Gaza: uma militarização extrema da Guerra de Classes – Emilio Minassian

Original in French: Gaza : “une militarisation extrême de la guerre de classe en Israël-Palestine”

[Nota do Crítica Desapiedada]: [EM BREVE]


Gaza: uma militarização extrema da Guerra de Classes em Israel-Palestina

Você tem se interessado pela Questão Palestina há muito tempo, sem, contudo, ser um ativista pró-Palestina. O que uma crítica revolucionária tem a dizer sobre o que está acontecendo por lá?

Eu diria que a primeira coisa a ser considerada é que não existem dois lados, um palestino e outro israelense. Estas pessoas vivem em um mesmo Estado e numa mesma economia. Dentro desse todo, digamos, israelo-palestino – que é inteiramente dependente de Israel -, as classes sociais não apenas são determinadas por diferentes estatutos jurídicos, baseados em critérios étnico-religiosos, mas também “zoneadas”. Ao longo do tempo, a Faixa de Gaza tem sido transformada em uma “reserva prisional”, na qual dois milhões de proletários encontram-se retidos às margens do capital israelense. Este último, no fim do dia, permanece seu senhor. Gazenses usam dinheiro israelense, consomem produtos israelenses e têm documentos de identidades emitidos por Israel.

A “guerra” atual corresponde, na realidade, a uma extrema militarização da guerra de classes.

Analisar a situação baseada em “uma terra para dois povos” é um disparate. Em nenhum lugar no mundo a terra pertence ao povo. Ela pertence àqueles que a possuem. Tudo isso pode parecer muito teórico, mas a simples existência de relações sociais na prática remete essa ideia de dois “lados” àqueles a quem ela pertence: à classe dirigente.

Os campos de refugiados na Cisjordânia, que poderíamos enxergar como o coração pulsante da “Palestina”, continuam a ser apenas subúrbios de Tel Aviv. Passei noites ouvindo os trabalhadores diaristas de um desses campos falando sobre como a etnicização da força de trabalho estava ocorrendo nos canteiros de obras da capital israelense: empreiteiros judeus asquenazes, palestinos de 1948 que operam na transferência de mão de obra dos territórios ocupados, mestres de obras judeus sefarditas que também falam árabe, etc. E ainda há todos os outros proletários importados – tailandeses, chineses e africanos – que realmente estão em pior situação, já que todos eles não têm documentos. Nenhum desses grupos pode se misturar, porque cada qual tem um estatuto e lugares distintos nas relações de produção. Estes mundos não são permeáveis, eles estão confinados a seus espaços, ainda assim eles se veem, conhecem um ao outro.

Dezenas de trabalhadores agrícolas tailandeses explorados na periferia da Faixa de Gaza foram mortos ou sequestrados pelo Hamas. Agora, os patrões israelenses estão retendo os salários dos outros [tailandeses] para forçá-los a trabalhar em uma zona de guerra. Qualquer crítica social digna desse nome deve, no que diz respeito aos acontecimentos em Israel-Palestina, incluir o ponto de vista dos trabalhadores tailandeses. Este país não pertencerá aos proletários palestinos mais do que pertencerá aos tailandeses.

Não é um pouco evasivo tentar evitar a “questão nacional” em Israel-Palestina?

Israel tem produzido uma situação inédita no mundo: a integração de um proletariado etnicizado “judeu” ao Estado, contra a parte “árabe” do proletariado, também etnicizada. O Estado de Israel acumulou um capital “nacional” em tempo recorde, importou um proletariado “nacional” e constituiu-se guardião da existência e reprodução deste, baseado na noção de que sua própria existência estava ameaçada por outra parcela do proletariado, os palestinos. Mas se desviarmos o olhar da fantasmagoria que apresenta o “Estado como garantidor da existência das pessoas”, fica mais fácil enxergar que os proletários judeus israelenses constituem como que os despojos de guerra nas mãos do Estado.

Este não é o caso no que diz respeito ao proletariado palestino, cujas lutas têm mantido certa autonomia, embora coexistam de forma complexa com a lógica instrumental de sua direção politicamente nacionalista.

Ainda que possa soar contraintuitivo, acredito que o Hamas deveria ser visto como um subcontratado de Israel na gestão do proletariado gazense. Em última instância, como eu já disse, Gaza “depende” do capital nacional israelense. E enquanto o capital israelense não tiver autorizado o desenvolvimento de uma outra entidade capitalista (“palestina”) ao seu lado, o proletariado gazense, mesmo cercado, está submetido a seus circuitos econômicos. No entanto, uma tal situação não pode funcionar sem uma formação social externalizada, responsável por regular os prisioneiros – não há prisões sem guardas. 

O que está acontecendo não é uma guerra interimperialista. É essencialmente um “assunto interno”, para o qual a ideia de lados “nacionais” funciona como uma cortina de fumaça. Não há luta proletária nos acontecimentos em curso. A militarização dos antagonismos, produzida conjuntamente pelo Hamas e pela classe dirigente israelense, tem gerado uma “resistência” desprovida de qualquer lógica de luta proletária autônoma, mesmo que incipiente. 

