Apontamentos biográfico-intelectuais sobre o jovem Lukács: de 1911 a 1928 – Aline Ferreira

Georg Lukács nasceu em 1885, na Hungria, e viveu até o ano de 1971. Ele possui uma vasta produção teórica, publicada em diferentes momentos históricos: Lukács passou pelas duas guerras mundiais; pela ascensão do movimento operário europeu do início do século XX, marcado por várias revoluções (russa, húngara, alemã etc.); pelo nazismo e fascismo; pelo stalinismo; e até mesmo pelo Maio de 1968. Isso, claramente, reverberou no seu pensamento. Assim, há um salto teórico entre A alma e as formas, de 1911 (obra que deu o pontapé inicial para o seu reconhecimento intelectual), e Estética e Ontologia do ser social, gestadas na década de 1960.

Embora seja conhecido como um autor marxista, as suas primeiras obras possuíam influência neokantiana (A alma e as formas, de 1911, notadamente) e hegeliana (A teoria do romance, de 1916). A tentativa de compreender a “passagem” de Lukács ao marxismo, portanto, é uma das pedras angulares dos seus intérpretes bem como de seus textos autobiográficos. A partir disso, foram criadas diversas maneiras de “enquadrar” suas obras.

De modo esquemático, podemos citar duas principais formas de interpretação de sua trajetória. Primeiro, a interpretação que separa as obras do “jovem Lukács” – que consistiria em suas obras pré-marxistas (década de 1910) e marxistas do início da década de 1920 (História e consciência de classe e Lênin) – daquelas do “velho” Lukács, marcado pelo pensamento dogmático e stalinista, iniciado em 1926, mas se consolidando na década de 1930. Já a segunda interpretação defende uma coerência interna no pensamento lukácsiano, buscando, em suas obras anteriores, elementos que tiveram seu desenvolvimento final com a Ontologia e Estética, considerando estas duas últimas como qualitativamente superiores às obras anteriores. Este último modo de interpretação acaba relativizando a resignação de Lukács em relação ao stalinismo – que é concebido como extremamente “condenável” ao mesmo tempo em que é “compreensível” devido às “condições históricas”. Como defensores da primeira interpretação poderíamos citar Goldmann (1973) e Löwy (1979); já da segunda, Mészáros (2013), Netto (1981, 1983) e Tertulian (2007, 2008). Outro autor de destaque que poderia ser citado que não impõe uma divisão rígida, ente “jovem” e “velho” Lukács, é Jameson (1985). Mas ele não tem como pressuposto partir da perspectiva da Estética e Ontologia; este autor propõe uma coerência entre as obras da juventude de Lukács com o desenvolvimento da sua ideia de “realismo”.

Em relação aos seus escritos autobiográficos, é necessário ter bastante cautela para não se deixar cair no discurso do próprio autor. O que ele diz sobre si próprio não necessariamente corresponde à realidade. Lukács, nestes escritos, tomará como norte o que ele considera ser uma “evolução” no seu pensamento, cujo fim seria a sua Ontologia do ser social, Estética e Ética (esta última não chegou a ser escrita). Assim, Lukács julgará o valor de suas obras da juventude a partir desse pressuposto. Em Pensamento vivido[1], por exemplo, ele afirma: “Minha vida forma uma sequência lógica. Acho que no meu desenvolvimento não há elementos inorgânicos” (LUKÁCS, 2017, p. 108, grifo nosso); e “[…] quanto mais meu pensamento, muitas vezes inconscientemente, se ontologizava, mais importante se tornava a autenticidade do ponto de partida e da orientação (mimese nunca fotográfica)” (LUKÁCS, 2017, p. 205). Nesta última citação o autor supõe que a constituição de sua concepção de ontologia é “inata” ao seu pensamento, como se fosse, necessariamente, um resultado “óbvio” de seu desenvolvimento intelectual.

Consideramos de maneira semelhante a Löwy (1979) que a inserção de Lukács no contexto stalinista empobreceu suas obras, principalmente a partir da década de 1930. Não apenas pela “pressão” de estar sempre sob vigilância da censura[2], mas pela sua própria resignação em criticar Stálin, ainda que seus escritos possuam, pontualmente, algumas divergências com a política cultural soviética do período stalinista. Este é um ponto de polêmica que não apresentaremos no presente trabalho, já que ultrapassaria a temporalidade e o foco propostos.

