Teoria e Prática: Uma Introdução à Teoria Marxista – Paul Mattick Jr.

Artigo de 1979 do grupo ‘Root and Branch’, introduzindo a teoria marxista.

Nesse caso, não confrontamos o mundo dogmaticamente com um novo princípio proclamando: Eis aqui a verdade, ajoelhe-se perante ela! Nós desenvolvemos novos princípios para o mundo com base nos próprios princípios do mundo. Não dizemos ao mundo: desistam de suas lutas, elas são estúpidas, nós iremos lhes proporcionar a verdadeira palavra de ordem da luta. Meramente demonstramos ao mundo porquê ele realmente luta, e a consciência é algo que ele DEVE adotar, mesmo que não o queira. Karl Marx, 1843[1].

Em sua crítica das filosofias de esquerda atacadas como a “Ideologia Alemã”, Karl Marx contrastou a literatura comunista que pode ser pensada “meramente como um conjunto de escritos teóricos” com aquela que é “o produto do movimento real”. Em sua polêmica contra os assim chamados Verdadeiros Socialistas, ele assinalou que a teoria, como uma atividade de pessoas particulares realizada em contextos sociais determinados, não se desenvolve através de um processo de “pensamento puro”, mas nasce “das necessidades práticas, das condições de vida de uma classe particular em países particulares[2].” Em sua própria obra teórica, seu objetivo era servir o que ele considerou as necessidades práticas da classe operária em sua luta contra o capitalismo ao redor do mundo. Isto não significava para Marx um abandono das pretensões de objetividade ou verdade científica, mas o oposto. Aqueles que desejam controlar suas condições sociais de vida (assim como as naturais) precisam compreender as situações nas quais eles se encontram e as possíveis escolhas de ação dentro destas situações. Tal ponto de vista significava que, por outro lado, a oposição de Marx ao pensamento utópico não implicava a submissão a um processo histórico pré-determinado. Por “socialismo científico”, como Marx expressa em resposta à crítica de Bakunin, ele queria dizer – em contraste com o “socialismo utópico, que procura impingir novas fantasias às pessoas” – “a compreensão do movimento social criado pelos próprios indivíduos[3].” O processo histórico que Marx estava interessado consistiria precisamente nas tentativas dos indivíduos de transformarem a sociedade em que eles se encontravam. O trabalho teórico, ao levar a uma melhor compreensão da sociedade, e assim, das tarefas envolvidas na sua transformação, deveria servir como um elemento dessas tentativas.

Marx afirma na Ideologia Alemã: A produção das ideias, das concepções, da consciência é, num primeiro momento, diretamente entrelaçada com a atividade material e o intercâmbio material entre os homens, a linguagem da vida real. (…) O mesmo se aplica à produção mental como expressa na linguagem da política, das leis, da moralidade, da religião, da metafísica de um povo. Os homens são os produtores de suas concepções, ideias etc. – os homens ativos, reais, tais como são condicionados por um determinado desenvolvimento de suas forças produtivas e do intercâmbio a elas correspondente. – A consciência nunca pode ser mais do que a existência consciente, e a existência do homem é o seu processo de vida real[4].”

Uma vez que a consciência é construída como organização da atividade humana, então a consciência revolucionária, enquanto seu oposto, pode ser entendida como os sistemas e semi-sistemas de concepções, sentimentos etc., por meio dos quais os indivíduos organizam seu comportamento revolucionário (ou não-revolucionário). Toda ação envolve teoria, ou pelo menos algum grau de pensamento coerente. Como todo mundo, os revolucionários pensam sobre o que eles estão fazendo: os teóricos entre eles são aqueles que tentam sistematizar, investigar e compreender as interações humanas que constituem o status quo social e o movimento contra ele.

Embora essa compreensão do papel do pensamento na atividade revolucionária opere ao longo do desenvolvimento de Marx como pensador, foi apenas no curso das experiências políticas reais (e sua relativa reflexão) que emergiram as suas implicações. Um grande momento decisivo parece ter sido o período revolucionário de 1848-49 no continente, que viu Marx retornar do exílio para editar um jornal democrata de esquerda em Colônia. Como Friedrich Engels, já naquela época o melhor amigo e companheiro político de Marx, explicou na introdução que ele escrevera para uma coletânea dos artigos de Marx daquele período,

“Quando a Revolução de Fevereiro eclodiu (na França em 1848), todos nós, no que diz respeito às nossas concepções das condições e do curso dos movimentos revolucionários, estávamos sob o encanto de experiências históricas anteriores, em particular aquela da Revolução Francesa de 1789. O que todas as revoluções até então (as revoluções burguesas) tinham em comum era o fato de que elas foram revoluções de minorias. Mesmo onde a maioria tomou parte, somente o fez – voluntariamente ou não – à serviço da minoria; mas por conta disso, ou simplesmente por causa da atitude passiva, sem resistência da maioria, essa minoria adquiria a aparência de serem os representantes do povo inteiro.”

