Lênin como um utópico – Willy Huhn

[Nota do Crítica Desapiedada – CD]: Em momento oportuno, o CD publicará uma análise de Diego Marques sobre este artigo do Willy Huhn. Aguardem.


Lênin como um Utópico[1]

Documentos da Histórica Esquerda Comunista[2]

A primeira característica do socialismo utópico reside na superstição do poder da ciência. Um sistema racional deve ser capaz de mudar o mundo social de forma tão decisiva que algo eticamente melhor e socialmente sólido será realizado. A consequência prática dessa convicção é que os intelectuais devem tomar o destino da humanidade em suas mãos, ou melhor, em suas cabeças.

Com o primeiro utopista da História ocidental, Platão, os filósofos estão no leme do Estado, e a ilha “Utopia” de Thomas More é governada por uma “classe de sábios”. Não levantam os intelectuais uma reivindicação similar – uma vez que a intelligentsia jurídica (Engels em uma ocasião tratou deste “socialismo dos advogados” exaustivamente)[3] -, e atualmente não o fazem também a intelligentsia técnica ou até a econômica (tecnocracia e burocracia)?

Os utopistas estão à procura de uma “ciência social” a fim de criar novas condições sociais com a sua ajuda. Essa ação, parte da sua iniciativa intelectual, reside no discernimento e no poder de agir da intelligentsia, enquanto que o proletariado “oferece a eles o espetáculo de uma classe sem uma iniciativa histórica ou um movimento político independente”, como afirma o “Manifesto Comunista”[4].

“Socialismo Científico”

Seria assim o próprio “socialismo científico” utópico? Não, o socialismo científico surgiu precisamente em contradição a essa concepção utópica. Ele não opõe ciência ao desenvolvimento social, dizendo que o último deve ser guiado pela primeira, “realizando” os conhecimentos científicos. Inversamente, a ciência deveria ser “(derivada) de um conhecimento crítico do movimento histórico” (Marx)[5]. Desta forma, Marx e Engels derivaram o marxismo no curso de suas vidas da história da Europa central e ocidental. Face à concepção utópica, Marx determinou o papel dos intelectuais como um papel significativamente mais modesto: porque não se trata de “levar a cabo um sistema utópico”, este último deveria contentar-se com “a participação autoconsciente no processo histórico de revolução da história que se desenrola diante dos nossos olhos” (Marx, “Herr Vogt”)[6]. Ao derivar a ciência da história factual, ela se torna “um produto consciente do movimento histórico” e “deixa de ser doutrinária” (“Miséria da Filosofia”)[7].

Para o utopismo, o proletariado apenas existe do ponto de vista do sofrimento, e portanto passivo, como classe que necessita ajuda de cima e do exterior. O marxismo parte da atividade autônoma dos trabalhadores. Para os utopistas, toda a história futura torna-se uma mera “propaganda” e uma “realização prática” dos seus “planos sociais sistemáticos”. Marx, pelo contrário, rejeita no “Manifesto Comunista” todos os sistemas e só conta, como Engels assegurou em 1890, com o desenvolvimento intelectual da classe trabalhadora, “como tem necessariamente de resultar da ação e discussão conjuntas[8]”, para a vitória final das teses propostas no Manifesto. De acordo com suas origens racionalistas, o socialista utópico assume assim uma atitude de mestre-escola perante a história, enquanto Marx e Engels viram nela nossa única maestra educadora.