A juventude de Lukács

A alma e as formas (1911) e A teoria do romance (1914-1916) são consideradas as obras de maior destaque do Lukács pré-marxista. Apesar de o autor húngaro rejeitá-las com críticas bastante duras[3], ambas as obras são extremamente importantes para diversos intelectuais, tais como Adorno (2003), que retomou as discussões sobre o ensaio como forma, e Goldmann (1967, 1973, 1979, 1980) que fundamentará, a partir dessas obras, seu estudo sobre a visão trágica do mundo, bem como a sua sociologia do romance.

A obra de 1911 possui um referencial teórico preponderantemente neokantiano, enquanto a de 1914-1916, hegeliano. De acordo com Patriota (2015, p. 265), “até 1918, o pensamento de Lukács é como uma colcha de retalhos que se remodela continuamente a partir das mais variadas combinações – ciências do espírito, neokantismo, fenomenologia, filosofia da vida, hegelianismo, misticismo”. Ao se referir a esse período, Lukács, no “Prefácio de 1962” de A teoria do romance, menciona que este foi o período de repúdio à guerra mundial, e que ele passava por um período de transição de Kant a Hegel, mas ainda muito influenciado pelas ciências do espírito: “[…] essa relação baseava-se essencialmente nas impressões que me causaram na juventude os trabalhos de Dilthey, Simmel e Max Weber. A teoria do romance é, de fato, um produto típico das tendências das ciências do espírito” (LUKÁCS, 2009, p. 9). Mas, primeiramente, abordemos A alma e as formas (LUKÁCS, 2015a).

A estrutura desta obra é constituída por antinomias, como as oposições entre a “vida autêntica” e a “vida empírica”, em que há a recusa desta última. Nesse momento, Lukács possuía uma visão nostálgica e trágica, sem o vislumbre da transformação social. Assim, em A alma e as formas, “[…] o homem consciente da inautenticidade da vida empírica deve preparar-se para esperar o milagre que solucionará a tragédia” (NETTO, 1983, p. 21). É possível depreender tal visão trágica e nostálgica a partir do último (e considerado o mais importante) ensaio deste livro: “Metafísica da tragédia: Paul Ernst”, em que Lukács afirma: “A vida verdadeira é sempre irreal, sempre impossível em face da vida empírica. […] É preciso recair no torpor, é preciso negar a vida para poder viver” (LUKÁCS, 2015a, p. 218).

Nesse sentido, Rainer Patriota (2015, p. 274-275) coloca que em A alma e as formas “a vida só é real no domínio das formas, filtrada e depurada por elas. Durante todos esses anos, Lukács vive uma espécie de obsessão: idealizar sua solidão e poetizar sua inadaptação a uma vida normal”. Para Mészáros (2013, p. 50), em relação a esta obra, “Lukács se propõe a encontrar soluções para problemas parciais. Não encontra nenhuma, mas sai vitorioso da derrota”. Contudo, em pouquíssimo tempo Lukács rejeita este livro:

[…] sua insatisfação e completo distanciamento de A alma e as formas é extremamente precoce. Mal havia transcorrido um ano de sua publicação, manifesta já total indiferença pela obra; sentimento que veio a reiterar, ao longo de toda a vida, em relação a todos os seus “trabalhos intelectuais já superados” (VAISMAN, 2006, p. 298).

Durante os anos de 1912, 1913 e 1915, Lukács se estabelece em Heidelberg, onde tivera contato com diferentes intelectuais por meio do “Círculo Weber de Heidelberg”[4] – o principal centro sociológico da Alemanha na época. O filósofo húngaro conseguiu estabelecer esse contato graças a Ernst Bloch, que o convence a ir para Heidelberg. Anos antes, estes dois foram alunos do sociólogo Georg Simmel, em Berlim, que também fazia parte deste círculo. Por isso, o pensamento de Lukács deste momento também foi bastante influenciado pela obra Filosofia do Dinheiro (1900) de Simmel, chegando a ler minuciosamente o primeiro volume d’O Capital e outras obras de Marx, mas sob uma lente “sociológica” e “econômica” (NETTO, 1983). Outra influência sociológica importante provém de Tönnies e dos demais sociólogos que opõem comunidade-sociedade, cultura-civilização, ou seja, vida “autêntica” à vida “degradada”. Konder (1977) defende que a aproximação de Lukács com esses sociólogos e a sua sociologia se deu por uma tentativa de entendimento sobre o que se passava em sua terra natal – o Império Austro-Húngaro – às vésperas da Primeira Guerra Mundial.