Não é uma guerra, antes sim o controle de um proletariado excedente pelos meios militares da guerra total, conduzido por um Estado democrático e civilizado que pertence ao conjunto central da acumulação capitalista. Os milhares de mortos por lá, me parece, têm um significado bem específico, já que esboçam uma aterrorizante imagem do futuro – das crises capitalistas que estão por vir.

Mas controlar o excedente proletário recorrendo ao bombardeio por saturação[1], na medida em que é legitimado pelos Estados centrais do mundo capitalista, relaciona o que está acontecendo, creio eu, a uma ofensiva global. Este caráter internacional é particularmente evidente na França: entramos numa fase em que mesmo slogans políticos formulados em linguagem humanista são reprimidos, uma vez que poderiam se encontrar com as mobilizações de rua das classes perigosas. Não há uma “importação” do conflito. Há uma ofensiva global. Neste sentido, a luta na França, para nós, acontece aqui mesmo, contra a França. Nós temos nossa própria nação para trair, sempre e o mais rapidamente possível.

O que o Hamas tem a ganhar com essa situação?

Antes de 7 de outubro, eu tinha a seguinte visão sobre a situação: de um lado, uma ofensiva da extrema direita colonizadora para anexar a Cisjordânia e assumir o controle das engrenagens do Estado de Israel; do outro, dois aparatos estatais palestinos, vivendo exclusivamente de rendimentos, com o único propósito de se reproduzirem como tal. Eu pensava que estes últimos estavam na defensiva, sobretudo se preparando para enfrentar a perda de controle de suas populações em Gaza e na Cisjordânia.

Poucos meses atrás, todos com quem falei na Cisjordânia, fossem acadêmicos de esquerda ou o lumpemproletariado armado, disseram a mesma coisa: “o Hamas não está apoiando a resistência in loco. Está apenas pensando em seus próprios interesses.”

De fato, em 7 de outubro o Hamas não operou de acordo com uma lógica de combate organizado, mas como uma estrutura militar, um Estado. Ainda assim, sua operação tinha a particularidade de necessariamente pressupor uma resposta de Israel, diante da qual estaria em impotente posição de inferioridade. O Hamas se comportou como um Estado, mas sem ter os recursos de um Estado, sacrificando parte dos interesses de uma fração de sua organização e base social em Gaza, na esperança de obter mais no futuro. Alguns líderes também perderão suas vidas no processo.

A operação do dia 7 foi uma ação surpreendente da parte de uma classe dirigente, e que pode ser compreendida, acima de tudo, creio eu, pelas contradições que atravessam o próprio Hamas. É apenas uma hipótese, mas não é impensável que 7 de outubro tenha sido concebido pelo braço armado do Hamas sem maiores consultas à sua direção política. (Também é possível que a extensão dos danos ao muro tenha surpreendido até mesmo aqueles que projetaram o ataque, e que talvez buscassem algo mais parecido com uma operação suicida, sem esperar o semelhante colapso militar israelense que abriu a porta para um massacre em larga escala.)

A operação do Hamas não foi, de maneira alguma, fruto de um delírio milenar fanático. Foi uma aposta arriscada, não obstante pudesse frutificar. Os israelenses têm poucas opções: há negociações ou guerras regionais, e não há muito além disso. Mas continua a ser uma aposta, porque não está claro que o Estado ou o capital israelense irão optar pela estabilização.

Em todo caso, o massacre através de bombardeios por saturação era praticamente inevitável. Contudo, esta é uma outra questão, já que claramente não representa um problema para as classes dirigentes.  

Você disse que o Hamas se comporta como um Estado, mas sem os recursos de um; disse também que, se ele está sacrificando alguns de seus interesses, é para obter mais depois. Poderia ser mais específico?

Simplesmente para ser reconhecido como parte das negociações, provavelmente não em vista de um acordo de paz, ainda não chegamos lá, e eu realmente não penso que o Hamas ou Israel estejam interessados em um acordo global. Mas a erradicação do Hamas, do ponto de vista israelense, não é seriamente concebível. Ao mostrar sua força militar, o Hamas espera se estabelecer como um fator relevante na correlação de forças regional.

O fracasso da retomada das negociações entre Irã e Estados Unidos nos últimos anos prova que não é o momento para “soluções”. Todos concordam que, para o Hamas, trata-se de impedir a solução estadunidense de um acordo entre Israel e Arábia Saudita. O que ele tem a ganhar aqui é, primeiro, impor-se como um interlocutor frente aos países árabes da região e, então, continuar marginalizando a OLP (Organização para a Libertação da Palestina, da qual o Fatah, mas também a Frente Popular para Libertação da Palestina/FPLP, fazem parte) na Cisjordânia e no Líbano. É conquistar pequenos mercados de representação palestina em detrimento de seu adversário, a OLP.

