

8) Sobre as origens do movimento operário

Sur Marx, Bakounine et quelques autres [Sobre Marx, Bakunin e alguns outros], 45 p.


[1] Ver S. B., “Karl Korsch (1886-1961) – Un itinéraire marxiste” [Karl Korsch (1886 – 1961) – Um itinerário marxista], introdução de Karl Korsch, Marxisme et contre-révolution dans la première moitié du vingtième siècle [Karl Korsch, Marxismo e contrarrevolução na primeira metade do século XX], Paris, Ed. du Seuil, 1975, seleção de textos traduzidos e apresentados por ele mesmo, p. 66: “Depois de ter acompanhado as juventudes comunistas dos anos 40, enquanto falávamos ali de “fraternização proletária” [pelo menos era o que eu acreditava ouvir], eu atravessei algumas nuances do preto e do vermelho vivo. Duas palavras, para a mesma ocasião, da minha biografia profissional: peleteiro durante dez anos, eu sou hoje corretor de impressão”. Esse texto estava datado: Bois-Colombes, 1 de junho de 1973.

[2] Segundo Henri Simon, eles se conheciam desde a época da ILO (Information & Liaisons ouvrières), mas foi a partir do momento em que eles trabalharam juntos na Universalis que se tornaram inseparáveis.

[3] S. B., Karl Korsch…, op. cit., p. 66.

[4] Segundo Henri Simon, ele participou das primeiras reuniões após a fundação da União Comunista, mas se distanciou dela muito rapidamente, permanecendo em contato com vários de seus membros.

[5] Pierre Bessaignet era sociólogo. Ele deixa a França nos anos 50 para várias missões no Extremo Oriente (Índia, Indonésia, etc.) e se torna mais tarde professor na Universidade de Nice. Entre seus escritos, citamos: Méthode de l’anthropologie [Método da antropologia], 1961, e L’Etude sociologique des villages du Guilan par la méthode de la photographie aérienne [Estudo sociológico das aldeias do Guilão pelo método da fotografia aérea], s.d., dois folhetos editados pelo Instituto de Estudos e de Pesquisas Sociais, da Universidade de Teerã (BDIC, fundos Rubel).

[6] Todos os números da revista Internacionalismo (Internacionalisme) podem ser consultados em: https://archivesautonomies.org/spip.php?article1682. [Nota do Crítica Desapiedada – CD]

[7] Trata-se da União Operária Internacional, da qual temos algumas informações por Ngo Van, 1954-1996, uma amizade, uma luta, em: Avec Maximilien Rubel… Combats pour Marx [Com Maximilien Rubel… Combates para Marx], Paris, Os Amigos de Maximilien Rubel, 1997, p. 7. Participou igualmente desse grupo o poeta surrealista Benjamin Peret.

[8] Quem não hesita em espalhar esse jogo de palavras de gosto duvidoso: wahres Marx oder falsches Rubel? (verdadeiro Marx ou falso rublo/Rubel?).

[9] Sternberg, de seu nome verdadeiro. Barois era seu pseudônimo para a S ou B. Ele é o autor de um ensaio particularmente interessante: La classe ouvrière d’Allemagne orientale [A classe operária da Alemanha oriental], 1945-1958, Paris, Les Éditions ouvrières, 1958, 268 p.

[10] Pseudônimo. Philippe (ver Ngo Van, 1954-1996, uma amizade uma luta, op. cit., p. 24-26, onde ele evoca uma reunião de 27 de dezembro, 1959). Sob o pseudônimo de P.-L. Tomori, ele escreve o folheto “Qui succédera au capitalisme?: du paradoxe tragique de Lénine à “l’ère des organisateurs” [Quem sucederá o capitalismo?: do paradoxo trágico de Lenin à “era dos organizadores”], Paris, Spartacus, 1947, 38 p.

[11] Tradutor de Norman Mailer e Mircea Eliade, autor de um ensaio sobre Kierkegaard e de Le nommé Louis Aragon ou le patriote professional: l’intelligence servile [O nomeado Louis Aragon ou o patriota profissional: a inteligência servil] (Paris, Lefeuvre, 1947, 16 p.), ele é particularmente conhecido por seu romance Les Javanais e por sua amizade com André Gide (Correspondance 1935-1950). Entre seus escritos, citamos também Planète sans visa [Planeta sem visto], Journal de guerre [Diário de guerra], Journal du métèque [Diário do mestiço], Coup de barre [Cansaço súbito], La courte paille [A Palha curta], Le Gaffeur [O Enganador]. Pseudônimo. Philippe (ver Ngo Van, 1954-1996, uma amizade uma luta, op. cit., p. 24-26, onde ele evoca uma reunião de 27 de dezembro. 1959). Sob o pseudônimo de P.-L. Tomori, ele escreve o folheto “Qui succédera au capitalisme?: du paradoxe tragique de Lénine à “l’ère des organisateurs” [Quem sucederá o capitalismo?: do paradoxo trágico de Lenin à “era dos organizadores”], Paris, Spartacus, 1947, 38 p.