É importante ressaltar que os participantes do Círculo de Heidelberg possuíam ideias heterogêneas. Lukács era considerado o mais radical dentre todos e criticou, além de outros elementos, a ideia de conciliação com a realidade defendida por Dilthey e Simmel (ao mesmo tempo em que era influenciado por estes dois) (LÖWY, 1979). Após a rejeição de A alma e as formas, Lukács aprofunda seus estudos sobre Dostoiévski, dando origem ao seu livro A teoria do romance que, inicialmente, foi pensado como uma introdução a uma obra maior sobre aquele literato russo. A teoria do romance foi escrito no ano da eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914), com uma visão escatológica (LÖWY, 1979; NETTO, 1983).

De acordo com Mészáros (2013), há, em A teoria do romance, o horizonte de uma “nova época mundial”, mas por meio de uma “intuição vaga”, sem proposição concreta de sociedade: “mesmo nas referências finais a Dostoiévski, continua sendo uma insinuação misteriosa, uma interrogação repleta de ‘dever-ser’” (MÉSZÁROS, 2013, p. 51). E, ainda sobre este livro, Tertulian aponta que “As antinomias do romantismo anticapitalista entre ‘comunidade’ e ‘sociedade’ (Tönnies), entre ‘cultura’ e ‘civilização’ (Alfred Weber, Simmel e outros) ocupavam sua consciência. A salvação não podia vir, em sua representação, senão do mundo espiritual da Rússia” (TERTULIAN, 2008, p. 116). A teoria do romance foi um livro bem recebido pelos grandes intelectuais alemães. Nele, há a inserção de um elemento bastante importante que posteriormente se tornará central em História e consciência de classe: a totalidade – mas, na obra de 1914-1916, ainda em seu sentido hegeliano e não da totalidade concreta.

Em 1915 Lukács regressa a Hungria devido ao recrutamento militar, e trabalha na censura postal. Mesmo com suas viagens constantes a Alemanha, forma em Budapeste um círculo dominical de estudos, agrupando-se ao chamado “Os aficionados do espírito”. Tal círculo era composto também por Karl Mannheim, que mais tarde seria considerado um dos fundadores da “sociologia do conhecimento”. Lukács participa deste círculo até 1918. Ao longo da Primeira Guerra Mundial ele ficou ao lado do antimilitarismo, enquanto seus colegas de Heidelberg, como Weber e Simmel, tornaram-se partidários da guerra. Além disso, em 1917 se desenrola a Revolução Russa, possibilitando que Lukács se politizasse cada vez mais. 

A partir de então o autor passa a ter certo contato com o sindicalismo revolucionário do húngaro Ervin Szabó. Löwy (1979) aponta que nesse momento Lukács lê (e relê) Sorel, os anarcossindicalistas, a “extrema esquerda holandesa” (Anton Pannekoek, Henriette Roland-Holst etc.), além de Rosa Luxemburgo. Em 1917 ainda realizava declarações com desconfiança à revolução, mas logo depois adere ao comunismo, buscando uma ética no marxismo. A princípio, critica o bolchevismo (LUKÁCS, 1979), mas em meados de dezembro de 1918 adere ao Partido Comunista Húngaro (fundado em novembro deste ano), e participa da Revolução Húngara.

No final de 1918 a Hungria passava por uma tremenda crise, com grandes índices de desemprego. Assim, “na virada do ano, a crise torna-se política, e a 11 de janeiro cai a monarquia: o conde Karóly é investido na presidência da república” (NETTO, 1983, p. 30). Em fevereiro, o governo reprime os membros do PC, no contexto de mobilização dos trabalhadores. Em 20 de março Karóly renuncia o poder e no dia seguinte é instaurada a comuna húngara: a República Proletária dos Conselhos, que resistiria por 133 dias. Lukács teve participação nesse processo como “vice-comissário do povo”, tratando de questões culturais e educacionais: “[…] coube-lhe, de fato, a responsabilidade das iniciativas mais importantes: uma profunda reforma educacional (que, inclusive, introduziu nos currículos a educação sexual), a socialização das editoras e a abertura dos museus e teatros aos trabalhadores” (NETTO, 1983, p. 32). Após a repressão à comuna, este intelectual é exilado em Viena, permanecendo nesta cidade até os últimos anos da década de 1920.

