Bolchevismo ou Comunismo – Partido Operário Unificado

Bolchevismo ou Comunismo
Sobre a Questão de um Novo Partido Comunista e a “Quarta” Internacional[1]

Bolchevismo ou comunismo
O Partido Operário Unificado e a Declaração do Comitê Nacional da Liga Comunista dos Estados Unidos, Oposição de Esquerda, sobre a questão de um novo Partido e uma Nova Internacional (Quarta)

I

O passo dado pela Oposição de Esquerda, que pretende levar a um novo partido comunista e a uma nova Internacional, é visto pelo Partido Operário Unificado (POU) como um sinal progressivo e foi o ponto de vista adotado pelo POU quando ele rejeitou uma política de reformar o antigo e corrupto Partido Comunista da Internacional Comunista. Compartilhamos, com a Oposição de Esquerda, a opinião de que um novo PC e uma nova Internacional são uma necessidade. O convite da Oposição de Esquerda (Militante, 30 de setembro de 1933)[2] para participar da discussão sobre a formação de um novo movimento Comunista foi entendido pelo POU como um avanço sincero por parte da Oposição de Esquerda para ajudar a esclarecer o movimento operário. Nenhum outro motivo nos guia e nossa crítica não é uma crítica pela crítica, mas pela revolução proletária. Não temos uma burocracia que está engajada numa luta competitiva com o aparato de outras organizações; acreditamos que a revolução não é uma questão de partido, mas a tarefa dos trabalhadores enquanto uma classe e estamos dispostos a trabalhar na luta de classes real (a despeito das diferenças teóricas) junto com a Oposição de Esquerda bem como com todos outros proletários, esperando que nossa política será aceita no decorrer da luta aceita como uma política bem-sucedida.

II

O pedido por uma nova internacional e por novos partidos comunistas foi emitido pela conferência de Paris como o primeiro passo para compensar o absoluto colapso da Internacional Comunista (Internacional) como uma organização revolucionária que se tornou claro para todos os revolucionários reais após o fracasso alemão. O POU anteviu este colapso da Internacional Comunista vários anos antes que ele ocorresse de fato e foi por este motivo que ele se engajou numa luta contra as tendências contrarrevolucionárias da Internacional. Nós não só defendemos a posição de que as táticas da Internacional estavam erradas, mas também lutamos por uma questão de princípio. Ainda achamos que um novo movimento comunista deve diferir da Internacional não só nas táticas, mas também no princípio.

Do mesmo modo que o Partido Comunista da Alemanha (KPD) põe a culpa do fiasco alemão no Partido Socialista, a Oposição de Esquerda culpa principalmente a política stalinista da Internacional. Na opinião da Oposição de Esquerda, os erros do KPD, as táticas da Internacional e a má liderança da Internacional devem ser as responsáveis pela derrota da classe trabalhadora alemã. A estupidez de Stalin, a malícia de Stalin, a covardia de Stalin (sempre significando a burocracia de Stalin como um todo) é comparada à liderança inteligente, à política correta e ao espírito revolucionário de Trotsky e seus seguidores. No essencial, a questão inteira é praticamente reduzida a uma questão de boa ou má liderança. Isso quer dizer que a questão da revolução proletária é colocada no campo da pura especulação, uma vez que ninguém pode dizer por quanto tempo uma liderança será boa e quando ela começará a se tornar ruim.

A linha política do stalinismo fracassou – o retorno à política bem-sucedida de Lenin e Trotsky é a política básica atual da Oposição de Esquerda. Aqui, uma luta fracionária é elevada à história mundial. Tenta-se superar a tendência ao fascismo mundial como um produto da crise permanente do capitalismo por meio de uma política correta contra uma política incorreta de um grupo político.

O sucesso de Lenin e Trotsky é um sucesso histórico; não garante o mesmo sucesso noutro período em outro período e em condições diferentes. O “retorno a Lenin” é absolutamente insignificante já vez que a luta pela revolução ocorre em países industriais altamente desenvolvidos. Isto é, no capitalismo, numa crise permanente, numa escala internacional. No que diz respeito a Lenin, ele contribuiu para o marxismo nem mais nem menos do que a aplicação prática do apelo marxiano por uma ditadura, numa forma modificada, num país atrasado. Esta modificação se deveu ao atraso da Rússia e à fraqueza de sua classe trabalhadora em comparação ao campesinato. Imitar as experiências russas, voltar àquilo que dá valor a Lenin, é, num sentido marxiano, pura estupidez. O POU não reconhece essas coisas inventadas, como o “leninismo”; ele apenas considera Lenin um marxista que não foi capaz de se libertar totalmente da influência do assim chamado marxismo ortodoxo degenerado da Social-Democracia. O POU, ao invés de retornar a Lenin, revive o marxismo real em sua forma original antes que os epígonos tivessem destruído seu valor revolucionário. Não somos uma organização leninista, e sim uma organização marxiana. Em nossa opinião, uma distinção entre o stalinismo e o leninismo é impossível, já que o primeiro foi o resultado, o desfecho real do segundo. Então, em nossa opinião, uma distinção entre o trotskismo e o stalinismo só é possível numa base puramente conceitual, isto é, irreal. Na realidade, esta distinção não existe e o fracasso do grupo de Trotsky em distinguir não só em questões táticas, mas também em questões de princípio é mais do que prova disso.