Parecia que a revolução proletária teria a mesma forma. Neste caso, contudo, a minoria na liderança da revolução estaria, pela primeira vez, realmente agindo no interesse da maioria. A minoria era necessária para esse papel de liderança, assim parecia naquela época, porque “as próprias massas proletárias, mesmo em Paris, estavam ainda absolutamente no escuro quanto ao rumo a ser tomado. E ainda assim o movimento estava lá, instintivo, espontâneo, incontrolável”. Para que fosse bem-sucedido, precisava apenas da direção da vanguarda, daqueles que, combinando em si mesmos um entendimento da história, da economia e uma compreensão filosófica das tarefas da humanidade, seriam capazes de administrar a criação de um novo mundo social[5].

O paralelo com a posição dos marxistas na Revolução Russa de 1917 é digno de nota. Encontramos Engels em 1853 supondo que, na eclosão da próxima revolução, “nosso partido será forçado uma bela manhã a assumir o poder” para levar a cabo uma revolução burguesa. Então, “conduzido pela multidão proletária, vinculada por nossas próprias declarações impressas… seremos obrigados a realizar experimentos comunistas… A inconveniência dos quais nós conhecemos melhor que ninguém. Ao agirmos de acordo, perdemos nossas cabeças apenas fisicamente falando, assim esperemos”. A similaridade entre um “país atrasado como a Alemanha” nessa época, “que possui um partido avançado e está envolvido numa revolução avançada em um país avançado como a França”, e a situação da Rússia em relação à Revolução Alemã após a Primeira Guerra Mundial explica o caráter inquietante das ideias de Engels como profecia da tomada do poder pelos bolcheviques[6]. Durante o evento, contudo, Lênin e Trotsky tomaram cuidado para salvarem suas cabeças, fisicamente falando, mesmo que às custas daquelas dos trabalhadores mais revolucionários.

Como Engels reconheceu, a história provou que essa visão de uma revolução dirigida pela minoria, classicamente associada ao nome de Blanqui, estava errada. De fato, a despeito das alianças com grupos blanquistas durante o período de 1848-50, Marx (e Engels), já nessa época, pareciam rejeitar o modelo vanguardista de revolução. Eles defenderam uma democracia aberta, em oposição ao secretismo conspiratório e à hierarquia, dentro das organizações comunistas nas quais eles participaram; uma democracia estruturada por assembleias de massa e revogabilidade dos delegados como a base da “ditadura do proletariado”; e, acima de tudo, defenderam a concepção de que o comunismo não poderia ser imposto pela vontade de pensadores e militantes políticos, mas só poderia ser criado por um vasto movimento de massas em resposta às condições sociais reais[7].

Na opinião de Marx, um movimento comunista só poderia surgir na medida em que o desenvolvimento do sistema capitalista transformava a maioria da população em trabalhadores assalariados. Em 1848-50, Marx e seus amigos acreditavam que esse desenvolvimento estava avançando bem rapidamente, mas na realidade, a Europa estava longe de estar madura para o comunismo. O capitalismo estava apenas começando na primeira metade do século XIX, e a série de crises sociais e econômicas que se seguiram àquela de 1847, eram marcos numa estrada de crescimento econômico rápido e contínuo. Foi esse desenvolvimento, escreveu Engels no texto citado acima, que “pela primeira vez produziu clareza nas relações de classes” ao criar uma classe capitalista e uma classe proletária reais. O processo de crescimento econômico que empurrou essas classes “para o primeiro plano do desenvolvimento capitalista” foi também um processo de luta entre elas. Ao tornar possível para as massas de trabalhadores a compreensão de seu interesse comum e seu antagonismo comum contra seus empregadores, este processo esclareceu as condições da revolução socialista.

De fato, Engels revelou-se otimista; o crescimento da social-democracia não representou um esclarecimento da natureza da luta de classes que ele pensou que representava nas suas primeiras décadas. Os eventos de 1848 e o subsequente desenvolvimento do capitalismo e do movimento socialista tiveram, entretanto, um efeito definitivo sobre o pensamento de Marx. Em primeiro lugar, eles chamaram a atenção de Marx para a crise econômica como a chave para a existência e significado do movimento socialista. Seu estudo renovado de economia na década de 1850, refletiu sua convicção de que a revolução socialista teria de vir como uma resposta às condições sociais por parte dos trabalhadores. Assim, Marx dedicou o trabalho de sua vida para demonstrar como o capitalismo, em seu próprio processo de crescimento e desenvolvimento, cria simultaneamente a forma e o conteúdo de sua derrocada.

A posição de Marx era, geralmente, de que a interdependência social ocasionada pelo capitalismo industrial, tanto dentro quanto entre locais de trabalho de diferentes tipos, iria fornecer uma base tanto para a ação revolucionária contra a velha sociedade quanto pela criação de uma nova. A transformação da agricultura tradicional em exploração agrícola em larga escala com mão de obra assalariada para o mercado e o desenvolvimento da produção industrial de massa vincularam economicamente os produtores – e, portanto, socialmente – uns aos outros. Como cada trabalho produtivo de cada indivíduo requer coordenação com o de seus colegas, logo, o consumo do indivíduo depende do trabalho produtivo de inúmeros outros. Esta característica do sistema atual explica o ideal formulado pelos seus oponentes socialistas de uma “comunidade coletiva de trabalho” na qual os próprios produtores (e não uma distinta classe de proprietários e administradores) controlariam conjuntamente o seu trabalho e seus produtos.