Os interesses em jogo são tão estreitos assim?

Eu realmente não sei como responder esta pergunta. Certamente que esta operação militar, e a guerra que ela desencadeou, também devem ser observadas em um contexto global, no qual os modos de regulação capitalista estão em processo de colapso.

A meu ver, a guerra é sempre uma tentativa de resolver uma crise de valorização capitalista – uma manobra de desacumulação. Mas também é uma expressão da ruptura do equilíbrio que governa a relação entre capital e Estado; um momento de crise no qual o controle do capital, do capital global, sobre o Estado diminui, permitindo a apropriação deste por certos setores capitalistas particulares, ou mesmo por clãs e políticos. Uma guerra entre capitalistas não é apenas uma guerra entre imperialismos. Ela coloca múltiplos atores em confronto, os quais, na ausência de garantias, eventualmente farão apostas arriscadas, tentarão uma jogada para tirar proveito da turbulência na presente correlação de forças. Este é o tipo de encadeamento de eventos que estamos testemunhando desde a guerra na Ucrânia. As frentes congeladas[2] estão ressurgindo: antes tínhamos Nagorno-Karabakh, agora Gaza. 

Os Estados-maiores avançam, experimentam planos, testam resistências, tomam a iniciativa. É isso que eles, sempre espontaneamente, querem fazer. Mas o que tem sido surpreendente a respeito dos últimos dois anos é a extensão na qual as garantias que os refreiam parecem estar se deteriorando.

Qual é a natureza do domínio do Hamas sobre a população de Gaza? Como ele consolida seu poder? Que proveito seus líderes tiram dele? Que vínculos (explícitos ou não) mantêm com Israel?

O Hamas teve origem na Irmandade Muçulmana. Como em muitas partes do mundo árabe, desenvolveu-se na década de 1980 entre a pequena burguesia palestina, tanto nos territórios ocupados quanto na diáspora. Desde sua entrada na luta contra Israel, a partir da Primeira Intifada, esta base social cresceu e passou a incluir segmentos mais proletários, antes que o cerco e a militarização do território de Gaza mudassem profundamente sua natureza. Ele se viu, como já mencionado, na posição de um aparato estatal, obrigado a integrar vários interesses diversos e antagônicos, a fazer malabarismos e arbitrar entre eles. Ao mesmo tempo, visto que Gaza não é um Estado de fato, o Hamas também se tornou um partido miliciano, como o Hezbollah no Líbano.

Esta dupla evolução tem uma dimensão contraditória. Eu diria que a guerra atual marca, de certa forma, a vitória da segunda lógica – miliciana – sobre a primeira. O braço armado prevaleceu sobre o aparato estatal; os circuitos rentistas militares (provenientes do Irã) prevaleceram sobre os circuitos rentistas civis (provenientes do Catar).

O Hamas é um movimento interclassista, algo que explica seu comportamento errático. A burguesia comercial na Cisjordânia acabou por se identificar maciçamente com ele em meados dos anos 2000: o movimento venceu as eleições legislativas de 2006 como um partido da ordem, prometendo acabar com o caos da segurança, baixar as armas, combater a corrupção e desenvolver um aparato estatal honesto, assegurando a ordem social, com programas de redistribuição social caritativa. Afigurou-se então, e paradoxalmente, a um partido anti-Intifada, e a maioria das mais proeminentes figuras dos dois centros econômicos da Cisjordânia – Nablus e Hebron – estavam do seu lado naquela época, embora permanecessem ligados aos interesses econômicos jordanianos. O Hamas venceu as mesmas eleições legislativas em Gaza, mas convocando e priorizando a resistência e o recrutamento militar, visando o lumpemproletariado nos campos de refugiados. Isto não era parte de uma estratégia de levantes ou de movimentos sociais, mas uma questão de clientelismo militar. Diferentemente da Cisjordânia, Gaza não tem uma burguesia urbana e comercial.

A natureza interclassista do Hamas não mudou substancialmente desde então. Ele continua a usar estratégias de mobilização opostas. O chefe de seu braço armado, Mohammed Deif, é como que um ícone mítico, um sobrevivente de várias tentativas de assassinato, apresentado como uma espécie de James Bond, útil para recrutar a juventude dos campos de refugiados. Ao mesmo tempo, seus líderes, usando ternos completos, debatem em hotéis cinco estrelas no Catar comendo da melhor gastronomia com ministros e capitalistas do mundo árabe e turco. E se a ala de Mohammed Deif lançar um ataque como o do dia 7 de outubro, a ala de terno e gravata deixa acontecer, porque espera sigilosamente colher frutos nos corredores diplomáticos. 

Eu sou mais cauteloso quanto àquilo que a burguesia compradora da cidade de Gaza pensa enquanto suas vilas são devastadas por bombas. 