Nesse momento (a partir de 1919) o autor húngaro começa a escrever os ensaios que irão compor História e consciência de classe, publicados na forma de livro em 1923 (mesmo ano de publicação de Marxismo e filosofia, de Karl Korsch). Assim, a constituição desta obra deve ser entendida neste contexto de radicalização das lutas operárias. Neste conjunto de ensaios, Lukács assinala a importância de Hegel, considerado o fundador do método dialético. O autor contestou o fato de que, naquele momento histórico, a dialética em Marx era tratada como algo supérfluo, como um apêndice. Em sua concepção, Marx não possuía apenas um “flerte” com Hegel; para ele, havia, nas obras do revolucionário alemão, “toda uma série de categorias decisivas continuamente empregadas [que] provém diretamente da lógica de Hegel” (LUKÁCS, 2012a, p. 56).

Nesse sentido, Lukács (2012a) retoma a categoria da totalidade como uma das principais categorias do método dialético, caracterizada por ser uma categoria revolucionária a ser expressa a partir do ponto de vista do proletariado. Além disso, este autor estuda também a questão da consciência de classe e a sua reificação, além de realizar uma crítica à ciência burguesa e o seu pensamento reificado. Essas ideias serão permeadas por um embate à ideia de dialética da natureza de Engels. Suas principais bases intelectuais nesse momento são Rosa Luxemburgo, Lênin (de uma forma ainda incipiente), Marx, Hegel e Weber (em seus ensaios sobre consciência, sobretudo sobre a reificação).

Após a publicação de História e consciência de classe (1923), com a morte de Lênin, Lukács publica em 1924 o livro Lênin: um estudo sobre a unidade de seu pensamento (LUKÁCS, 2012c).Como apontamos anteriormente, com a violenta repressão em resposta à Revolução Húngara, Lukács se exila em Viena, onde ficará até o final dos anos 1920. Nesse momento o autor começa a ter maior contato com as obras de Lênin (até então possuía pouco conhecimento do líder bolchevique). Mesmo em História e consciência de classe, cujos ensaios datam de 1919 a 1922 (ainda que com algumas modificações significantes)[5], Lênin ainda não aparece como uma influência preponderante como viria a ser posteriormente.

Lukács menciona que no período da República Soviética húngara “apenas poucos artigos e panfletos [de Lênin] eram traduzidos e acessíveis para nós […]” (LUKÁCS, 2012b, p. 7). Assim, em Pensamento vivido, o autor afirma: “Confesso que comecei a ter uma ideia do real significa teórico de Lênin só no meu exílio em Viena. Nem de Kun, nem de Szamuely, nem de qualquer outro dentre os que vieram da Rússia era possível obter uma informação séria a respeito” (LUKÁCS, 2017, p. 77). Eörsi, em seguida, realiza a seguinte pergunta: “Naquela época não havia nada para ler de Lênin?” (LUKÁCS, 2017, p. 77), e Lukács responde:

Existia somente a tradução de O Estado e a revolução. […] Confesso que eu mesmo só mais tarde compreendi o forte significado teórico dessa obra. No que me diz respeito, só posso dizer que entrei para o partido totalmente despreparado e que, sob esse aspecto, não aprendi absolutamente nada no partido (LUKÁCS, 2017, p. 77).

Mas é necessário pontuar que em Viena o intelectual húngaro não apenas passou a tomar maior contato com a leitura de Lênin como também se aproximou da chamada “extrema-esquerda”. Como ele próprio descreve em 1967:

[Na década de 1920] Muitos emigrantes dos Bálcãs e da Polônia viviam provisoriamente, ou definitivamente, em Viena, que, além disso, era um lugar de passagem internacional, onde tínhamos contatos constantes com comunistas alemães, franceses, italianos etc. Nessas circunstâncias, não é de estranhar que tenha nascido a revista Kommunismus [da qual Lukács também fizera parte], que durante algum tempo se tornou o principal órgão das correntes de extrema-esquerda na III Internacional. Ao lado de comunistas austríacos, imigrantes húngaros e polacos que constituíam o núcleo interno de colaboradores permanentes, simpatizavam com os seus esforços a extrema-esquerda italiana, como Bordiga e Terracini, e holandeses, como Pannekoek e Roland Holst etc. (LUKÁCS, 2012b, p. 8).