A natureza dos fins dita a forma que as organizações revolucionárias devem ter. Em última instância, a “organização revolucionária” terá de ser a classe operária como um todo; assim, Marx falava de organizações particulares como episódios “na história do partido que em toda parte cresce naturalmente e espontaneamente do solo da sociedade moderna[8].” Ele pensava ser essencial, portanto, que o movimento operário evitasse adotar as características da seita de esquerda. A seita, como Marx coloca em uma carta, “vê a justificativa para sua existência e seu ponto de honra não naquilo que tem em comum com o movimento da classe, mas no seu particular slogan que a distingue do movimento”. A atitude do teórico e líder sectário exemplificados para Marx em Proudhon, Bakunin e Lasalle (como ele escreveu sobre o último) é de que “ao invés de procurar entre os elementos genuínos do movimento da classe pela base real da sua agitação, ele queria prescrever o curso a ser seguido por este movimento de acordo com uma certa receita doutrinária”. Isto não quer dizer que as seitas não podem ter análises úteis para oferecer ao movimento. Marx, por sua vez, honrava Fourier, em contraposição aos fourieristas; pois o anterior escreveu em um período no qual a propaganda “doutrinária” não podia interferir no crescimento do (praticamente inexistente) movimento. A tal ponto que, com um verdadeiro movimento operário posto em curso, os pequenos partidos e grupos deveriam “fundir-se ao movimento da classe e pôr um fim a todo sectarismo[9]”.

Dessa maneira, o Regulamento Geral que Marx elaborou em 1864 para a Associação Internacional dos Trabalhadores começava com a máxima de Flora Tristan: “A emancipação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores”. A Internacional pretendia ser o oposto de uma seita, tanto na teoria quanto na prática. Nas palavras de Marx, ela proclamou como sua tarefa “combinar e generalizar os movimentos espontâneos das classes trabalhadoras, mas não ditar ou impor qualquer sistema doutrinário[10]”. E, no que diz respeito à organização, Marx opôs-se ao centralismo sob o argumento de que uma estrutura centralista, embora apropriada aos movimentos sectários, “vai de encontro à natureza dos sindicatos”, organizações de luta dos trabalhadores. Típica de sua atitude é seu comentário em uma carta de 1868 de que, especialmente na Alemanha, “onde a vida do operário é regulada da infância em diante pela burocracia e ele mesmo acredita nos organismos autoritários que lhes são designados, ele deve ser ensinado, acima de tudo, a caminhar com as próprias pernas[11].” No mesmo espírito, Marx recusou a presidência da Internacional em 1866, e logo depois convenceu o Conselho Geral a substituir o posto por aquele de um diretor a ser eleito a cada reunião semanal.

Essa atitude refletia-se na concepção de Marx das tarefas dos intelectuais no movimento. Ele colocou suas habilidades literárias a serviço da Internacional, na preparação de declarações de posicionamento, comunicados oficiais e assim sucessivamente. Para além disso, devemos notar o projeto de uma “Enquete Operária”, um questionário que Marx publicou na Parisian Revue Socialiste em 1880, e havia reimpresso e distribuído a grupos operários, círculos socialistas e democratas “e a qualquer um que pedisse” na França. O texto tem a forma de 101 questões sobre as condições de trabalho, salários, horas, efeitos do ciclo comercial e também sobre as organizações de defesa dos trabalhadores, greves e outras formas de luta e seus resultados. Embora isso possa ser descrito como a primeira pesquisa sociológica, seu prefácio urge os trabalhadores a responderem, não para atender às necessidades de sociólogos e economistas por dados, mas porque apenas os trabalhadores podem descrever “com inteiro conhecimento os males que os afligem”, assim como “eles, e não quaisquer salvadores providenciais, podem energicamente administrar os remédios para as doenças sociais das quais eles sofrem.” Estratégia e tática, para usar os termos de teorias de esquerda mais recentes, só podem ser criadas pelos trabalhadores que conhecem suas condições concretas, não por “líderes”. Os intelectuais podem, contudo, desempenhar um papel importante na coleta e transmissão da informação; assim, os resultados da Enquete seriam analisados em uma série de artigos para a revista e, eventualmente, num livro[12].

A principal tarefa que Marx assumiu como um intelectual revolucionário, entretanto, foi a da teoria: a elaboração de um conjunto de conceitos, em um nível relativamente abstrato, que permitiria uma melhor compreensão da luta entre trabalho e capital. Ele prefaciou a edição seriada francesa do primeiro volume do Capital com uma expressão de prazer, porque “nesta forma, o livro será mais acessível à classe trabalhadora – uma consideração que, para mim, supera todo o resto[13].” A função da teoria era ajudar o movimento como um todo a esclarecer os seus problemas e suas possibilidades; na visão de Marx, ela não colocava o teórico numa posição dominante (ou “hegemônica” como considera o atual eufemismo em voga) face ao movimento, mas representava antes o que ele tinha a contribuir para um esforço coletivo.

À luz da carreira do marxismo oficial desde a época de Marx, sua crítica da reformulação de Feuerbach do materialismo do século XVIII possui um efeito profético:

“A doutrina materialista acerca da transformação das circunstâncias e da educação esquece que as circunstâncias são transformadas pelos homens e que o próprio educador deve ser educado. Esta doutrina deve, portanto, dividir a sociedade em duas partes, uma das quais acha-se superior à sociedade[14].”