[12] Cheikh Anta Diop (1923-1986), militante da unidade cultural pan-africana desde os anos 1950, é provavelmente um dos primeiros a ter defendido a tese de que os negros estão na origem da civilização, a partir de trabalhos de egiptologia. Encontramos uma síntese dessas concepções na Encyclopaedia Universalis, vol. I, no artigo sobre a literatura africana e a negritude. Entre seus escritos, pode-se convenientemente consultar: L’unité culturelle de l’Afrique noire. Domaines du patriarcat et du matriarcat dans l’antiquité classique [A unidade cultural da África negra. Domínios do patriarcado e do matriarcado na antiguidade clássica], 1959; L’Afrique noire pré-coloniale. Etude comparée des systèmes politiques et sociaux de l’Europe et de l’Afrique noire de l’antiquité à la formation des états modernes [Estudo comparado dos sistemas políticos e sociais da Europa e da África negra da antiguidade à formação dos estados modernos], 1960; Les fondements culturels techniques et industriels d’un futur état fédéral d’Afrique noire [Os fundamentos culturais, técnicos e industriais de um futuro estado federal da África negra], 1960; os três textos foram editados em Paris pela Présence africaine e estão disponíveis na BDIC (Biblioteca de Documentação Internacional Contemporânea). Para uma apresentação de sua obra e uma nota bibliográfica completa, ver o site: http://www.ankhonline.com/cheikh.htm.

[13] O pai, operário, teve Kadar como amigo de infância e teve dificuldade em compreender como ele pôde se tornar chefe do governo reinstalado pelos russos. Ele contou que os primeiros soldados russos que chegaram a Budapeste (frequentemente vindos de fins financeiros da Sibéria) acreditavam que o Danúbio era o canal de Suez e imaginavam descosturá-lo com os franco-britânicos invasores do Egito!

[14] Roger Dangeville, tradutor e comentador de Marx, escreveu especialmente Succession des formes de production et de société dans la théorie marxiste [Sucessão das formas de produção e de sociedade na teoria marxistas], Paris, 1972, e Le marxisme et la question militaire [O marxismo e a questão militar], Paris, 1974. Ele era outrora um colaborador muito próximo de Rubel, que rompeu com ele, o acusando de utilizar seus trabalhos para suas próprias publicações.

[15] Incidentalmente, Rubel o censura de ter compreendido mal a posição de Marx sobre o mir e o obchtchina.

[16] O grupo continua a existir e toma o nome de “grupo pelo socialismo de conselho”. Em um número de seus cadernos, encontra-se o texto de Daniel, a carta de Serge, um texto de Canne Meijer, todos defendendo as mesmas posições, e uma série de comentários, respostas e críticas endereçadas a M. R., Gontarbert, Rodriguez, etc. Encontra-se também alguns esclarecimentos sobre esse debate e as condições de partida do quarteto em um texto de Ngo Van, 1954-1996, uma amizade, uma luta, op. cit. p. 7 e 22-23.

[17] Louis Évrard já não participava muito das atividades do grupo. Apesar de compartilhar as concepções dos outros membros do quarteto, ele continuou a colaborar com M.R. para a edição do Marx da Pléiade.

[18] Particularmente a uma delas, onde se trata da questão da Guerra da Argélia e do problema da deserção (1959?). Esse grupo existiu de 1958 à 1962.

[19] O título é uma forma de se destacar do livro de Burnham, L’Ere des organisateurs [A Era dos Organizadores]. A alusão não é percebida por ninguém…

[20] Trata-se do pseudônimo de Nguyen Van Nam. Para um esboço biográfico, ver Ngo Van, Au pays de la cloche fêlée [Na terra do sino rachado], Montreuil, L’insomniaque, 2000, p. 229-230.

[21] Ver: Paolo Casciola, Hommage à Jeannine Morel (1921-1998) [Homenagem à Jeannine Morel], Florença, Quaderni Pietro Tresso, n° 15, janeiro de 1999, 33 p. Este folheto reúne em anexo as testemunhas de Paul Parisot, Jacques Decobert, Raymond Hirzel, Roger Bossière et Henri Simon.

[22] Todos os números dos Cadernos do Socialismo de Conselhos (Cahiers de discussion pour le socialisme de conseils) podem ser consultados em: https://archivesautonomies.org/spip.php?rubrique113. [Nota do CD]

[23] ICO, n° 50, junho de 1966, suplemento.

[24] Em particular, o texto de Sam Moss “De l’impuissance des groupes révolutionnaires” [Da impotência de grupos revolucionários], que critica seriamente o ativismo estéril de vários desses grupos.

[25] Ver a carta de convite manuscrita que Serge enviou para D. Guérin, encontrado anteriormente em uma reunião com Maximilien Rubel. BDIC, Fundos D. Guérin, F°”688/31.