Quais são as características da exploração do proletariado em Gaza?

Eu passei muito tempo na Cisjordânia, mas não conheço a Faixa de Gaza diretamente. Devido à sua posição política e geográfica, presa em um espaço de intensa acumulação capitalista, poderíamos dizer que Gaza é a gigantesca “lixeira” de Israel. Mas mesmo nas lixeiras dos capitalistas há divisões sociais. 

Então ela é um tipo de gueto? Concretamente, os proletários gazenses têm trabalho (formal ou informal), ou eles são, sobretudo, uma população excedente?

“Excedente” no sentido de que o trabalho, em qualquer parte de Gaza, quase não permite qualquer acumulação capitalista. O capital que circula em Gaza vem essencialmente de rendas (que se mantêm muito baixas) procedentes da ajuda estrangeira (Irã e Catar) e das situações de monopólio (os túneis). Os lucros gerados não vêm da exploração capitalista do trabalho. A reprodução dos proletários e a valorização são dois processos distintos, como se diz. Os patrões são, em sua imensa maioria, de pequeno porte, e o Estado não regula coisa alguma. 

Como em muitas outras periferias do mundo, Gaza é uma região completamente separada dos circuitos de valorização capitalista. Não há uma “burguesia nacional”, porque não há capital gazense. Também não há uma “burguesia tradicional”, como na Cisjordânia e em Jerusalém – velhas famílias dependentes dos antigos capitais mercantil e fundiário, que ainda são eficientes no âmbito das relações sociais locais. Por outro lado, há em Gaza uma forma nova de burguesia “compradora”, dependente dos rendimentos da circulação. Não é uma classe no sentido estrito do termo, antes uma formação social que obtém suas enormes receitas da posição intermediária que ocupa nas trocas com os capitalistas estrangeiros (em oposição a uma burguesia cujo interesse está em desenvolver a economia nacional).

Uma parte dessa burguesia constitui o aparato político do Hamas, porque os capitais em circulação originam-se, sobretudo, de uma forma de renda geopolítica proveniente de Estados como o Catar e o Irã. Mas há também outras [fontes de] renda, como aquelas ligadas ao capital que circula na fronteira com o Egito. Fortunas foram construídas em torno dos túneis de contrabando entre Gaza e o Egito, e, nesse caso, estamos observando uma espécie de feudalismo globalizado – tipicamente uma relação patrão-trabalhador. Em 2007, ocorreram intensos confrontos armados entre grupos sociais baseados em clãs e o aparato político-militar do Hamas em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, relacionados à tributação das mercadorias em circulação. 

O Hamas, diferentemente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), não é o responsável pelos serviços públicos, eles não pagam salários, os quais continuam a ser pagos pela ANP. Além do mais, isso é usado como um instrumento de constante manipulação: a ANP regularmente reduz os salários dos servidores públicos de Gaza para enfraquecer o Hamas. 

Também com regularidade, e sem dúvida em parte como resultado desse fato, ocorrem mobilizações “sociais” para reivindicar dignidade – tipicamente acesso à água, eletricidade e salários. O Hamas as reprime, mais ou menos violentamente, porém, com alguma cautela, dando a impressão de que receiam jogar lenha na fogueira. A atual ofensiva militar sucede a um episódio semelhante ocorrido no verão. Não é difícil imaginar que haja uma ligação, ou pelo menos uma lógica, que conecta esses dois tipos de acontecimentos. 

Contestar o Hamas político-administrativo e apoiar o Hamas combatente não é de forma alguma contraditório. O primeiro ataca sua dignidade, o segundo a vinga. Sem a ala militar do Hamas, a ala político-administrativa certamente enfrentaria uma contestação ainda maior em Gaza.

Você disse que “conhece” a Cisjordânia melhor do que Gaza. Entre estes dois territórios, há diferenças importantes ou estamos, ao invés disso, observando duas variantes de uma mesma lógica?

A Faixa de Gaza tem sido, durante muito tempo, a “lixeira” para o excedente que eu mencionei anteriormente: um território bem pequeno para o qual empurraram uma onda de refugiados em 1947-1948, submergindo a população local, essencialmente camponesa. Não há recursos por lá. Na Cisjordânia, a formação de classe é diferente: há cidades e pessoas notáveis. Há recursos hídricos e agrícolas sob o controle de Israel. Os salários são duas vezes mais altos e existem algumas indústrias baseadas na relativa integração da classe compradora da Autoridade Nacional Palestina e o capital isralense. O Fatah, que governa as cidades, é um partido sem coerência social. Ele perdeu as eleições em 2006 para o Hamas. Em 2007, apoiado por Israel e pelos Estados Unidos, realizou uma manobra de força para manter o controle do poder público nas cidades da Cisjordânia, “abandonando” Gaza ao Hamas. Desde então, ele não tem qualquer legitimidade baseada em processos democráticos. Seu poder está baseado na cooperação com Israel, o que dá um tom dissimulador ao seu discurso nacionalista. Ele governa enclaves separados uns dos outros, cada vez mais rodeados pelos assentamentos, nos quais o exército israelense adentra regularmente. O proletariado da Cisjordânia está muito mais integrado ao capital israelense do que o proletariado gazense. Muitos trabalhadores palestinos na Cisjordânia trabalham, legal ou ilegalmente, em território israelense ou nas colônias. Eles têm vínculos econômicos com os palestinos de 1948, que são cidadãos de Israel e geralmente falam hebraico. 