Ou, nós podemos acrescentar, superior à classe que ela diz representar, assim como os filósofos diziam representar os interesses da sociedade ou da humanidade como um todo. E de fato, como “unidade de teoria e prática”, na forma de “socialismo científico”, a doutrina materialista tornou-se um elemento básico da ortodoxia naquelas organizações e correntes de pensamento que apresentavam-se a si mesmas como marxistas; ela simplesmente tomou esse sabor doutrinário.

A relação da teoria revolucionária com a prática política adquiriu a forma prática da relação dos teóricos (em sua maioria intelectuais) dentro das organizações políticas com as massas de trabalhadores que eles supostamente representavam e dirigiam. Por exemplo, ao afirmar que “sem teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário”, Lênin, em 1902, estava dizendo que “a consciência socialista é algo introduzido de fora à luta da classe proletária e não algo que surge espontaneamente dentro dela.” Ele cita Kautsky, o sumo sacerdote da ortodoxia social-democrata:

“É evidente que o socialismo, enquanto doutrina, tem suas raízes nas relações econômicas modernas tanto quanto a luta de classes do proletariado e, como o último, ele emerge da luta contra a pobreza e a miséria das massas criadas pelo capitalismo. Mas o socialismo e a luta de classes surgem lado a lado, e não uma da outra. A consciência socialista moderna só pode surgir sobre a base de um profundo conhecimento científico. O veículo da ciência não é o proletariado, mas a intelligentsia burguesa (…) a tarefa da social-democracia é imbuir o proletariado com a consciência de sua posição e a consciência de sua tarefa.”

Assim, como prossegue Lênin em suas próprias palavras, “uma vez que não é possível falar de uma ideologia independente formulada pelas próprias massas trabalhadoras no processo de seu movimento, a única escolha é entre ideologia burguesa ou ideologia socialista – em ambos os casos, fornecida pelos intelectuais[15].”

Essa posição refletia (e deveria justificar) a efetiva divisão do trabalho dentro dos movimentos marxistas, que tal como a divisão na sociedade como um todo, situa-se entre os líderes profissionais ou responsáveis pela tomada de decisões, e as massas que devem ser supridas pelos primeiros com perspectiva, estratégia e tática. Afora sua implausibilidade exterior como uma teoria da consciência e de como ela se transforma, que essa posição representasse apenas uma expressão ideológica dos interesses de revolucionários profissionais como um grupo social foi amplamente demonstrado pelos eventos em torno da época da Primeira Guerra Mundial. Na Europa ocidental, essa teoria supostamente marxista, tanto “ortodoxa” como “revisionista”, revelou ser compatível com uma prática organizacional que era não apenas menos revolucionária, como ativamente reacionária em comparação com a resposta de um grande número de trabalhadores às novas condições de crise. Na Alemanha e na Rússia (como em toda parte), essas organizações “marxistas” responderam aos levantes revolucionários que sucederam a guerra, seja como salvadores do capitalismo (no ocidente), seja como os criadores de um novo poder de Estado (na Rússia), suprimindo as tentativas dos trabalhadores de obterem poder direto sobre a produção. A social-democracia, tanto na sua forma reformista quanto na sua forma “revolucionária” (bolchevique), mostrou sua relação para com as façanhas de classes particulares em países particulares – a racionalização, especialmente através da ação do Estado, do capitalismo no Ocidente; e a criação de uma nova sociedade de classes para levar a cabo o processo de industrialização proibido à burguesia no leste subdesenvolvido. 

Em contraste com a interpretação dominante da “unidade da teoria e prática” como o controle do movimento operário pelo partido e da sociedade socialista pelo partido-Estado, por volta da virada do século, Rosa Luxemburgo retomou a concepção de Marx ao expressar a ideia de que um movimento realmente socialista deve ser “o primeiro na história das sociedades de classes que reconhece, em todas as suas fases e ao longo de todo o seu percurso, a organização e a ação direta e independente das massas.” Da maneira como ela enxergava, “a ação social-democrata (…) surge historicamente da luta de classes”, e se torna “consciente de seus objetivos no curso da própria luta”. Em sua opinião, a ação dos autoproclamados portadores da teoria revolucionária, a intelligentsia burguesa, constituía um elemento subsidiário e politicamente menos confiável do processo revolucionário. Como ela previu muito antes do golpe de estado bolchevique, ela representava uma ameaça de uma ditadura sobre o proletariado, tanto nas organizações de esquerda quanto na futura sociedade. Contra Kautsky e Lênin, ela afirmou que

“A classe operária exige o direito de cometer seus próprios erros e de aprender na dialética da história. Sejamos francos. Historicamente, os erros cometidos por um movimento verdadeiramente revolucionário são infinitamente mais frutíferos do que a infalibilidade do Comitê Central mais perspicaz[16].”