Em nossa opinião, a política de Stalin historicamente não está somente derrotada, mas toda a política bolchevique, que inclui Lenin e Trotsky, encontrou seu fim lógico. O bolchevismo, em todas as suas formas, está falido. A questão não é stalinismo ou leninismo, mas bolchevismo ou comunismo. Em vez de que enfrentar a questão do bolchevismo ou comunismo, a Oposição de Esquerda, ao tentar construir um movimento operário sobre novas fundações não faz (a despeito de todas as críticas) praticamente nada mais do que encobrir o fracasso do movimento bolchevique, que teria fracassado igualmente com a política de Trotsky como fracassou sob a liderança de Stalin.

III

Para chegarmos à principal discordância que temos contra ambas as frações do bolchevismo – leninista-trotskista, assim como a stalinista, temos que retornar à concepção mecanicista de materialismo defendida por Lenin. A concepção de Lenin via na consciência nada senão o reflexo do mundo externo, uma concepção que o levou a subestimar o papel da espontaneidade na história. Para Lenin, como para Kautsky, a consciência socialista não é idêntica ao proletariado, mas é introduzida aos trabalhadores de fora. Introduzir esta consciência é a tarefa do partido. Para Marx, contudo, a luta de classes é idêntica à consciência de classe. Nem Kautsky nem seu pupilo Lenin conseguiram compreender isso. Em seu panfleto O que fazer, Lenin escreve:

Não é possível pensar numa ideologia independente maturada pelas próprias massas trabalhadoras no decorrer de seu desenvolvimento. A história de todos os países é testemunha que a classe trabalhadora, por si mesma, só é capaz de desenvolver uma consciência trade-unionista – isto é, a convicção da necessidade de se reunir em sindicatos, de conduzir uma luta contra o empregador, de demandar do governo esta ou aquela medida legislativa de interesse dos trabalhadores, etc. A doutrina socialista, contudo, seguiu as teorias filosóficas, históricas e econômicas que se originaram com representantes educados das classes possuidoras, a intelligentsia.[3]

A totalidade do movimento operário até este momento havia aceitado a consciência de classe como idêntica à ideologia socialista. Na medida em que esta ideologia organizada continuava crescendo, isso queria dizer que a consciência de classe estava crescendo. O partido expressava a força da consciência de classe. O ritmo da revolução era o ritmo do sucesso do partido. É claro, as relações eram condicionadas pela boa vontade com que as massas aceitavam a propaganda do partido, mas as próprias massas, sem a propaganda, não estavam aptas a conduzir um movimento genuíno. A revolução dependia da propaganda correta; isto dependia, por sua vez, da liderança do partido e da genialidade dos líderes; e então, ainda que de forma indireta, a história era, afinal, em última análise, a obra de “grandes homens”. Mas para Marx “não basta que o pensamento insista em se tornar realidade, a realidade deve ela mesma se impelir a se tornar pensamento”[4]. O proletariado enquanto tal era, para Marx, a realização do movimento dialético rumo à sociedade comunista. Seu poder material é idêntico à sua vontade, assim como à sua consciência. Para Marx, o proletariado é a realização da filosofia; a existência do proletariado, suas necessidades vitais, sua luta, sem consideração pelos trapaceiros ideológicos. A estimativa equivocada do papel da consciência levou o antigo movimento operário, incluindo os grupos ao redor da 4ª Internacional, a superestimarem o papel do partido e, no sentido mais estrito, o papel do indivíduo no processo histórico. A Oposição de Esquerda ainda não se libertou desta concepção equivocada. Ainda erra ao se identificar com a revolução.

De nosso ponto de vista, a declaração da Oposição de Esquerda de que ainda se apoia sobre as bases dos primeiros quatro congressos da Internacional Comunista quer dizer que não se encontra sobre base nenhuma, já que o período da Internacional Comunista de Lenin já se baseava numa má interpretação do marxismo, o que levou não ao desenvolvimento, mas a uma restrição das forças revolucionárias reais da classe trabalhadora. Não podemos aceitar nenhum congresso da Internacional Comunista como base política, pois todos foram resultado de uma posição equivocada sobre a questão da organização.

Sobre a questão da organização, nós defendemos a posição de Rosa Luxemburgo, que, em sua controvérsia com Lenin (1904-1908), já previu o perigo implicado na concepção teórica equivocada de Lenin, a qual foi adotada pelo Partido Bolchevique. A história provou que Rosa Luxemburgo tinha a posição correta nesta controvérsia. A derrota alemã é o resultado direto da política errada de Lenin e do movimento bolchevique.