Contradições Político-Nacionais

De acordo com a visão de seus fundadores (que em si mesma cresceu e se aprofundou historicamente), o marxismo não queria ser mais do que o conhecimento do desenvolvimento social dos países europeus mais avançados, no qual eles próprios tinham participado de forma autoconsciente. Para eles, o marxismo era uma derivação do movimento histórico de seu tempo e da sua participação prática. Foi Trotsky quem viu esse problema em toda sua acuidade. Há cerca de quarenta anos, ele demonstrou que os socialistas e intelectuais dos países atrasados, que ainda não tinham vivido a transição do socialismo utópico para o socialismo científico e que não tinham travado o combate entre ambas as atitudes, corriam o risco de retomar os conhecimentos científicos de Marx e Engels no sentido do utopismo, e assim de uma forma dogmática e “ortodoxa”. Trotsky alertou precisamente contra isso, como concluiu para a Rússia: “Essas contradições interiores na construção do socialismo, que o marxismo havia suplantado teoricamente, voltam na aplicação prática do marxismo na forma de contradições político-nacionais. Mesmo a melhor doutrina social, aquela que representa a experiência mundial da maneira mais correta, não pode por si só substituir a experiência. Cada país teve e tem de adquirir de novo o marxismo para si próprio do zero a fim de estar em sua posse. O caráter internacional do movimento socialista não aparece apenas em todos os países a tirar lições para si próprio da experiência do país mais avançado, mas também repetindo seus erros[9].”

Na antiga Rússia feudal-absolutista, predominantemente agrária e com seu comércio subdesenvolvido, sua fraca indústria moderna, que além do mais dependia sobretudo da importação de capital estrangeiro, faltavam as condições prévias essenciais para uma organização operária baseada na perspectiva marxista. Quando o primeiro grupo marxista “para a libertação do trabalho” foi formado em 1883, o seu co-fundador Plekhanov declarou que na Rússia não existia a base, nem as condições sociais objetivas para uma organização socialista. Como a intelligentsia revolucionária da Rússia, não obstante, estudava e adotava a ciência e as ideias mais avançadas da Europa Ocidental e Central, essa “contradição político-nacional” tinha de transformar o movimento revolucionário da Rússia em um “típico movimento de ideólogos” (kritshevksy) em todos os aspectos.

Dez intelectuais e um operário

Foi o historiador bolchevique Pokrovski que, entre todas as pessoas, apontou para a intelligentsia revolucionária em meados do século XIX como os precursores espirituais do bolchevismo. Chernyshevsky sustentava a opinião de que as “classes instruídas” da Rússia poderiam mudar as relações políticas por suas ações, e a “proclamação da jovem Rússia”, proveniente dos círculos de seus aderentes e alunos, já exigia a ditadura do partido da intelligentsia revolucionária. O objetivo político desta última era um “despotismo esclarecido” que deveria decretar uma “revolução econômica” de cima, a fim de – utopicamente – criar assim as precondições para a libertação da miséria social. O socialismo agrário dos narodniki, que deveria ser construído nas comunidades camponesas, também mostrava essas características utópicas. “A inteligência revolucionária deve conquistar a ditadura e levar a cabo uma revolução social através dessa última… De uma precondição política prévia para a libertação da classe trabalhadora, o colapso vindouro do absolutismo transforma-se nas mentes da intelligentsia em um meio para causar imediatamente uma revolução socialista.” (Pavel Axelrod em 1892)[10]. De fato, a social-democracia Russa não era, mesmo na época em que Axelrod escreveu essas sentenças, uma organização operária autônoma, mas apenas um partido da intelligentsia revolucionária: “Pode-se dizer”, observou um dos poucos trabalhadores que então aderiram a ela, “que para cada dez intelectuais havia um operário na década de 1890” (Shapovalov, “On the road to Marxism”).

Nessa mesma década de 1890, a trajetória teórica e política de Lênin começava. Desde o começo ele viu na classe operária apenas a classe que despertaria de forma elementar, na qual os revolucionários russos poderiam “apoiar-se” e a quem os intelectuais russos (ele significativamente designa os últimos como “jacobinos”!) poderiam se “conectar”. As duas expressões denunciam que se trata de um movimento de intelectuais, uma ação dos “sapientes” que apenas querem usar o movimento operário como um meio para derrubar o czarismo em uma grande revolução nacional que compreenda todas as classes descontentes da população; um movimento histórico como é de fato, desde a extensão das ideias democráticas para o Ocidente de 1900 em diante, e também por praticamente toda a Ásia