Também essa posição refletia a experiência e as necessidades de um segmento particular da sociedade em uma época particular – não apenas teóricos da ultra-esquerda, como também militantes da classe operária com os quais eles se associavam em sua atividade organizacional. Na época de Rosa Luxemburgo, havia evidência considerável tanto dos efeitos negativos da política parlamentar e sindical sobre o radicalismo dos trabalhadores quanto da capacidade dos trabalhadores de organizarem sua própria ação radical na ausência, e de fato perante os esforços organizativos oficiais da esquerda. A verdade das percepções de Luxemburgo foi demonstrada decisivamente, por um lado, pela política de colaboracionismo de classes da II Internacional na Europa Ocidental em 1914 e pelo desenvolvimento da ditadura bolchevique na Rússia; e, por outro, pelas revoluções espontaneamente organizadas na Rússia e na Alemanha, assim como acontecimentos semelhantes, embora menos espetaculares, ao redor do Ocidente. Inclusive, enquanto Rosa Luxemburgo ainda acreditava na necessidade de uma organização partidária como a base para a revolução, os eventos reais mostraram a importância ainda maior de novas formas surgidas das relações sociais nas quais as vidas dos trabalhadores estavam estruturadas. Nos comitês de fábricas e nos sovietes (conselhos de operários, soldados e camponeses), o conceito de Marx de desenvolvimento de uma nova sociedade no seio da antiga assumiu um significado concreto. Essa experiência histórica, portanto, envolveu também uma justificação da atitude de Marx no sentido da relação da “consciência”, teórica e tática, com a ação real de grupos sociais.

Estes eventos provocaram um renascimento da análise revolucionária na medida em que militantes envolvidos ou afetados pelas lutas do pós Primeira Guerra Mundial tentavam compreender o fracasso da II Internacional, o caráter contrarrevolucionário da III (e sua caricatura trotskista) e a potencialidade para novas formas de organização e ação reveladas pelos movimentos revolucionários de massas. Tal pensamento também foi estimulado pelos esforços feitos por operários e camponeses espanhóis no desenvolvimento de relações comunistas/socialistas na revolução de 1936-37. Nos anos 1930 e 1940, os teóricos tentaram mais uma vez compreender a realidade no que dizia respeito às necessidades da revolução; podemos destacar aqui o trabalho em teoria política e econômica de Otto Rühle, Anton Pannekoek, Paul Mattick, Karl Korsch e Henryk Grossmann.

Com o colapso dos movimentos revolucionários no entreguerra, contudo, e a solução, através da Segunda Guerra Mundial, da situação de crise imediata que havia começado para o capitalismo mundial em 1929, as ideias desapareceram com as atividades que elas vinham tentando compreender e estruturar. O resultado foi que a versão leninista do marxismo ortodoxo social-democrata, agora a ideologia oficial de vários Estados totalitários, sobreviveu como uma representante da teoria marxista. Isso só foi desafiado por um marxismo professoral, filosófico e “humanista”, que tomando inspiração particularmente das obras de juventude de Marx, não fez uso nem da análise do capitalismo de Marx, tampouco das consequências a serem delas extraídas para a ação revolucionária.

No leste, particularmente nos países satélites, a crítica de Marx da economia política foi identificada, de forma bastante compreensiva, como um adereço ideológico para o sistema stalinista. No Ocidente, o capital parecia ainda mais fora de sintonia com a realidade econômica do que na virada do século, quando Bernstein e seus seguidores viraram as suas costas à ortodoxia marxista. A abolição do capitalismo na Rússia não havia obviamente resultado na conquista do poder operário. Por outro lado, a sociedade capitalista não tinha evoluído na direção de uma óbvia polaridade entre um pequeno grupo de capitalistas ricos e uma massa de proletários empobrecidos, periodicamente reduzidos à total destituição pelas crises econômicas. Se por um lado, o controle sobre o capital foi continuamente centralizado, o pequeno grupo dos muito ricos e poderosos figura no topo de um continuum de riqueza e privilégio no qual status e nível de renda parecem substituir a classe (isto é, a relação com os meios de produção) como o centro do interesse analítico. Além do mais, a combinação da guerra com políticas keynesianas em tempos de paz tornou possível um crescimento econômico contínuo e um aumento dos rendimentos para um grande número de trabalhadores.

Para os vinte anos de relativa estabilidade social que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, tanto defensores do status quo quanto críticos de esquerda concordaram de um modo geral que o capitalismo havia escapado às “leis de ferro” de Marx. A base do conflito econômico entre trabalhadores e patrões foi corroída pelo avanço tecnológico e a manipulação política da economia, que juntos possibilitaram a prosperidade permanente e a satisfação pelo menos de todas as demandas materiais. Se por um lado as vozes oficiais da sociologia, economia e ciência política celebraram essa situação como o “fim da ideologia”, por outro lado, pessimistas de esquerda lamentaram o advento da sociedade “unidimensional”, na qual nenhuma força oposicional sobrara a não ser a ideologia, na forma de uma “teoria crítica” (ou de uma “revolução cultural”). Eles concordaram com os conservadores que a oposição material ao sistema foi restrita à ameaça representada pelos assim chamados sistemas socialistas da Rússia, China e seus aliados. A esperança pela mudança no mundo residia antes de tudo nos camponeses do Terceiro Mundo, embora eles achassem aliados nos países desenvolvidos entre minorias desprivilegiadas e no movimento estudantil. O caráter leninista dessa figura da vanguarda portadora da teoria, abandonada pelas massas da aristocracia do trabalho e aguardando o começo da destruição do capitalismo nos seus elos mais fracos, vai longe na explicação da transição aparentemente bizarra em alguns Novos Esquerdistas de um interesse na “cultura” e “estilos de vida libertadores” às fantasias militaristas de guerrilha.