Não é por acaso que Trotsky adora comparar eventos mundiais em relação ao movimento revolucionário com situações similares que ocorreram no curso da Revolução Russa. Como Lenin, ele não distingue entre o movimento em países industriais e o movimento na Rússia. Ele usa o exemplo russo ao lidar com a revolução na Europa ocidental e nos Estados Unidos. Na Rússia, na opinião de Lenin e Trotsky, foi o Partido Bolchevique que conduziu os trabalhadores e os camponeses ao sucesso. Foi o partido que assumiu o controle dos meios de produção. O slogan marxista da “Ditadura do Proletariado” se tornou a Ditadura do Proletariado, realizada e exercida através da ditadura do partido. Nada mais era possível na Rússia. A fim de superar as dificuldades causadas pelo atraso do país, a concentração do poder político era uma necessidade e esta degeneração da ditadura dos trabalhadores na ditadura do partido necessariamente levou também ao regime burocrático de Stalin. Contudo, isto já estava construído sob a liderança de Lenin e Trotsky. Esta política ainda é defendida pela Oposição de Esquerda. Ainda reconhecem na ditadura do proletariado nada mais que a ditadura do partido, ou seja, da burocracia do partido. Esta posição, a identificação da revolução com o partido, torna claros os problemas táticos atuais da Oposição de Esquerda. Ela não abandonará a tática trade unionista enquanto as massas estiverem assim organizadas. Ela está engajada numa luta concorrencial com todas as outras organizações para obter controle sobre as massas, para ter um grande número de seguidores, para dirigir tantos quanto possível para levar a política do grupo de Trotsky a um desfecho bem-sucedido. O atraso das massas (a fim de conquistá-las para o partido) precisa de slogans atrasados. Na luta pelas massas, o reformismo e o oportunismo serão aceitos se necessário. O partido dirigirá; e se esta direção, como no caso da derrota alemã, for contrarrevolucionária, as massas seguirão seus líderes na contrarrevolução.

A totalidade o movimento operário dos últimos cinquenta anos dependia da ação da liderança. Se a liderança fosse um fracasso, as massas que seguiam essa liderança também o eram. Os partidos estavam dirigindo as massas. As massas, sozinhas, sem os partidos, não podiam fazer nada. A iniciativa das massas foi inteiramente destruída. Uma frente unificada real dos trabalhadores numa luta se tornou uma impossibilidade devido à luta concorrencial das diferentes organizações. Com o crescimento da organização, o controle se tornou uma impossibilidade. A despeito de todas essas coisas, a Oposição de Esquerda ainda não modificou sua atitude acerca da questão da relação entre o partido e as massas.

A esperança da Oposição de Esquerda e dos outros grupos ao redor da 4ª Internacional por um novo movimento do estilo antigo será esmagada. Novas organizações de massas que dependem de uma nova liderança burocrática tornaram-se uma impossibilidade. Organizações ilegais são necessariamente muito pequenas e não muito centralizadas. O movimento operário se tornará, no decorrer do tempo, ilegal em todos os outros países, como já se tornou na Alemanha, Itália, Áustria e Rússia. O fato de ainda haver países que permitem a existência de organizações operárias legais prova que nestes países a luta de classes ainda não se desenvolveu a um ponto em que é perigosa para a classe dominante. O que acontece com a ideia de que o partido é uma necessidade absoluta para a revolução em circunstâncias nas quais o partido não consegue mais funcionar de uma maneira que possa influenciar grandes grupos de trabalhadores? Com base na concepção da Oposição de Esquerda, a resposta seria que não haverá revolução. Porém, para Marx, a revolução é inevitável, pois se baseia não só nas relações de produção da sociedade, mas no desenvolvimento das forças produtivas que subjazem todas as formas de sociedade. Inclusive um período de barbárie seria de caráter histórico, uma derrota temporária; o progresso deve continuar. O que a Oposição de Esquerda não compreendeu ainda é a concepção marxiana de que todas as coisas são de caráter histórico, inclusive o partido. Porque o partido foi uma vez a expressão das crescentes forças revolucionárias não quer dizer que sempre o será. Se o partido pode, por um lado, acelerar o desenvolvimento geral e encurtar as dores do parto da nova sociedade, por outro, ele pode atrasar o desenvolvimento e funcionar como um obstáculo. Só é possível determinar se o partido ainda pode ser considerado como um centro para a cristalização da consciência de classe na situação atual a partir da prática corrente. Aqui, a Oposição de Esquerda não será capaz de dar um exemplo no qual um movimento revolucionário dependia da existência do partido. Na realidade, nos últimos trinta anos, em todas as insurreições sociais as expressões reais da consciência revolucionárias não eram o partido, mas sim os comitês de ação, os sovietes operários. Onde quer que partidos se colocassem na liderança de um movimento ou se identificassem com ela, era apenas a fim de torná-los menos incisivos. Nem a social-democracia nem os bolcheviques foram capazes de conceber um movimento que eles não controlassem. O peso da decisão revolucionária deve ser das próprias massas e não do partido. O partido reformista acabou com a traição social da 2ª Internacional na Guerra Mundial. A “social-democracia revolucionária”, o partido de Lenin e a 2ª Internacional chegaram a seu fim ignominioso na colisão com o fascismo. As ações do capitalismo desmascararam a pseudoluta levada em frente por estas organizações.