Desse modo, “até a sua estância em Viena, Lukács pouco conhecia de Lênin – só aí trava contatos seguros com a sua obra, de que resultarão modificações ponderáveis na sua concepção de mundo. Tais modificações, porém, só começarão a se fazer sentir na segunda metade dos anos vinte […]” (NETTO, 1983, p. 35, itálicos nossos). Na obra de 1924, Lênin: um estudo sobre a unidade de seu pensamento, a chamada “teoria do reflexo” leninista também não está presente de maneira explícita – pressupomos que Lukács nem tivera contato com ela nesta época, cuja exposição mais sistematizada está em Materialismo e empiriocriticismo (1909), de Lênin (1982).

Lênin: um estudo sobre a unidade de seu pensamento é um escrito político em que Lukács explicita sua concepção de partido político e o papel deste no movimento operário. É perceptível aqui a constituição da imagem de Lênin de maneira “exaltada”. O líder bolchevique é colocado como aquele que colocou em prática o que Marx havia teorizado: “O realismo de Lênin, sua realpolitik, é, portanto, a liquidação decisiva de todo e qualquer utopismo, a realização concreta do conteúdo do programa de Marx: uma teoria que se tornou prática, uma teoria da práxis” (LUKÁCS, 2012c, p. 89, negritos nossos). Mas tal concepção é, no mínimo, problemática, pois parte de uma visão mecanicista da realidade social. Na verdade, Marx nunca criou nenhum “programa” a ser realizado.

Enfim, neste mesmo ano da publicação de Lênin (1924), História e consciência de classe torna-se alvo de diversas críticas no V Congresso da Internacional Comunista. Um dos supostos “desvios” desta obra teria sido a sua recusa à dialética da natureza engelsiana e a negligência à teoria do reflexo leninista. As críticas provieram principalmente de Bukharin, Zinoviev, Deborin (ex-menchevique) e Rudas (membro de uma das frações do Partido Comunista Húngaro) – ambos influenciados por Plekhanov (TERTULIAN, 2015). Lukács escreverá uma resposta às críticas destes dois autores que não chegou a ser publicada, mas que foi descoberta na década de 1990 após a abertura dos arquivos da Comintern, em Moscou, com o título em alemão Chvostimus und Dialektik. Em língua portuguesa foi publicada como Reboquismo e dialética: uma resposta aos críticos de ‘História e consciência de classe’ (LUKÁCS, 2015b). Quando encontrado nos anos 1990, o texto não possuía identificação de data, mas o editor húngaro, László Illés (2015), pressupõe que ele fora escrito em 1925 ou 1926[6]. De acordo com ele, “O que chama a atenção é que Lukács não mencionou essa obra em nenhuma de suas rememorações posteriores” (ILLÉS, 2015, p. 25, itálicos nossos). Assim, há também várias suposições pelas quais o texto não teria sido publicado[7].

Neste texto, longo o suficiente para constituir de fato um livro, Lukács (2015b) rebate principalmente as críticas feitas à sua ideia, defendida na obra de 1923, de “consciência adjudicada”, e reafirma suas críticas à dialética da natureza. Sobre a reificação, nada é dito (muito provavelmente porque os seus críticos também não deram tanta atenção a esse conceito). A chamada “teoria do reflexo” não aparece aqui – inclusive Lukács afirma não ter tido acesso ao Materialismo empiriocriticismo, de Lênin (1982), realizando um apud de um trecho deste livro[8], além do fato de que os Cadernos filosóficos de Lênin (2018) serão apenas “descobertos” em 1929 (um dos livros que Lukács tomará contato e passará a defender a “teoria do reflexo”[9] leninista).

Mas é importante ressaltar que em Reboquismo e dialética há um aprofundamento da exaltação de Lênin, especialmente sobre os seus escritos políticos, com bastantes críticas à Rosa Luxemburgo, sobretudo na primeira parte do livro, em que Lukács fala sobre a consciência adjudicada (pautando-se na ideia de consciência vinda de fora, de Kautsky e Lênin). Como bem coloca Löwy, esta crítica realizada a Luxemburgo é reducionista: “[…] nesse ensaio polêmico Luxemburgo aparece, de maneira bastante simplista, apenas como referência negativa e como corporificação do puro espontaneísmo” (LÖWY, 2015, p. 17).