O que está acontecendo na Cisjordânia atualmente? O que o Fatah faz? Existem forças políticas ou sociais, com um caráter mais ou menos proletário, que poderiam ganhar força neste momento de crise?

Do ponto de vista de uma possível atividade proletária, a Faixa de Gaza me parece perdida no momento. Mas a situação é diferente nas cidades da Cisjordânia, onde a luta interpalestina pelo controle político tem seguido seu curso há anos, com manifestações autônomas de luta de classes. O controle social é assegurado pelo aparato de segurança da burguesia compradora dependente de Israel e pelos baronatos urbanos ligados à Jordânia. A coerência desta classe continua a se desintegrar, o Fatah já não regula coisa alguma, e todos tentam garantir seu próprio feudo à custa dos demais. O evento esperado que deveria elucidar tudo isso era a morte do dinossauro paranoico Mahmoud Abbas, mas agora as coisas necessariamente vão se acelerar.  

Por 15 anos o Hamas esteve adormecido na Cisjordânia, sem atividade pública ou militar direta, mantendo sua lealdade apenas de forma discreta – os grupos armados que têm reaparecido no norte (em Nablus, Jenin e Tulkarm) não estão ligados ao Hamas. Esta passividade deu a impressão de que o Hamas havia ratificado a situação e não queria violar o status quo, prejudicando sua reputação entre os grupos armados nos campos de refugiados, que passaram a vê-lo apenas como uma imagem espelhada do Fatah: ou seja, discursos vazios e interesses políticos distintos dos interesses do povo. Agora, essa operação claramente muda a percepção da coisa. Gostemos ou não, isso vai restaurar seriamente sua imagem. Já se vê um monte de bandeiras do Hamas sendo agitadas nas manifestações, o que era inimaginável até um mês atrás. Será que o Hamas vai contestar diretamente a ANP pelo poder na Cisjordânia? Provavelmente não, porque suas atividades são vigiadas de perto, tanto pela ANP como por Israel, e os enclaves palestinos da Cisjordânia não formam um território coerente, não podem ser controlados militarmente sem negociações com o exército de Israel. No entanto, o Hamas poderia mudar a estratégia e apoiar, de uma forma ou de outra, as atividades dos grupos armados. 

Haja o que houver, as coisas necessariamente irão mudar. A ANP vai lutar para manter seu controle sobre a segurança. A coerência das classes política e de segurança será duramente testada.

O exército e os colonos, paralelamente à ofensiva em Gaza, lançaram uma série de ataques na Cisjordânia. Esta ofensiva, com sua cota de massacres, vai se intensificar de forma mais circunscrita do que em Gaza, mas também, e certamente, de forma mais “auto-organizada”.

Assim, há muitas razões para se preocupar. Mas tenho também alguma esperança de que um espaço de luta autônoma se fortaleça e acabe com o peso esmagador da repressão e do clientelismo produzidos pela ANP nos últimos 15 a 20 anos; e que o colapso das forças de segurança palestinas possibilite a explosão social há anos aguardada. As relações de classe na Cisjordânia são excepcionalmente violentas. Há muito tempo que a burguesia cisjordana tem desfrutado da cooperação com Israel numa avidez insaciável. Não seria ruim se ela sentisse um pouco de medo. 

Há algum tempo que existe em Israel uma contestação social contra Netanyahu, em particular às suas reformas judiciais. Quais os efeitos dessas lutas, se é que há algum, sobre a situação atual? Em que extensão os protestos “civis” da população israelense (por exemplo, aqueles contra a reforma judicial) expressam tais aspirações? 

A presente guerra me parece um sintoma da perda de coerência da classe capitalista israelense, com a unidade militar trabalhando para dissimular essa coerência perdida. O colapso militar israelense de 7 de outubro resultou da luta interna da classe capitalista, que atingiu a instituição militar pela primeira vez. A luta tem sido intensa nestes últimos meses e se alastrou para as ruas. A velha Israel – asquenazi, burguesa, secular e militar – que acumula capital verticalmente em Tel Aviv (acumulação de cima para baixo através do mercado global: big techs, startup nation, etc.) entrou em confronto com a sefardita e revanchista extrema direita no poder, que acumula capital horizontalmente (através de assentamentos e expansão territorial) nas colinas da Cisjordânia. Mas nada de proletário jamais saiu dessas manifestações. Pior ainda, nada de democrático, no sentido “civil” que você mencionou. O proletariado israelense, apesar de sofrer um alto nível de exploração, está amordaçado por sua integração existencial ao Estado militar.