Todos os partidos até agora demonstraram que não eram instrumentos de revolução, mas impuseram sua vontade sobre o movimento. A identificação do partido com a revolução levou a organizações de massa a qualquer preço, pois o partido tinha que assumir o lugar do movimento de massas. A Oposição de Esquerda, ainda adotando esta velha concepção bolchevique, prova que ainda não baseou sua política nas condições objetivas existentes que tornam o partido não um fator decisivo na revolução, mas sim uma lembrança do passado. A convicção de que o capitalismo ainda pode escapar de sua perdição, de que a crise pode ser superada dentro dos limites do capitalismo e de que o antigo movimento operário pode ser restaurado se esconde na ideologia da Oposição de Esquerda. Ela ainda pensa em termos de um poderoso movimento sindical e uma continuação das velhas táticas parlamentares espetaculosas. Que outra razão ela poderia ter para explicar seu repugnante oportunismo de hoje, como expresso tão clara e nojentamente por Trotsky em seu texto “O único caminho”. No capítulo VII, lidando com a luta de classes e o período de boom, ele diz que a crise atual não é uma crise permanente, que novos booms são absolutamente possíveis e podem reviver o movimento operário. Para ele, um boom capitalista significa um boom também do movimento operário. Mas que tipo de movimento operário? O velho movimento parlamentar e trade unionista do passado, que era uma expressão do capitalismo em crescimento, que passou e também freou esta forma de movimento operário? Como é possível que Trotsky, hoje, ainda consiga escrever no The Militant (XII, p. 9-33)[5]:

Slogans e ilusões democráticos não podem ser abolidos por decreto. É necessário que as massas passem por eles e sobrevivam a eles na experiência das batalhas. (…) Nós, bolcheviques, consideramos que a salvação real do fascismo e da guerra está na conquista revolucionária do poder e na constituição da ditadura proletária. Vocês, trabalhadores socialistas, não concordam com este caminho. Vocês esperam não só conservar o que foi ganho como também avançar pelo caminho da democracia. Muito bom! Desde que não tenhamos convencido e atraído vocês para nosso lado, nós estamos prontos para trilhar esse caminho com vocês até o fim. Mas exigimos que vocês deem sequência à luta pela democracia não em palavras – mas em atos. (…) É necessário conceder o sufrágio a todos os homens e mulheres que chegaram a seu 18º aniversário e também aos soldados no exército. A concentração total do poder legislativo e executivo nas mãos duma câmara. Que seu partido inaugure uma campanha séria sob estes slogans, (…) Nós bolcheviques, manteríamos o direito de explicar aos trabalhadores a insuficiência de slogans democráticos, mas honestamente auxiliaríamos vocês na luta por um governo assim; juntamente com vocês, nós rechaçaríamos todos os ataques da reação burguesa. Mais do que isso, nos obrigaríamos perante vocês a não levar a cabo quaisquer atos revolucionários que vão além dos limites da democracia (a democracia real) contanto que a maioria dos trabalhadores não tenha se colocado conscientemente do lado da ditadura revolucionária.

A partir da mesma lógica, pode se dizer que slogans e ilusões fascistas também não podem ser abolidos por decreto. Então que os trabalhadores lutem pelo fascismo para que eles tomem ciência do fato de que o fascismo não pode solucionar seus problemas. Slogans e ilusões democráticas são um produto do capitalismo que deve ser combatido pela classe trabalhadora enquanto tais. Não se pode sobreviver ao capitalismo e tampouco a suas frases. No decorrer da luta, ambos devem ser destruídos. Continuar a luta pela democracia resultará na luta por uma impossibilidade, porque a democracia é, numa base puramente política, nada senão um fetichismo para esconder o conteúdo real da sociedade burguesa. Quando Trotsky diz: “democracia real” sem dizer que isso só pode ser o resultado de uma economia comunista, a qual necessita da ditadura do proletariado exercida pelos sovietes, isso é oportunismo político. Se esta política pudesse ser realizada (e não pode), teríamos outro período de democracia no qual a matança de trabalhadores é exercida novamente pelos pilares da democracia, os partidos políticos. Os trabalhadores teriam lutado apenas para trocar seus assassinos fascistas por assassinos democratas. Pois, assim que a democracia tiver derrubado o regime fascista, uma nova burocracia assumiria o governo que antes era dos fascistas. Ela defenderia esta posição contra a democracia real, isto é, a democracia econômica. Levantar ou ajudar a levantar a bandeira da democracia num período de fascismo não quer dizer a superação, mas o fortalecimento de ilusões democráticas