Se tais visões pudessem ser grosseiramente identificadas como “stalino-humanismo”, um conjunto de ideias relacionado mas, aos meus olhos, mais interessante emergiu da crítica trotskista da União Soviética, que foi identificada como a vanguarda na tendência do capitalismo então vigente para o monopólio e a regulação estatal. Esta corrente (representada de forma variada pelo grupo Socialismo ou Barbárie, os ingleses do Solidarity, Facing Reality em Detroit, o grupo em torno de Murray Bookchin, a Internacional Situacionista e outros) reavivou a crítica anterior ultra-esquerdista ao leninismo, que agora era igualado ao marxismo. O início da prosperidade permanente não era visto nem como uma razão para o pessimismo nem como o golpe mortal à ideologia. Ao contrário, apenas por sugerir a possibilidade da satisfação total de todos os desejos, o capitalismo moderno – ocidental e oriental – estava destinado a produzir um conflito entre sua promessa e as restrições assentadas sobre sua realização pelas instituições da propriedade privada e do Estado. O velho conflito entre uma classe trabalhadora empobrecida e uma classe dominante rica abriu caminho apenas para expor a contradição mais profunda e insolúvel entre aqueles que controlam a vida dos outros e aqueles que são controlados, em um período da história quando o fim da escassez tornou tal divisão irracional. Novamente, os problemas não eram claramente de ordem “econômica”, mas da ordem de uma libertação social e espiritual. O marxismo foi rejeitado na medida em que pensou-se fazer essa distinção e concentrar-se no primeiro.

Ambas estas tendências de esquerda, assim como a sociologia burguesa, restringiram sua apreciação de Marx às suas primeiras obras. A redescoberta destas explorações da “alienação” apelou àqueles que se regozijavam, assim como àqueles que se preocupavam, naquele mal-estar cultural que parecia ser um subproduto do bem-estar material. Mas o final da “prosperidade permanente” no final dos anos 1960; o fracasso da “revolução tecnológica” em sair da esfera da produção armamentícia; a crescente assimilação das condições e consciência da “nova” classe trabalhadora, técnica e intelectual, àquelas de seus colegas de colarinho azul (incluindo a experiência do desemprego em massa); e a desintegração do esquerdismo estudantil e do movimento da “juventude” provocaram, enquanto tal, um renovado interesse na principal obra de Marx, a teoria do desenvolvimento capitalista.

Ao mesmo tempo, a insignificância prática das seitas leninistas revolucionárias e o autoproclamado reformismo dos partidos de massa da esquerda no Ocidente deixaram o caminho aberto a uma redescoberta das possibilidades criativas da classe trabalhadora em um capitalismo que entra mais uma vez em uma crise visivelmente dolorosa. Como a teoria de Marx da transformação econômica é uma só junto à sua teoria da revolução, o renovado interesse no Capital deveria ir de mãos dadas tendo consideração dos pontos de vista sobre a natureza do radicalismo político. Uma vez mais, talvez seja possível levantar a questão da relação da teoria com a prática, da ciência com o socialismo, de forma que não suponha a submissão da luta de milhões de pessoas a um punhado de líderes “armados com a ciência marxista”.

Discutindo os socialistas utópicos, Marx observou que

“Visto que o proletariado não é ainda suficientemente desenvolvido para constituir-se a si próprio enquanto classe e, consequentemente, que a própria luta do proletariado com a burguesia ainda não assumiu um caráter político, e as forças produtivas não desenvolveram-se ainda suficientemente no bojo da própria burguesia de forma que nos permita vislumbrar as condições materiais necessárias para a emancipação do proletariado e para a formação de uma nova sociedade, estes teóricos são meramente utopistas que, para satisfazer os desejos das classes oprimidas, improvisam sistemas e vão em busca de uma ciência regenerativa. Mas na medida em que a história avança, e com ela a luta do proletariado assume contornos mais claros, eles não precisam mais procurar a ciência em suas mentes; eles tem apenas de observar o que está acontecendo diante de seus olhos e se tornar o seu porta-voz[17].”

Embora o atual [1979] espírito da classe operária não seja revolucionário, os problemas que nós temos hoje em compreender a natureza da ação revolucionária não deriva primariamente de uma insuficiência de desenvolvimento capitalista ou uma falta de experiência história da luta de classes. De fato, esta história oferece-nos mais do que um suplemento à observação do que acontece diante de nossos olhos, na medida em que permite-nos destacar conceitos para auxiliar na interpretação dos eventos do presente. Tais conceitos não podem abastecer-nos com estratégias e táticas para as situações que nós enfrentamos e iremos enfrentar, mas eles são essenciais como uma educação que ajuda a nos prepararmos para a criatividade que a atividade revolucionária exige.

Uma compreensão da transformação das condições do movimento operário requer uma compreensão de seu contexto, da sociedade capitalista. A sociedade continuou a desenvolver-se e mudar desde que o Capital foi escrito e de formas que não recebem muita atenção nos escritos de Marx, em particular com um aumento da participação do Estado na atividade econômica. Os novos desenvolvimentos exigem discussão teórica. Como as técnicas keynesianas fizeram frente aos limites que Marx descobrira no capitalismo de seu tempo? A execução de tais técnicas à sua conclusão lógica, na dominação total da economia pelo Estado na Rússia, China etc., representam uma nova forma de sociedade exploratória? Acima de tudo, temos de compreender a natureza do capitalismo para definir a sociedade que nós desejamos criar em seu lugar. Para todas estas questões, a obra de Marx continua sendo um ponto de partida essencial. Ao fornecer-nos um modelo de desenvolvimento do capitalismo “puro”, permite-nos julgar o significado de fenômenos como a monopolização e a interferência estatal na economia, ver em que sentido os sistemas de administração pelo partido/Estado representam alternativas ao capitalismo privado, e colocar questões básicas sobre a construção de um sistema sem capital ou Estado.