Assim, parece-nos que este escrito possui momentos de tentativa de anticrítica (principalmente em relação à dialética da natureza), com momentos também de autocrítica implícita (como um acerto de contas com a influência de Rosa Luxemburgo presente em História e consciência de classe, e, no lugar, o aprofundamento de defesa à ideologia do partido de Lênin). O que fica evidente é que de fato na década de 1920, principalmente em 1924, há uma inserção excessiva do pensamento de Lênin nos escritos de Lukács, com a constituição de uma visão monumental do líder bolchevique.

Após Reboquismo e dialética (1925/1926), há mais dois textos de destaque do final dos anos 1920: Moses Hess e o Problema da Dialética Idealista, de 1926, e as Teses de Blum, de 1928. Ambos têm em comum a ideia de reconciliação com a realidade. Alguns de seus intérpretes identificam esse período (1926-1928) com  a constituição de uma “reorientação” de Lukács, que rompe com suas posições anteriores e abre o terreno para a postura resignada ao stalinismo e para a constituição do que será defendido em Estética e Ontologia do ser social. Em Moses Hess e o Problema da Dialética Idealista,

[…] Lukács contrapõe ao “utopismo revolucionário” de Hess o “grandioso realismo” de Hegel. A recusa de toda utopia, que Hegel realiza ao “reconciliar-se com a realidade”, não parece afigurar-se a Lukács como capitulação: constitui a chave para viabilizar uma intervenção efetiva, mesmo que teórica, sobre a realidade (NETTO, 1983, p. 44).

De acordo com Löwy, neste mesmo texto,

[Lukács] Vê na tendência de Hegel em se “reconciliar” com a realidade (por exemplo do Estado Prussiano) a prova de seu “grandioso realismo” e de sua “recusa de toda utopia”. Reconhece que esta imobilidade no presente de Hegel é politicamente reacionária, mas do ponto de vista metodológico vê nisto a expressão de um profundo realismo dialético (LÖWY, 1979, p. 219).

Considerando esses elementos, Michael Löwy compara essa perspectiva que Lukács irá constituir de Hegel (que culminará com a obra O jovem Hegel, escrita em 1938) e sua reconciliação com a realidade, com a própria trajetória do autor húngaro e a sua resignação no período stalinista, isto é, “abandono dos ‘ideais revolucionários juvenis’ de 1919-1924 e reconciliação com a realidade prosaica e bonapartista da URSS stalinista” (LÖWY, 1979, p. 220). É como se suas posições políticas fossem justificadas por essa ideia de reconciliação ao abandonar o que ele denomina como “utopismo”.

Assim, essa concepção de realismo defendida por Lukács terá relação com as suas Teses de Blum, de 1928. Nelas, em polêmica com o PC húngaro, especificamente com a fração de Béla Kun, Lukács defende uma “ditadura democrática” em vez de uma república de conselhos. Ou seja, ele parte do pressuposto de que a constituição de uma “república de conselhos” é algo “utópico” (no sentido pejorativo da palavra), e, inversamente, a ditadura “democrática” seria mais palatável, considerando as condições reais da época. Lukács, portanto, distancia-se da perspectiva revolucionária, adquirindo uma visão pragmática, imediatista. Mais uma vez ele é criticado dentro do Partido Comunista Húngaro. Por isso, realiza uma “autocrítica” a “contragosto”:

O grupo que apoiava Kun via nas teses [de Blum] o mais puro oportunismo; além disso, o apoio da minha própria facção [dentro do Partido Comunista Húngaro] era bastante morno. Quando soube de fontes confiáveis que Béla Kun preparava minha exclusão do partido na condição de “liquidador”, decidi renunciar a prosseguir a luta, pois sabia da influência de Kun na Internacional, e publiquei uma “autocrítica”. […] Era evidente que essa autocrítica não podia ser levada a sério: a mudança da opinião fundamental que sustentava as teses – mas que nem de longe conseguia expressá-las adequadamente – passou a ser doravante o fio condutor para minha atividade teórica e prática (LUKÁCS, 2012b, p. 36-37, itálicos nossos).