Aqui novamente nós temos uma expressão do materialismo mecanicista do leninismo: “Desde que não tenhamos convencido vocês”, (…) “manteríamos o direito de explicar” (…) “contanto que a maioria dos trabalhadores não tenham se colocado conscientemente do lado da ditadura revolucionária”. Estas frases de Trotsky demonstram muito claramente que para ele a revolução não é nada mais que uma questão de convencer as massas de que Trotsky está correto. Depois que eles forem convencidos, eles seguirão o partido de Trotsky, que então reivindicará a ditadura do proletariado. Aqui, a história não é nada senão a educação. Trotsky, o professor, diz para as massas que se elas tiverem aprendido sua lição, elas farão o que o professor lhes disse para fazer. Mas esta concepção é uma piada, mesmo que tenha sido o conceito político da social-democracia nos últimos cinquenta anos.

Mas por que, você perguntará, (apesar desta crítica da posição da Oposição de Esquerda sobre a questão do partido), o POU ainda acha que o partido é uma necessidade e se apresenta como um partido? Para nós, o partido é apenas um instrumento da revolução, não a revolução em si! Nós subordinamos o partido aos sovietes, os quais o partido reivindica. O papel do partido para nós não é nem mais nem menos do que o papel que a consciência revolucionária desempenha na história. É uma parte da história, não a história em si. Nós não lutamos pelo controle dos trabalhadores, mas pelo controle da sociedade pelos próprios trabalhadores, exercido não pelo partido, mas pelos sovietes. Nós não temos interesse que as massas sigam os slogans de qualquer partido, mas sim no desenvolvimento de sua própria iniciativa pelo desenvolvimento dos sovietes e pelo aumento do poder dos sovietes. Nós defendemos que a luta de classes real – a despeito de qualquer tipo de consciência – é obrigada a caminhar apenas numa direção, a derrubada do capitalismo. Se os trabalhadores agirem, eles só podem agir num sentido revolucionário. A fim de eliminar sua crescente miséria, nada mais é possível praticamente do que a derrubada do regime atual. Para uma derrubada bem-sucedida do regime atual, a ação conjunta dos trabalhadores é uma necessidade. Esta ação conjunta é impossível com base na ideologia pura. Não pode ser alcançada através da educação, através de convicções. Este frente conjunta é possível apenas com base na luta real e isto pressupõe um proletariado que não está restringido pela luta concorrencial de organizações, mas que pode agir sem ser afastado por alguma organização de uma luta para uma briga ilusória. Nós não dizemos aos trabalhadores que nós os lideraremos. Não dizemos a eles que nós temos a única solução. Dizemos a eles que a única solução, tornar-se livres, está com eles mesmos; que eles podem derrubar o capitalismo eles mesmos, agindo como classe; que eles não deveriam aceitar lideranças, mas liderarem a si próprios. Nossa propaganda leva a nossa própria eliminação. Nós lutamos pela organização dos sovietes, liderados pelos próprios trabalhadores a quem a história compele rumo à direção correta, como a única expressão do poder da classe trabalhadora. A consecução de nosso objetivo significa nossa eliminação como um partido.

Na crise mortal do capitalismo, toda luta de classes, mesmo baseada numa “concepção sindical pura”, é o núcleo de uma luta política pelo poder. O capitalismo é forçado a combater os trabalhadores, independentemente de seu atraso, como se estivesse lidando com os trabalhadores mais revolucionários e, logo, naturalmente obriga os trabalhadores atrasados a lutarem, a despeito de sua ideologia atrasada, como revolucionários reais lutariam. O capitalismo não só cria seus próprios coveiros: ele também mostra a eles como lutar contra si com sucesso. Nós não lutamos pelo partido, mas pelos sovietes, e lutamos num sentido duplo, como uma organização de agitação pelo comunismo e como uma força militante para dar um exemplo aos trabalhadores de como eles devem lutar. Nós não temos um interesse diferente daqueles da classe trabalhadora; nós somos uma expressão do fato de que apenas minorias compreenderam os pontos da luta de classes conscientemente, apesar da ideologia predominante, e participam nesta luta do interesse da classe trabalhadora como um todo.