Três tipos de humanos

Já em 1913, esta circunstância inspirou Lênin à tese de que não mais a Europa, mas sim a Ásia seria a portadora do progresso histórico. Esta ideologia se manifesta na China num paralelo notável: Sun Yat-sen, que foi chamado de “Lênin Chinês”, distingue em sua obra “O plano para a construção do Império” três tipos de pessoas: “Primeiro, os que sabem, os inventores; segundo: aqueles que sabem tardiamente, os extensores ou propagandistas; terceiro: os que não sabem, os colaboradores ou praticantes.”

Essa analogia se torna muito clara no “arranjo das engrenagens[11]” de Lênin. Trata-se de: 1) a massa de explorados e oprimidos; isto é, os camponeses e os trabalhadores industriais; 2) a vanguarda desta massa; isto é, o proletariado industrial urbano; 3) a vanguarda do proletariado industrial, os “comunistas”, como a intelligentsia bolchevique se autodenominava desde 1918. As três engrenagens, “massa”, “vanguarda da [massa]” e “vanguarda [do proletariado]” não deveriam interagir democraticamente nessa sequência, mas de acordo com o princípio leninista de organização “de cima para baixo”! A iniciativa histórica, propriamente dita, se origina do partido da intelligentsia revolucionária. O ponto de partida de Lenin já é utópico: em 1894, ele expressa a opinião de que “toda a história é feita pela ação de personalidades (…) A verdadeira questão que surge na avaliação da atividade social de um indivíduo é: que condições garantem o sucesso de suas ações [públicas], que garantia há que essas ações não permaneçam um ato isolado num turbilhão de atos contrários?[12]

Isso não soa como uma concepção da história que, primeiramente e acima de tudo, está preocupada com a iniciativa das massas e a atividade de classe! Essas personalidades ativas são confrontadas com o problema: “como é que as [suas] ações destinadas a concretizar o sistema socialista devem atrair as massas a fim de darem frutos sérios?”. Por um lado, o utopismo foi assim confrontado com o dilema de ter que ganhar e atrair as massas para os atos das personalidades não permanecerem isolados, e por outro lado, de terem que se precaver para que esses atos dos respectivos ativistas históricos não fossem perdidos num turbilhão de ações contrárias das massas[13].

A luta contra a espontaneidade

“Era necessária uma luta feroz contra a espontaneidade[14], escreve Lênin oito anos depois, reivindicando os princípios organizacionais de… Lassalle! Sobre este ponto, é preciso notar que Marx fez uma ressalva, numa carta de 13 de outubro a Schweitzer, o sucessor de Lassalle, que este último havia caído no erro de Proudhon ao “não pesquisar os reais fundamentos de sua agitação a partir dos elementos reais do movimento de classes”, mas de “querer prescrever a este último o seu curso de acordo com uma receita doutrinária[15].” Três anos mais tarde, numa carta em 23 de novembro de 1871 para Bolte, Marx sublinha mais uma vez que a organização de Lassalle é “nada mais que uma organização sectária” e é “como tal, hostil à organização do movimento genuíno dos trabalhadores defendido pela internacional[16].” Como Lênin toma precisamente a luta de Lassale contra o movimento autônomo dos trabalhadores germânicos como um mérito histórico seu, a polêmica de Marx sobre este ponto decisivo é dirigida contra o próprio Lênin!

Segundo Lênin, uma consciência social-democrata só pode ser “trazida para os trabalhadores de fora.” A história de todos os países provaria que, por sua própria força, eles apenas adquirem uma consciência trade-unionista [sindicalista], enquanto que o socialismo teria sido desenvolvido pelos educados representantes da burguesia, a intelligentsia: “Da mesma forma, na Rússia, a doutrina teórica da social-democracia surgiu de forma completamente independentemente do crescimento espontâneo do movimento da classe operária; surgiu como um resultado natural e inevitável do desenvolvimento do pensamento entre a intelligentsia socialista revolucionária[17].”