Em 1930 inicia-se o período moscovita de Lukács, em que, juntamente com esta questão do “realismo” (no sentido de “reconciliação com a realidade”), ele toma conhecimento dos Manuscritos de 1844 de Marx e dos Cadernos filosóficos (1914) de Lênin (2018), recém-publicados na época, incorporando a chamada “teoria do reflexo” leninista por meio desta última obra citada. 

Considerações finais

Consideramos que compreender a trajetória de Lukács é fundamental àqueles que se debruçam sobre sua obra. Como vimos, seu percurso foi marcado por constantes avanços e recuos, o que reflete diretamente em seus escritos. Nesse sentido, estudar um intelectual é estudar as suas obras e também o seu contexto sócio-histórico.

Em breve pretendemos publicar também um texto complementar a este, chegando até o fim da vida de Lukács. 

Referências

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TERTULIAN, Nicolas. Lukács e o stalinismo. Verinotio – Revista On-line de Educação e Ciências Humanas, n. 7, ano IV, nov. 2007. Disponível em: <www.verinotio.org/conteudo/0.65943372031621.pdf >. Acesso em: 03 mar. 2018.

TERTULIAN, Nicolas. Posfácio – Avatares da filosofia marxista. In: LUKÁCS, György. Reboquismo e dialética: uma resposta aos críticos de ‘História e consciência de classe’. São Paulo: Boitempo, 2015. p. 129-148.

VAISMAN, Ester. O “jovem” Lukács: trágico, utópico e romântico? Kriterion, Belo Horizonte, nº 112, p. 293-310, Dez/2005. Disponível em: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2005000200013. Acesso em: 20 jul. 2018.

VIANA, Nildo. O que é marxismo? Rio de Janeiro: Elo Editora, 2008.


[1] É necessário esclarecer que Pensamento vivido é uma “autobiografia em diálogo”. Quando Lukács já estava com diagnóstico de câncer, ele passou a ficar muito debilitado, principalmente devido à esclerose, que afetava inclusive sua memória. Por isso, em seus últimos meses de vida, foi “obrigado” a parar de escrever sua Ontologia, pois não tinha condições para continuar a escrita de uma obra de tamanho porte. O autor húngaro já havia feito o rascunho de um texto de aproximadamente cinquenta páginas (um “esquema”) para a escrita de um livro autobiográfico. Mas, devido à doença, ele não possuía condições para efetivar a escrita desse projeto. Assim, dois de seus “discípulos”, István Eörsi e Erzsébet Vezér, se comprometeram em ler esses rascunhos e “entrevistar” Lukács sobre os pontos que poderiam ser melhores desenvolvidos. A partir disso, surgiu o livro Pensamento vivido: autobiografia em diálogo (LUKÁCS, 2017), que consiste em um compilado dessas entrevistas, procedido do rascunho (esquema) de Lukács. Por isso grande parte das citações desse livro possui o sentido de “resposta”, e não uma escrita mais “sistematizada”.

[2] Aliás, em 1941 Lukács chegou a ser preso na URSS, com a suposição de que ele teria sido trotskista – sendo que, declaradamente, ele nunca foi a favor de Trotsky, mas sim de Stálin – e isso é algo que ele declara abertamente em seus escritos autobiográficos (LUKÁCS, 2017).

[3] No “Prefácio de 1962” de A teoria do romance, o autor afirma: “Se hoje, portanto, alguém lê A teoria do romance para conhecer mais de perto a pré-história das ideologias relevantes nos anos vinte e trinta, pode tirar proveito de tal leitura crítica. Mas se tomar o livro na mão para orientar-se, o resultado só poderá ser uma desorientação maior” (LUKÁCS, 2009, p. 19). 

[4]Tal círculo era composto por diferentes intelectuais que se reuniam em torno da figura de Max Weber, por isso Löwy (1979) o denomina como “Círculo Weber de Heidelberg”, mas, por vezes, este autor também utiliza o termo “Círculo de Weber” ou simplesmente “Círculo de Heidelberg”. Sobre as relações entre Weber e Lukács, Mészáros (2013, p. 39) aponta que “Max Weber […] tinha consciência da impressionante originalidade do jovem filósofo húngaro e o via mais como um intelectual do que como um pupilo”. Já Teixeira (2010) aponta que havia relações recíprocas entre Lukács e Weber: apesar das discordâncias de perspectiva, estes dois autores frequentemente debatiam sobre variados temas. E, ainda de acordo com Teixeira (2010), não apenas Weber influenciou alguns elementos do Lukács deste momento, como também o autor húngaro exerceu algumas influências pontuais sob Weber.