A unidade nacional da guerra temporariamente varre essa luta no interior da classe dominante para debaixo do tapete: cobrir Gaza sob um tapete de bombas é algo que todos estão de acordo; assim como concordam que a segurança deva ser estabelecida com mãos de ferro. Desde a mobilização geral, está liberada a caça ao inimigo interno. Trata-se dos poucos esquerdistas que ainda estão por lá, sobretudo o proletariado muçulmano (os palestinos de 1948), cujo menor dos esforços solidários às vítimas dos bombardeios indiscriminados são reprimidos. O que acontecerá nos próximos poucos meses? A guerra levará a um alinhamento da classe dominante em torno do partido dos colonos? Embora a maioria da burguesia despreze este partido por seu atraso religioso, ele continua sendo o mais indicado para uma mobilização focada na caça aos árabes, o que provavelmente não deve parar tão cedo.

Você acha que um quadro de referência analítico puramente colonial é capaz de definir a relação entre os proletariados palestino e israelense? 

Sim e não, claro.

O que está em jogo aqui é menos a exploração de uma força de trabalho nativa do que a gestão de uma população proletária excedente, em proporções jamais vistas dentro dos centros de acumulação capitalista. Para cada trabalhador com um contrato de trabalho em Israel, existe outro retido nos grandes e cercados subúrbios que constituem os centros de assentamento sob jurisdição palestina: a Faixa de Gaza e as cidades da Cisjordânia. São cerca de 5 milhões de proletários invisibilizados e confinados a poucos quilômetros de Tel Aviv, vivendo diariamente da venda de sua força de trabalho e sendo vigiados por soldados que os impedem de deixar suas jaulas.

Este confinamento massivo, esta separação entre proletários úteis e proletários excedentes com base em diferenças étnico-religiosas, começou juntamente com o anunciado processo de paz que, na realidade, era um processo de externalização do controle social da população excedente. Antes disso, nos anos de 1970-1980, os palestinos eram empregados em grande quantidade pelo capital israelense. 

Nesse sentido, o termo “colonial” não se ajusta perfeitamente às relações sociais estabelecidas desde o início dos anos de 1990 em Israel-Palestina, e ainda tem o inconveniente de consolidar a ideia de uma oposição entre duas formações nacionais que, na verdade, são produzidas e reproduzidas conjuntamente. Os proletários palestinos e israelenses são segmentações de uma mesma totalidade. O que está acontecendo desde o dia 7 deveria ser visto como uma negociação violenta entre o subcontratado gazense – Hamas – e seu empregador israelense, e isto tem que ser claramente distinguido das lutas do proletariado palestino, que estão voltadas, antes de mais nada, contra os subcontratados Hamas e ANP. Uma luta que nunca cessou, mas contra a qual o recrutamento nacionalista será um golpe pesado, ao menos em Gaza.

Para além de todas as considerações morais, o termo “resistência”, que remete ao imaginário colonial, parece-me incapaz de descrever a operação militar do dia 7 de outubro: os interesses do Hamas não são aqueles do proletariado, não são aqueles – para usar o vocabulário corrente – do “povo palestino”. O proletariado de Gaza, seja qual for o resultado dessas negociações, será maciçamente sacrificado – já está sendo. Atualmente, se Israel acredita que pode se livrar de seu subcontratado Hamas, isso implica acreditar que pode se livrar de seu excedente de proletariado em Gaza. Um não pode existir sem o outro.

Mas, por outro lado, não acredito que possamos evitar uma análise baseada no colonial.

Israel herdou aquela lógica europeia que consiste em “animalizar” a força de trabalho a partir de critérios raciais, erguendo uma barreira entre o mundo civilizado e pré-civilizado. Este paradigma vigora de forma plena e assumida em Israel. No momento, eles massacram a população de Gaza de acordo com a seguinte lógica: nós os enchemos de bombas sem qualquer outro objetivo político que não o de “acalmá-los”, recordá-los da hierarquia que separa grupos humanos nesta parte do mundo. Se um cão morde, a matilha é abatida.

É preciso lembrar que as fronteiras entre o civilizado e o animal são móveis, e elas estavam e permanecem vigentes no meio da própria cidadania israelense judaica. Os judeus árabes (Mizrahi) e os judeus etíopes (Falashas) estiveram por muito tempo do lado errado da cerca, atuando como um tipo de auxiliar indígena para tranquilizar outros nativos.

O colonial, mais propriamente a legado do período colonial, gera uma espécie de economia de “impulsos”, em torno da qual as categorias sociais são construídas. Esta é apenas uma imagem ampliada do que está acontecendo em toda a “fortaleza” constituída pelos países centrais da acumulação capitalista, e do que é exemplo a transferência imediata da “guerra de civilizações” para a França.