A ditadura dos jacobinos

A social-democracia Russa só poderia ser assim um cartel, uma aliança da principal intelligentsia com as massas que a seguem: “Um jacobino que se identifica completamente com a organização do proletariado – um proletariado consciente de seus interesses de classe – [apenas isto já é] um social-democrata revolucionário[18].” Bem, a ditadura dos jacobinos na grande Revolução Francesa também foi um reinado da intelligentsia, a única classe apta a governar após a queda da nobreza da corte e da alta finança aliada a ela – um “regimento dos advogados”, como Kautsky o designou precisamente. Com relação a essa confissão, Rosa Luxemburgo salientou que Lênin “caracterizou a sua posição talvez mais aguçadamente do que qualquer um de seus oponentes poderiam fazer[19].”

Precisamente nesta afirmação são expressas as velhas ideias do utopismo russo, no qual a revolução deve ser obra da intelligentsia democrata-radical, visando a ditadura de sua organização conspiratória, o partido jacobino. Porque o movimento histórico espontâneo não leva à revolução: “Sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário.” Apenas os teóricos revolucionários e intelectuais são garantes da revolução; “os sábios que descobrem a verdade” são as verdadeiras “personalidades” históricas, estejam eles a necessitar de propagandistas, de “pregadores que difundem a verdade.” Mas para a ideologia leninista, os trabalhadores são apenas os “executores” que “não conhecem” a “verdadeira” realidade.

Fonte Original: ‘Das Sozialistische Jahrhundert’, 2. Jg., Nr. 20, Berlin 1948, S. 290 f.

Reproduzido em Jochen Gester: “Auf der Suche nach Rosas Erbe. Der deutsche Marxist Willy Huhn (1909-1970)”, Berlin, Die Buchmacherei, 2017. S. 267/272.


[1] A tradução de “Lenin as a utopian” é Lênin como um utopista. Preferimos alterar a palavra “utopista”, um substantivo, pelo adjetivo “utópico”. Este último termo é mais familiar ao leitor por remeter ao socialismo utópico, como discutido por Huhn ao longo do texto (Nota do Crítica Desapiedada – CD).

[2] O leitor poderá se perguntar sobre o que é a “Histórica Esquerda Comunista”. Em correspondência com Fredo Corvo, nosso colega respondeu o seguinte sobre essa terminologia:
“A esquerda comunista NÃO é a oposição de Trotsky e seus seguidores. A esquerda não é uma tendência do comunismo de conselhos, mas este é uma tendência da esquerda comunista. Um artigo útil (nem sempre correto) pode ser visto no verbete left communism no wikipedia.org. Note que a esquerda germano-holandesa não era anarcossindicalista ou libertária e se opôs ao domínio bolchevique sobre o Comintern e suas táticas desde 1920 (e não apenas em 1927), depois de ter apoiado Lênin em Zimmerwald e Kienhal na luta contra a participação na Primeira Guerra Mundial. A lista de Grupos e Publicações no site AFRD (A Free Retriever’s Digest) considera o Leftdis, Arbeiterstimmen e Arbeidersstemmen como grupos afiliados à esquerda comunista germano-holandesa. Todas as três organizações reconhecem os remanescentes da esquerda italiana como proletários-internacionalistas e tentam estimular discussões dentro de toda a gama de grupos que se baseiam (uma parte) na histórica esquerda comunista. Além disso, certas divisões do trotskismo são consideradas internacionalistas proletárias por sua atitude derrotista na Segunda Guerra Mundial, recusando-se a “defender a URSS”.”
Podemos ver que a designação “Histórica Esquerda Comunista” é bastante imprecisa, abrange posições políticas marxistas como o comunismo de conselhos e, ao mesmo tempo, posições burocráticas como “certas divisões do trotskismo”. Há um limite evidente nessa terminologia, o que exige atenção e análise crítica. Em nossa visão, a “Histórica Esquerda Comunista”, utilizando a terminologia do Corvo, deve ser vista em três grandes momentos: o marxismo original, comunismo de conselhos e marxismo autogestionário (veja: de Marx ao Marxismo Autogestionário de Nildo Viana). Consideramos que esta análise é mais adequada e explica corretamente o desenvolvimento do marxismo autêntico na história. No caso de Willy Huhn, ele é considerado um autor pertencente ao comunismo de conselhos, o que mereceria análise e pesquisa para explicar a sua trajetória. Independentemente de sua inserção ou não no comunismo de conselho, Huhn é um indivíduo que demonstra vínculo radical com o marxismo, tornando-o alguém que merece divulgação, tradução e debate nos setores revolucionários da sociedade. (Nota do CD)