[5] De acordo com Löwy (1979) essas modificações ocorreram após a publicação, em 1920, de Esquerdismo: doença infantil do comunismo, de Lênin. Löwy aponta que o próprio Lukács menciona que os textos foram revistos, exceto “Rosa Luxemburgo como marxista” (1921) e “Legalidade e Ilegalidade” (1920); e, portanto, as datas que acompanham os textos são “enganosas”. “O que é marxismo ortodoxo?”, por exemplo, foi o ensaio mais modificado de acordo com Löwy (1979). Portanto, a sua datação não é exatamente 1919, como é identificado na publicação. Esse contato já quase de imediato com o panfleto Esquerdismo é relatado por Lukács em entrevista a New Left Review, publicada em 1971, um pouco após de sua morte. O entrevistador pergunta ao autor húngaro o que ele achou da crítica que Lênin havia feito ao seu artigo publicado em 1920 na revista Kommunismus que apontava o parlamentarismo como algo ultrapassado, considerando a estrutura organizativa dos conselhos operários, pautada na “democracia direta”. O filósofo responde que antes da crítica de Lênin vir a público ele já havia lido Esquerdismo e estava de acordo com as ideias presentes neste panfleto e por isso já havia, de certa maneira, realizado uma autocrítica: “[…] eu já havia lido Esquerdismo: doença infantil do comunismo, de Lênin, antes de sua crítica ao meu artigo, e eu já estava completamente convencido dos seus argumentos sobre a questão da participação parlamentar: então a sua crítica ao meu artigo não acrescentou muita coisa para mim. Eu já sabia que estava errado” (LUKÁCS, 1971, p. 55).

[6] Löwy (2015) defende que o mais provável seja que o texto tenha sido escrito no ano de 1925: “Penso que 1925 seja uma suposição mais acurada, pois não havia razão para que Lukács esperasse dois anos para responder as críticas publicadas em 1924 – o estilo do documento sugere, antes, que a resposta tenha sido imediata. Porém, acima de tudo, não acredito que ele seja contemporâneo do artigo sobre Moses Hess (1926), pela boa razão de que esse artigo, como tentarei mostrar mais adiante, tem uma orientação filosófica básica estritamente oposta à do ensaio descoberto postumamente” (LÖWY, 2015, p. 14).

[7] Não as descreveremos aqui por não ser nosso foco. Sobre isso, cf. Löwy (2015).

[8] Já no final do escrito, Lukács cita um pequeno trecho (de três linhas) proveniente de Materialismo e empiriocriticismo, em que Lênin (1982) defende que não se pode confiar naquilo que os especialistas das ciências naturais falam sobre a filosofia. E, entre parênteses, após esta citação, Lukács afirma: “[…] (por infelizmente não ter acesso ao Empiriocriticismo de Lênin, cito de Deborin, Lenin, der kämpfende Materialist [Lênin, o materialista militante], p. 27-28)” (LUKÁCS, 2015b, p. 114-5). Pressupomos, portanto, que no mínimo até 1925 Lukács não tivera contato com essa obra do líder bolchevique em que este começara a desenvolver a chamada “teoria do reflexo” (também presente nos Cadernos filosóficos [LÊNIN, 2018]) – ainda que em 1924 já tivesse escrito um texto sobre Lênin (mas, como já mencionamos, este possuía um caráter bem mais político do que filosófico).

[9] Na verdade, se utilizarmos de um vocabulário marxista mais rigoroso, trata-se de uma ideologia (falsa consciência sistematizada), e não propriamente de uma teoria. Sobra a diferença entre os dois termos, cf. Korsch (1977) e Viana (2008).

[Nota da Autora] Originalmente o presente trabalho consiste em um tópico da minha dissertação de mestrado, intitulada “Literatura e sociedade nos escritos dos anos 1930 de Georg Lukács”, defendida em fevereiro de 2019 na Universidade Federal de Goiás. Para a presente publicação, realizei pequenas modificações do texto original, diminuindo sua extensão e reformulando determinadas passagens. Tal texto também foi apresentado e publicado nos Anais do evento “XIX Semana de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UNESP/FCLAr”.

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