A dinâmica atual, com seu descarte de proletários excedentes, traz consigo uma enxurrada de afetos gerados pela humilhação. Defrontado com a impossibilidade de intervir coletivamente nas relações sociais, a impotência produz uma dupla lógica de ressentimento: busca de reconhecimento, por um lado, e de vingança, por outro.

Já que os políticos do Hamas não têm uma burguesia com a qual contar, nem proletariado para explorar, acabam dependendo da exploração desses afetos, dos quais se tornam como que a encarnação – por falta de algo melhor, por falta de algo mais.

Voltemos à Israel: considerando que sua acumulação de capital depende sobretudo de uma permanente “economia de guerra”, da apropriação de terras e da exploração mais ou menos formal do proletariado palestino, devemos assumir que qualquer solução – ou seja, a solução de dois Estados – é impossível?   

A partir dos anos de 1990, quando Israel quis se livrar da gestão da mão de obra palestina nos territórios, confiou-a a um subcontratado, a Autoridade Nacional Palestina. Mas Israel não respeitou o contrato com o qual se esperava produzir uma forma de soberania simbólica. Maltratou seu subcontratado. Então, o subcontratado se revoltou: é a Segunda Intifada, onde se misturaram a luta da ANP contra seu empregador e uma luta proletária em todos os níveis, tanto contra Israel como contra a ANP, mas que foi sufocada por essa triangulação. Depois dessa sequência histórica, o contrato da ANP se divide. Israel passa a ter um maltratado, mas dócil subcontratado na Cisjordânia, e outro, igualmente maltratado, mas agitado, em Gaza. Israel pode tratar o Hamas como inimigo o quanto quiser, mas o fato é que, neste contexto, não pode prescindir de um subcontratado. 

Vamos revisar rapidamente este processo e seu fracasso. Por que os capitalistas não optaram pela “paz”, que consistia em apoiar um “processo nacional” palestino em Gaza e na Cisjordânia? Naquele momento, o que se apresentava a eles era a abertura de mercados regionais com os países vizinhos, a possibilidade de investir em países onde a mão de obra era barata. Teria sido o suficiente deixar a ANP com os atributos de um Estado remanescente, financiado à distância por doadores externos, que continuaria sendo um mercado cativo. Para mim, a resposta para esta questão não está bem definida. Eu tenho duas hipóteses. A primeira é aquela do peso do capital “militar”, sustentado pela verba militar estadunidense que é despejada sobre Israel. Esse capitalismo militar, ligado ao setor de alta tecnologia, é internacionalizado por cima e para além do mercado regional. A segunda hipótese coloca o fracasso do processo de paz no contexto da grande catástrofe que constituiu a tentativa de remodelagem do Oriente Médio, operada pelos Estados Unidos nos anos 2000. Seria na expectativa da flexibilização da circulação de capitais por meios militares na região que, então, Israel teria se mantido, antes de perceber que seria possível subcontratar o controle das reservas palestinas sem precisar ceder nada às autoridades locais. Essa situação se estendeu por quase vinte anos, até mesmo criou a possibilidade de abertura de novos mercados no mundo árabe (com os chamados Acordos de Abraão e o pacto de paz promovido pelos Estados Unidos). Isto é o que, certamente, acabou de ser destruído. O dia 7 de outubro mostrou que Israel não pode comer o bolo e continuar a tê-lo por muito tempo[3]: será preciso lidar com os carcereiros palestinos das reservas para conter os guetos-reservas constituídos em seu território. Uma alternativa seria livrar-se das reservas, o que certamente abriria uma nova página na história da violência capitalista nos países do bloco central de acumulação. Não é impossível, mas é aterrorizante.

Para superar as divisões sociais, a ideia de um “povo palestino” não estaria, inclusive entre as classes oprimidas, ainda operante?

Acredito que a crítica social seja, antes e acima de tudo, a produção de categorias que tornem possível pensar os antagonismos em termos de contradições sociais. Em um contexto como o de Israel-Palestina, pode parecer que isso distorça as categorias subjetivas que circulam, e com as quais os afetos do conflito são construídos, sobre aquilo que é percebido como identidade.

A ideia de um “povo palestino” em oposição à “Israel” é claramente, e de muitas formas, eficiente: nos documentos de identidade e na maioria das mentes, assim como um modo de legitimação durante as lutas proletárias.

Mas a etnicização das relações sociais tem uma história que, antes de mais nada, é aquela das classes dominantes: a história da formação de uma burguesia capitalista judaica erradicando uma burguesia árabe feudal-mercantil; a fusão dessa burguesia com um Estado militar, etc. Os proletários se veem envolvidos nessa etnicização dos antagonismos pelas classes dominantes.

Nunca devemos perder de vista o fato de que a “luta palestina”, incluindo aquela conduzida sob a bandeira do Hamas, deve ser entendida sobretudo como uma luta liderada pelas classes sociais dominantes árabes – e por aqueles que a elas aspiram – para sua integração ao capital israelense. Os interesses dos proletários, mesmo que às vezes se encontrem sob a bandeira da luta nacional, são, em última instância, contraditórios com os interesses de sua burguesia.