[3] Friedrich Engels/Karl Kautsky: “Juristen-Sozialismus”, MEW [Marx-Engels-Werker – Obras completas de Marx e Enges em alemão] Bd. 21, S. 491. (Die Neue Zeit, Heft 2, 1887). [Ed. brasileira: Friedrich Engels/Karl Kautsky, O Socialismo Jurídico, São Paulo: Boitempo, 2012].

[4] Marx/Engels, The Communist Manifesto; [Marx/Engels, Manifesto Comunista] 3. Critical-Utopian Socialism and Communism.

[5] MEW Bd. 16, S. 25. Carta de Marx a J.B. von Schweitzer, 24 de Janeiro, 1865; Sobre Proudhon.

[6] MEW Bd. 14, S. 439.

[7] MEW Bd. 4, S. 143.

[8] MEW Bd. 22, S. 57. Engels (1890): Prefácio da quarta edição alemã do Manifesto Comunista.

[9] A citação de Trotsky não foi encontrada no MIA [Marxists Internet Archive].

[10] Não foi encontrada referência aos trabalhos de Pavel Axelrod no MIA.

[11] LW Bd. 32, S. 3/4. Lenin (December 30, 1920): The Trade Unions, The present Situation and Trotsky’s Mistakes. [Em português: Lênin, “Sobre os sindicatos, o momento atual e os Erros de Trotsky”, marxists.org, 1920].

[12] LW Bd. 1, S. 152. Lenin: What the “Friends of the People” are and how they fight the Social-Democrats (1894); Part I. As traduções do inglês falam sobre “indivíduos”, a alemã sobre “personalidades”. Huhn usa o último termo.

[13] Nota do tradutor: O texto de Huhn usa duas vezes a expressão “um mar” (de “atos” ou “ações”). Nós usamos “uma confusão”, de acordo com a tradução no LCW.

[14] LW Bd.5, S. 396. Lenin: What is to be done? II. The Spontaneity of the Masses and the Consciousness of the Social-Democrats. (1902) [Ed. brasileira: Lênin, O que fazer? São Paulo: Boitempo, 2020].

[15] MEW Bd. 32, S. 569. (Marx para Johann Baptist von Schweitzer).

[16] MEW Bd. 33, S. 329. (Marx para Friedrich Bolte in New York – Abstract).

[17] LW Bd. 5, S. 386. Lenin: What is to be done? (see footnote 12).

[18] LW Bd. 7, S.386. Lenin: One Step Forward, Two Steps Back (1904); q) The New Iskra. Opportunism In Questions Of Organization. [Ed. portuguesa: Lenin, Um passo para frente, dois para trás, Editora progresso, 1977].

[19] Rosa Luxemburg, Organisationsfragen der russischen Sozialdemokratie (1904). A frase foi deixada de lado na tradução em inglês no M.I.A.

Traduzido por Miguel Bogado, a partir da versão disponível em: Willy Huhn (1948): ‘Lenin as a Utopian’. Revisado por Alexandre Guerra.

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