[26] Henri Simon assinala que, por volta da mesma época, Jean-Max Claris e sua companheira Pascale, do grupo Noir et Rouge, partem para os Estados Unidos e estabelecem também relações estreitas com Naomi Sager e Zellig Harris.

[27] Serge ofereceu ao ICO um relatório de um dos livros de Kolko sobre a situação de classes nos Estados Unidos. Gabriel Kolko participou no tribunal Russel como acusador. Serge dizia dele, apesar de suas divergências e do apoio que Gabriel dava ao Viet-Cong: “Um homem que fez tanto mal ao seu país não pode ser totalmente mau”. Entre seus textos, pode-se citar: Anatomy of War: Vietnam, the United States, and the modern historical experience [Anatomia da Guerra: Vietnã, os Estados Unidos e a experiência histórica moderna], New York, Pantheon Books, 1985; (com Joyce), The Limits of power, the world and United States foreign policy, 1945-1954 [Os Limites do Poder, o mundo e a política estrangeira dos Estados Unidos, 1945-1954], New York, Harper and Row, 1972; The Politics of the war, allied diplomacy and the world crisis of 1943-1945 [As Políticas da Guerra, diplomacia aliada e a crise mundial de 1943-1945], Londres, Weidenfeld and Nicholson, 1969.

[28] Béatrice, após sua saída do hospital, trabalha na L’Abeille e, por volta de 1968, frequenta as reuniões do ICO.

[29] No original francês, “enragés”. Se refere ao grupo revolucionário radical presente na Revolução Francesa, os Enragés, em tradução livre, os Enfurecidos, cujo nome mais notório é o de Jacques Roux. (NT).

[30] Algumas reflexões, em: ICO, junho de 1970, n° 94, p. 1-7 (anônimo).

[31] Em um local do MIAJ, obtido por meio de Tepernowski, que era ao mesmo tempo do MIAJ e do ICO – e que reencontramos nos anos 80 como delegado sindical no Figaro.

[32] Eles vão em seguida fazer viagens regularmente na Europa e especialmente na França (eles moram na casa de Rina e Daniel e os encontros com Serge, Louis e Nicole Evrard, talvez às vezes Marc Chirik, são animados).

[33] Paul Mattick: “You should not loose time for sheer nonsense!” [Você não deve perder tempo por pura bobagem!]. Os relatórios dessas duas reuniões estão publicados no ICO, suplemento do n° 84, agosto de 1969 (encontro nacional de Taverny) e suplemento no n° 89, janeiro de 1970 (encontro internacional de Bruxelas).

[34] ICO, n° 81, maio de 1969, p. 18-25.

[35] O ponto culminante é alcançado durante a última reunião nacional do ICO em Bessat, em 1970, onde relata-se a existência de violações de estudantes na universidade de Nanterre por norte-africanos vindos da zona vizinha, e onde há alguém para ver uma violação explícita (consciente?) das barreiras de classe. Felizmente, há ali uma camarada negra para lhe bater na cabeça.
O grupo ICO, depois de uma tentativa infeliz de trabalho em comum mais aprofundado, desaparece, sem ato oficial de óbito, após o encontro de Pontarlier com o grupo italiano de Collegamenti. A informação sobre as lutas na Itália não interessa então mais ninguém. Sobre o clima desse período no ICO, ver o folheto de Henri Simon, “ICO, um ponto de vista”, onde ele explica as razões de sua partida.

[36] Os artigos desta revista podem ser conferidos em: https://archivesautonomies.org/spip.php?rubrique439. [Nota do CD]

[37] Ver por exemplo “A propos de Wilhelm Reich” [A Propósito de Wilhelm Reich], suplemento do n° 60, maio de 1967, p. 1-16 (não assinado).

[38] ICO, Capitalisme et lutte de classes en Pologne [Capitalismo e luta de classes na Polônia], 1970-1971, éd. Spartacus.

[39] Trata-se de um trabalho inacabado na metade dos anos 60, intitulado Le mécompte de Marx [O erro de conta de Marx], em que Canne Meijer busca averiguar se a baixa tendencial da taxa de lucro é verificável nos fatos.

[40] Todos os números desta revista podem ser conferidos em: https://archivesautonomies.org/spip.php?rubrique491. [Nota do CD]

[41] Alguns comentários que acompanham essa lista foram tirados essencialmente das cartas que DSJ nos tinha endereçado como acompanhamento dos textos.

Traduzido por Lucca Lobato, a partir da versão disponível em: http://www.mondialisme.org/spip.php?article132. Revisado por Breno Teles. Outra fonte com uma versão da biografia de Bricianer pode ser vista em: http://vivelasociale.org/revue-la-question-sociale/html/archives/AR_serge_biographie.htm?fbclid=IwAR1CMurOzi9F9VczGRMcxl4QZXNG3hl2mjee5UGZ1gAa-0h8fWBc0AdNFeg.

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