Você pode dizer que é fatalismo ou que este período particular ainda não chegou; e você pode perguntar o que devemos fazer enquanto isso? Mas esta pergunta prova que você ainda não compreendeu a dialética marxiana que não só materializou a dialética idealista de Hegel, mas viu no proletariado uma força produtiva, a realização factual do movimento dinâmico da sociedade atual. Diante do crescente fascismo mundial, será uma tarefa difícil explicar que nós somos pioneiros. Não só na Alemanha, mas com o crescimento da crise em todos os países, o movimento que você ainda está construindo será destruído. Não importa quanto sucesso você possa ter em revolucionar os sindicatos americanos; não importa quantos votos você possa conseguir numa próxima eleição; não importa quantas frentes únicas você construir ao fazer concessões aos socialistas; não importa quantos membros do PC você possa conseguir para sua própria organização; tudo isto será descartado antes de ter tido uma chance de se tornar um incômodo muito grande para os capitalistas. Sem esperanças, então, essa coisa toda, talvez você diga, mas se o capitalismo pode ser bem-sucedido (e será) em destruir o antigo movimento operário, ele não pode eliminar a necessidade de reunir grandes números da classe trabalhadora nas fábricas e nas indústrias. E, disto, surgirá a única forma possível e natural de organização do novo movimento operário. Apenas nas fábricas e indústrias os trabalhadores serão capazes de levar em frente a luta e, como resultado disto, surgirão as únicas coisas possíveis, os comitês de ação, os sovietes. Aqui eles não estão divorciados das massas. Aqui eles não são uma burocracia com interesses especiais; aqui eles são trabalhadores sob o controle direto de seus camaradas trabalhadores nas indústrias e fábricas. Eles não podem, diante da luta, da qual eles não gostam, se colocar em segurança, no exílio, como tantos dos heróis do KPD fizeram. A luta dos sovietes é idêntica à luta da classe. Quem pensa que o fascismo, com a destruição das organizações operárias, pode eliminar a luta de classes, ainda não conhece o marxismo. A luta de classes é acima de tudo consciência; é o movimento do progresso numa sociedade de classes; um movimento que não pode ser parado por nada. As lutas que a Oposição de Esquerda leva em frente não estão baseadas na realidade, mas na tradição. A realidade é a crise mortal do capitalismo, a derrubada do capitalismo. O slogan “Todo poder aos sovietes”, a despeito do fato de que, por muito tempo, será apenas uma voz solitária no deserto, ainda carrega consigo grande importância revolucionária, na medida em que todas as lutas revolucionárias levam necessariamente aos sovietes. Hoje, as lutas por salários, horas e condições são lutas pela derrubada do sistema capitalista. Por que esconder este fato?

IV

O que a Oposição de Esquerda considera como suas diferenças em princípio fundamentais da Internacional que a obriga a reivindicar uma nova Internacional? Contra a teoria do socialismo em um só país, ela funda a teoria de uma revolução permanente. A revolução permanente só pode ser uma realidade com base na crise mortal do capitalismo. Isto significaria que o capitalismo pode continuar sua existência numa escala internacional apenas pela pauperização geral e absoluta da classe trabalhadora. Ele é obrigado a travar um massacre contínuo sobre o padrão de vida da classe trabalhadora, obrigando esta a batalhar continuamente a fim de continuar a existir. Esta pauperização geral e absoluta das massas provoca uma luta mais extensa e intensa e, com base em mudanças quantitativas produz resultados qualitativos, leva diretamente à revolução. Porém, a despeito do slogan de uma revolução permanente, a Oposição de Esquerda não reconhece a crise atual como a crise mortal do capitalismo. Ela ainda acredita que os trabalhadores dentro do sistema ainda podem lutar para manter seu padrão de vida. Contudo, melhorar suas condições na crise atual é uma impossibilidade para os trabalhadores. A situação dos trabalhadores se tornará pior o tempo inteiro. Isto determina a condição objetiva para uma revolução e para nada mais. O slogan de uma revolução permanente, sem adotar a visão de que esta é a crise mortal do capitalismo é uma frase insignificante, que não pode ser considerada como um princípio e que nós não consideramos como tal. A “revolução permanente” deve ser uma realidade para torná-la um slogan. O slogan, sozinho, não torna a revolução permanente. Mas se a Oposição de Esquerda considera a revolução permanente uma realidade, como então, eles podem explicar suas táticas atuais, que ainda são as mesmas de antes de os bolcheviques tomarem o poder em 1917? Porém, o slogan significa tudo para a Oposição de Esquerda; a realidade, a crise permanente, nada.