Mas o Capital não é, como tem sido considerado, apenas uma “teoria do desenvolvimento capitalista”. É uma “crítica da economia política” – isto é, uma investigação das suas bases e uma alternativa às formas de pensamento características da vida numa sociedade dominada pelo mercado. Como tal, ele não apenas “observa” as nossas experiências neste sistema, mas, ao demonstrar uma nova maneira de interpretá-las, fornece uma arma necessária para a luta contra o sistema. Ao mostrar as raízes da teoria capitalista na prática capitalista, a obra teórica de Marx é uma ferramenta prática com a qual podemos aprender a organizar nossa própria atividade de novas formas.

É uma notável confirmação das ideias de Marx sobre a relação entre realidade social e as teorias construídas para compreendê-la, que os primeiros cinquenta anos do movimento marxista viram um quase total fracasso não apenas de expandir como de entender os escritos econômicos de Marx. Embora uma constante retórica tenha sido prestada ao Capital como a “Bíblia da classe trabalhadora” (!) socialista científica, é justo dizer que a publicação de A Lei de Acumulação e o Colapso do Sistema Capitalista de Henryk Grossman em 1929 marcou a primeira tentativa séria e instruída de compreender a verdadeira obra de Marx. Desde então, houve apenas alguns livros de importância, seja como exegese ou como extensão da teoria de Marx. Marx teorizou com a suposição de um sistema capitalista mundial desenvolvido, dividido em duas classes com a vasta maioria vivendo como assalariados. Mesmo uma aproximação a um tal estado de coisas na Europa, América do Norte e Japão havia passado a existir apenas recentemente. Até a Grande Depressão de 1929, toda crise havia anunciado uma nova prosperidade no curso da qual uma tendência de crescimento a longo prazo iria continuar. É apenas hoje, quando o capitalismo parece incapaz (pelo menos na ausência de uma guerra mundial) de continuar sua expansão externa por um rápido desenvolvimento do Terceiro Mundo, e internamente pela manutenção de taxa de crescimento estável, que as questões que Marx levantou sobre as tendências de longo prazo se tornaram questões do momento.

Se Marx é agora mais relevante que nunca, a tradição supostamente “marxista” na qual suas relíquias foram consagradas tem pouco a oferecer-nos como um guia para a compreensão, e muito a confundir-nos. Se faz necessário, portanto, retornar ao próprio Capital como um ponto de partida para novos progressos na análise. Mesmo à parte dos acréscimos ideológicos das últimas centenas de anos, contudo, a obra de Marx coloca certas dificuldades para o leitor. Deve-se dizer que, nesta questão, intelectuais profissionais não demonstraram qualquer vantagem sobre os leitores da classe trabalhadora. Isto se deve sem dúvida à desvantagem de possuir interesses profissionais incompatíveis com a tarefa de levar Marx demasiado a sério. Mas mesmo supondo um desejo de entender o mundo qual como ele é, Marx teve de prevenir seus leitores de que “não existe estrada real para a ciência, e apenas aqueles que não temem a escalada fatigante de seus caminhos íngremes tem a chance de conquistar sues cumes luminosos[18].”

Além da dificuldade inerente em confrontar-se com qualquer teoria abstrata, particularmente uma, como a de Marx, que nos pede para pensar sobre um assunto familiar de uma forma pouco familiar, o Capital apresenta ao leitor uma série de problemas peculiares ao que o autor chamou de “método de apresentação” de suas ideias. Antes de tudo, a estrutura dos argumentos é tal que é apenas quando os três volumes são lidos que o inteiro significado do primeiro pode ser percebido. Marx deveria ter começado com uma clara explicação do que ele estava tentando fazer e do método que ele iria aplicar, mas ele não o fez. Em segundo lugar, o livro de Marx se parece tanto com uma obra de análise econômica que é difícil lembrar e compreender o significado de seu título original: crítica da economia política. O que Marx quis dizer com “crítica”, e o que concomitantemente é a relação da sua obra com a teoria econômica, requer uma exposição. Além disso, embora “seja consenso geral que Marx era um mestre da literatura alemã[19]”, seu estilo não pode ser chamado “popular” ou simples. Como ele escreveu à Kugelmann em referência a esse problema,

“É em parte devido à natureza abstrata do objeto, em parte ao espaço limitado prescrito a mim e ao objetivo da obra (…) As tentativas científicas de se revolucionar uma ciência nunca podem ser realmente populares. Mas, uma vez que a base científica é estabelecida, a popularização torna-se fácil. Se os tempos tornarem-se um pouco tempestuosos, será possível novamente escolherem-se cores e tintas que irão cobrir uma apresentação popular destes assuntos[20].”