Acho que devemos mostrar solidariedade não à “resistência palestina” em si, mas às lutas travadas pelos proletários contra suas condições de existência. Ainda assim, os proletários lutarão sob a bandeira que estiver disponível a eles. Não é a bandeira que devemos olhar, mas a luta em si. Uma bandeira palestina, até mesmo uma bandeira do Fatah ou do Hamas, podem ser estandartes de lutas que irão, dependendo do contexto, escapar ao controle dos gestores políticos. Além do mais, não é por serem islamistas que devemos cuspir no Hamas, mas por ser um aparato de controle sobre o proletariado, um Estado em formação.

Mesmo assim, a crítica social pode às vezes parecer incrivelmente fria e distante da luta vivenciada, que faz uso de outras categorias. A maneira fria com que falo sobre o materialismo dialético difere da maneira com que falo sobre uma situação que se desdobra diante de meus olhos, com sua violência, lutas e subjetividades.

Em um contexto tão sobrecarregado em termos de identificações, uma crítica materialista não corre o risco de parecer muito teórica e distante?

Parece-me que, nesse tipo de contexto, não há tanto uma posição a ser defendida, mas um ponto de vista, um método. Uma visão revolucionária deve, em primeiro lugar, não se deixar cegar pela autonomização das categorias morais alardeadas pela esquerda. Há duas delas que vejo nas conversas atuais, ameaçando constantemente esmagar o pensamento dialético. A primeira é o pensamento involuntário de lamentar que “o proletariado não é como gostaríamos que fosse”: proletários muçulmanos antissemitas, proletários judeus racistas, etc. Além disso, esta forma de pensar – que consiste em olhar para a interioridade do proletário a partir de uma posição intelectual – é, por natureza, burguesa, e particularmente inadequada em uma situação antagônica como esta, na qual nenhuma forma de autonomia proletária se manifesta.

O que está ocorrendo hoje é, de um lado, o recrutamento militar do proletariado, de outro, o puro massacre dos proletários excedentes. Algumas pessoas podem sentir falta dos bons velhos tempos, quando as formações políticas palestinas (e presume-se, como resultado, o próprio povo) estavam à esquerda. Isso me parece estúpido. A ideologia dos grupos políticos é secundária, tão logo se considere que eles estão lutando primeiramente para que seus líderes possam se produzir e reproduzir como classe dirigente. Quanto às táticas, lembre-se de que, a título de exemplo, foi um comando da FDLP (Frente Democrática para a Libertação da Palestina), grupo palestino ideologicamente de extrema esquerda (ligados a partes da extrema esquerda israelense, como o Matzpen), que cometeu o massacre de 22 crianças em uma escola de Ma’alot, em 1974.

Um segundo pensamento involuntário problemático é aquele que deixa a metafísica entrar na análise, enquanto ideia de repetição, paralisando e atordoando a mente. Ele está ativo nas elaborações que envolvem o “massacre de judeus”, mas também a “tragédia palestina”. Mesmo que surjam espontaneamente das profundezas da psique, tais elaborações não são mais do que produtos da maneira como o pensamento burguês desloca as relações sociais para a esfera celestial das ideias.

Vamos nos esquecer das farsas e tragédias da história: a história não se repete. Os antagonismos que se desenvolvem são sempre, e antes de mais nada, antagonismos presentes.


[1] “Bombardeio de tapete” (carpet bombing), também chamado de “bombardeio por saturação”, se trata de um bombardeio aéreo massivo contra alvos de área, usando munição não guiada, o que dispensa a precisão dos ataques para causar danos generalizados ao território e a suas diversas estruturas. [N.T.]

[2] O conflito congelado (ou frente congelada) significa “uma situação em que o conflito armado ativo foi encerrado, mas nenhum tratado de paz ou outra estrutura política resolve o conflito de forma satisfatória para os combatentes. Legalmente, o conflito pode recomeçar a qualquer momento, criando um ambiente de insegurança e instabilidade” (conferir wikipedia). Assim, o autor se refere a conflitos que não foram resolvidos satisfatoriamente. [N.T.]

[3] No original em francês: “l’équation du beurre et de l’argent du beurre”. Esta é uma expressão francesa que diz, ao pé da letra, “ter a manteiga e o dinheiro da manteiga [ao mesmo tempo]”. Ela é usada para indicar que não se pode ter tudo em troca de nada, ou, como é o caso, não se pode “comer o bolo e continuar a tê-lo”. [N.T.]

Gaza: An Extreme Militarization of the Class War
Entrevista de Emilio Minassian para o Serpents de la mer. (30/10/2023)
via Brooklynrail.org

Tradução de R. d’ Arêde para o portal Crítica Desapiedada 

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