A distinção que a Oposição de Esquerda faz entre o regime stalinista e a União Soviética é uma distinção artificial. Ela não existe na realidade. Tanto os stalinistas como os trotskistas estão defendendo a União Soviética (que não é uma União “Soviética”) e ambos estão dispostos a engajar a classe trabalhadora internacional neste trabalho de defesa. Apenas as maneiras e meios da defesa estão causando a divisão entre a Internacional e os elementos ao redor da 4ª Internacional. É uma questão puramente tática. A Oposição de Esquerda tem medo de que Stalin não defenderá com sucesso a “pátria dos operários”. “A ordem incondicional de que todo operário defenda o Estado soviético contra o imperialismo, bem como contra a contrarrevolução interna”, que é apresentada nos “onze pontos” da Oposição de Esquerda coloca esta contra qualquer organização comunista na Rússia que possa propagar a derrubada da forma atual de capitalismo de Estado a fim de estabelecer a produção e a distribuição comunistas. Chamar a classe trabalhadora internacional para a defesa da União Soviética também significa, no estágio atual do desenvolvimento russo, preparar-se para um novo 1914. Não há possibilidade mais de uma ofensiva geral de todas as nações capitalistas contra a Rússia. Na guerra seguinte, diferentes blocos de Estados se oporão a outros blocos e a Rússia estará ou num ou noutro. Lutará ao lado dos aliados capitalistas e forçará trabalhadores a lutarem mais uma vez por interesses capitalistas. A defesa da União Soviética não pode mais ser incluída no programa de uma organização revolucionária. O POU não reconhece uma pátria dos operários. Ele luta em todas as circunstâncias contra a burguesia de seu próprio país. Apoiará apenas a revolução proletária na Rússia, que terá que eliminar a forma atual de capitalismo de Estado.

Não fazemos como a Oposição de Esquerda, que reconhece na Rússia um Estado operário que é um instrumento para a construção o socialismo na Rússia. O caráter mais essencial de um Estado operário é sua destruição do antigo aparato burocrático e que todo o processo político e econômico seja realizado pelo proletariado diretamente na organização soviética. Porém, na Rússia os sovietes foram cada vez mais restritos; tiveram, cada vez mais, que abdicar, para a burocracia do partido, das funções que eles antes realizavam. O objetivo leninista: “o capitalismo de Estado sob o controle dos trabalhadores” cortou completamente os trabalhadores; o que resta é o capitalismo de Estado. Os bolcheviques destruíram não a burocracia, mas os primórdios do comunismo.

Ao falar de um Estado operário, a Oposição de Esquerda praticamente fortalece a influência contrarrevolucionária da Rússia no movimento operário internacional. O fato de as relações de produção na Rússia se basearem na produção de capital evita a construção do socialismo e na Rússia, bem como em todos os outros países, leva à crise e ao colapso. É impossível construir o socialismo sob as relações capitalistas e a produção de mais-valor. Por este motivo, a Oposição de Esquerda ainda não abordou a questão russa a partir da base na teoria marxiana do valor, mas sempre a partir daquela da crença mística. O que a Oposição de Esquerda realmente faz com a frase “Estado operário” foi expresso em 1925 por Bukharin num discurso numa conferência do governo:

Se nós confessarmos que as empresas tomadas pelo Estado são empresas capitalistas, se dissermos isso abertamente, como podemos conduzir, então, uma campanha por uma produção maior? Em fábricas que não são puramente socialistas, os trabalhadores não aumentarão a produtividade de seu trabalho[6].

Aqui, segundo Bukharin, a posição da Oposição de Esquerda se expressa como a criação de uma nova ideologia a fim de ocultar o fato da crescente exploração dos trabalhadores russos pela burocracia do partido no poder. É novamente a luta de um partido para retirar o poder das mãos de determinado grupo a fim de exercer o poder para seu próprio benefício. Uma mudança de exploradores, mas não a derrubada da exploração.

A posição que a Oposição de Esquerda assume na questão tática da política da frente unificada, da questão sindical, do parlamentarismo, etc., não pode ser aprovada pelo POU, uma vez que esta não é uma política realista, mas uma expressão do fato de que a tradição sempre dificulta o desenvolvimento de uma política revolucionária real. Ao ajudar a construir os atuais sindicatos nos EUA, você meramente ajuda a construir um instrumento que será usado pelo futuro fascismo americano, como os sindicatos alemães, que foram usados em 1914 para alinhar os trabalhadores à política do imperialismo alemão ou para forçar passividade na classe trabalhadora alemã em 1933. O dever do revolucionário não é construir sindicatos, mas destruí-los ou enfraquecer sua influência e preparar os trabalhadores para se organizarem como uma classe com base nas fábricas. Se isso é impossível hoje, se tornará possível e necessário no futuro e a necessidade será vista antes pelos trabalhadores se chamarem sua atenção a isso. Com base nos sindicatos, uma real frente unificada dos trabalhadores se torna impossível, já que o sindicato é apenas uma expressão de interesses diferentes de grupos diferentes de trabalhadores. Mas a classe deve ser liderada na ação. Isto força uma política que lida com questões de classe e não com interesses de grupo.