Até o presente, uma tal apresentação ainda não foi escrita. A série esperada de artigos[21], na qual isto é uma introdução, não pretende responder a essa necessidade, mas antes fornecer suficiente contextualização metodológica para capacitar o leitor a lidar com a escrita própria de Marx. Nós começaremos com uma investigação dos objetivos políticos e intelectuais de Marx no Capital e depois veremos como a forma do argumento deriva destes. Terminaremos com uma discussão da extensão com que Marx alcançou seu objetivo – isto é, como que a sua teoria pode nos ajudar a organizar a derrocada do sistema atual da vida social e a construção de um novo.


[1] Marx a Arnold Ruge, setembro. 1843 Karl Marx on Revolution ed. Saul K. Padover (NY: Mc Graw-Hill; 1971), p. 517-18; original em Marx Engels Werke (doravante MEW) (Berlim: Dietz Verlag, 1959) 1:345. Disponível (em espanhol) online: https://www.marxists.org/espanol/m-e/cartas/m09-43.htm

[2] Marx e Engels, The German Ideology (NY: International Publishers, 1939), p. 79. Em português: A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

[3] Marx, Notes on Bakunin em NEW 18: 5970642; citado e trans. por Richard N. Hunt, the Political Ideas of Marx and Engels (Pittsburgh: Univ. of Pittsburgh Press, 1974), p. 326. Disponível online: https://www.marxists.org/portugues/marx/1874/04/bakunin2.htm.

[4] Marx e Engels, The German Ideology (NY: International Publishers, 1939), pp. 13-14. Em português: A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

[5] Marx, Class Struggle in France 1848-1850 (International Publishers, 19634) pp. 12, 14, 15. Disp. online: https://www.marxists.org/portugues/marx/1850/11/lutas_class/index.htm

[6] Engels a J. Weydemeyer, 12 de abril de 1853, Marx-Engels Selected Correspondence (doravante MESC) (Moscou: Foreign Language Publishing House, n.d.) p. 94.

[7] Cf. Hunt, op cit pp. 212-283 e passim. Em 1874, Engels criticou a ideia blanquista de revolução nos seguintes termos: “Da concepção de Blanqui de que toda revolução é um ataque surpresa de uma pequena minoria revolucionária decorre a necessidade de uma ditadura após o sucesso da empreitada. Esta seria, certamente, não a ditadura de toda a classe revolucionária, o proletariado, mas de uns quantos que fizeram o ataque surpresa e que são eles próprios previamente organizados sob a ditadura de um ou vários indivíduos.” (Engels, “Programm der Blanquisten Kommunefluchtilinge”, in MEW 18:529, citado e traduzido por Hunt, op. cit. p. 311).

[8] Marx a F. Freiligrath, 29 de fevereiro de 1860 in MEW 30: 495.

[9] Marx a J. B. Schweitzer, 13 de outubro 1868 MESC pp. 257-58.

[10] Marx, “General Rules of the International Workingmen’s Association”: em Karl Marx on the First International ed. S. Padover (NY: McGraw-Hill, 1973) p. 13 e “Instructions for delegates of the provisional general council” (1866) ibid. p. 27. Disp. online: https://www.marxists.org/portugues/marx/1871/10/24.htm; https://www.marxists.org/portugues/marx/1866/08/instrucoes.htm (respectivamente).

[11] Marx a J. B. Schweitzer, op. cit. p. 259.

[12] T. Bottomore e M. Rubel eds. Karl Marx; Selected Writings in Sociology e Social Philosophy (Penguin 1963), pp. 210-11.

[13] Marx, Capital (Penguin, 1976) 1: 104. Em português: O Capital. São Paulo: Boitempo, 2011.

[14] Marx, “Theses on Feuerbach”: in Bottomoore and Rubel, op. cit. pp. 82-83.

[15] Karl Kautsky, citado por Lênin, “What is To Be Done?” [Que Fazer?] em seus Selected Works (NY: International Publishers, 1967), 1: 129-130 cf. ibid. pp. 82-83.

[16] Rosa Luxemburgo, “Organizational Questions of Social Democracy” em Rosa Luxemburg Speaks, ed. Mary Alice Waters (Pathfinder Press, 1970) pp. 117-18 e 130.

[17] Marx, The Poverty of Philosophy (Moscou, Foreign Language Publishing House, n.d.) p. 125. Em português: Miséria da Filosofia. São Paulo: Boitempo, 2017.

[18] Marx, Capital 1: 104.

[19] Bem Fowkes Translator’s Preface to Capital 1: 88.

[20] Marx a L. Kugelmann, 28 de dezembro de 1862 in briefe uber “Das Kapital” (Berlim, Deitz Verlag, 1954) p. 114. Disp. online: https://pt.wikisource.org/wiki/Cartas_de_Marx_ao_Dr._Kugelmann/28_de_Dezembro_de_1862

[21] [N.T.] O artigo escrito por Paul Mattick Jr. e publicado pela Root and Branch (ReB) foi o último deste coletivo. O ReB encerrou as suas atividades poucos anos depois, em 1981, e, portanto, não foi publicada a prometida sequência de artigos a serem escritos por Mattick Jr.

Traduzido por Alexandre Guerra, a partir da versão disponível em: https://libcom.org/library/theory-practice-introduction-marxian-theory-root-branch. Revisado por Felipe Andrade.

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