Se o parlamentarismo foi uma vez uma política do movimento da classe trabalhadora, ele é, no momento atual, absolutamente insignificante. Se a luta pelo voto foi outrora uma luta política, ela é agora uma pseudoluta que meramente tira atenção da luta real. Se o antigo movimento operário já afundou na parvoíce parlamentar, então a demanda atual por atividade parlamentar é um crime. A luta contra a parvoíce parlamentar travada com tamanha demonstração de amargura pelo “parlamentarismo revolucionário” acabou na “parvoíce parlamentar revolucionária” que, em sua ânsia por restringir a ação, inscreveu em sua bandeira (1933): “Hitler não (…) Thälmann[7] vai dar comida e trabalho para vocês! (…) Responda ao fascismo no dia 5 de março, eleja comunistas”. Por isso, milhares de trabalhadores foram enviados a campos de concentração e mais milhares foram mortos. Você quer dizer que o parlamentarismo da Oposição de Esquerda não levará a isso? Como você conseguirá nos convencer disso? A Internacional disse a mesma coisa? Nós não vamos nos envolver em especulações – ou você é honesto ou não é. Pois a necessidade de hoje é a aceleração da iniciativa de massas e o desenvolvimento da ação direta dos trabalhadores, uma necessidade que está sendo desviada para canais inócuos através da atividade parlamentar. O parlamentarismo, incluindo o tipo “revolucionário”, é traição de classe. E nós não precisamos ser dirigidos por Marx: o marxismo não seria o marxismo se a tarefa genuína do movimento operário na época de Marx e Engels ainda fosse sua tarefa genuína hoje.

A política da frente unificada na qual nós estamos engajados não está lidando com organizações corruptas, mas com a classe trabalhadora. Nós não reconhecemos slogans vindos de baixo ou de cima como de qualquer importância, já que a frente unificada dos trabalhadores só pode realmente ser estabelecida acima de todos os partidos nas lutas lideradas pelos comitês de ação.

V

Lamentamos muito que a Oposição de Esquerda não tenha conseguido basear sua reivindicação por um novo partido e por uma nova Internacional em novos princípios e numa base marxiana real. Mas esperamos que no processo da luta de classes, a Oposição de Esquerda ou o Novo Partido Comunista vejam nossos pontos mais claramente e deem mais um passo rumo à política de classe. Até este momento, não é possível, para nós, reconhecer na situação atual de Paris ou na Oposição de Esquerda deste país a formação de um novo movimento comunista. Nós só podemos nos alinhar com uma organização que adota como um princípio e uma tática o reconhecimento da crise atual como a crise mortal do capitalismo. A necessidade de uma revolução proletária como a única maneira de escapar de uma situação de fascismo mundial. O reconhecimento do capitalismo de Estado na Rússia e, com isso, a chamada pelo derrube do sistema atual na Rússia pelo proletariado revolucionário da Rússia.

O reconhecimento do partido político como apenas um instrumento de revolução, subordinado aos sovietes.

A luta pela ditadura do proletariado exercida pelos sovietes, não pelo partido.

A constituição do comunismo, com os meios de produção não centralizados nas mãos do Estado ou partido, mas nas mãos dos sovietes, o que significa os próprios produtores.

Pelo comunismo real e contra o capitalismo de Estado.

Um partido e uma internacional com um programa assim encontrarão o POU em suas fileiras.

Obras de Marx

Marx. Crítica da filosofia do direito de Hegel [tradução de Rubens Enderle e Leonardo de Deus], São Paulo, Boitempo, 2010.

Marx & Engels. MEW Band 1, Berlin, Dietz Verlag, 1981, p. 201-333.


[1] Traduzido por Thiago Papageorgiou, a partir da versão em inglês: United Workers Party, Bolshevism or Communism, 1934. Uma versão transcrita desse panfleto pode ser acessada em: Bolshevism or communism – United Workers Party of America [N. T.]

[2] O convite foi um gesto magnânimo que não deve ser levado a sério. O “Militante” recusou a publicação de nossa crítica sob subterfúgios transparentes. Obviamente, os trotskistas desejam não a crítica, mas a veneração de seu “Velho Homem”. Seu convite público para participar na discussão está, assim, carimbado como hipocrisia covarde.

[3] Traduzimos o trecho a partir da tradução para o inglês feita pelos autores. O que é aqui citado como um único trecho é, na verdade, a junção de dois trechos; o trecho “A história de todos os países (…) a intelligentsia” aparece primeiro no original de Lenin, na seção A do capítulo 2, e o trecho “Não é possível (…) de seu desenvolvimento” aparece na seção B, também do capítulo 2. [N. T]

[4] Essa passagem é da Crítica da filosofia do direito de Hegel (1981, p. 386 [2010, p. 152]); traduzimos a partir da tradução para o inglês feita pelos próprios autores, que não indicam a edição; indicamos, então, a referência à MEW, em alemão, em parênteses e à edição em português da Boitempo entre colchetes. [N. T.]

[5] Destaques dos autores. A passagem é, na verdade, do The Militant, vol. VI, nº 54, 9 de dezembro de 1933, p. 3. [N. T.]

[6] Os autores não fornecem a data exata deste discurso e não conseguimos encontrá-lo em pesquisas na internet. [N. T.]

[7] Ernst Thällman, líder do KPD de 1925 a 1933. [N. T.]