O Novo Movimento – Henri Simon

Introdução – Socialismo: Reflexo Defensivo ou Criação Consciente? – Solidarity

O “Nouveau Mouvement” [“Novo Movimento”] de Henri Simon foi publicado pela primeira vez em 1974. Esta é uma tradução verificada e aprovada pelo autor. É um texto interessante e provocativo, e insistimos fortemente a todos os nossos leitores e apoiadores a obtê-lo, a distribuí-lo, a estudá-lo e discutir sobre ele.

Em relação a muitas de suas propostas, encontraríamos pouco a discordar. Muito antes de 1974, tanto I.C.O. (Informations Correspondance Ouvrières, o grupo com o qual H. S. estava associado), como Solidarity afirmavam explicitamente que o próprio funcionamento do capitalismo moderno estava forçando as pessoas – e iria forçá-las em uma escala crescente – a romper com a ordem estabelecida em uma frente muito ampla: um “novo movimento” estava se desenvolvendo ao nosso redor, visível para qualquer pessoa com olhos para ver. Este novo movimento não estava apenas desafiando as instituições da sociedade existente (estados-nação, partidos, sindicatos), mas também seus valores, suas prioridades e seus modos de pensamento. Começando com um desafio à autoridade no núcleo da produção (na qual ela ecoava em parte a antiga luta dos trabalhadores contra a exploração, mas também introduzia novos elementos de crítica), o novo movimento levou o seu desafio (explícita ou implicitamente) a cada pressuposto da ideologia dominante, criando assim uma profunda crise nas relações de autoridade nas quais a sociedade de classes se baseava.

A autonomia foi certamente uma das características cardeais deste novo movimento. As pessoas estavam começando a romper com o hábito de pedir aos outros para fazer coisas para elas (o governo, o TUC, a liderança do Partido Trabalhista). Elas estavam começando a fazer coisas por si mesmas, muitas vezes descobrindo-se no processo. Políticas resolutivas estavam caindo em desprezo. As pessoas que ainda falavam em termos de “fazer os deputados de esquerda lutarem” apenas se cobriram de ridículo. O processo continua, embora velhas atitudes morram duramente.

Nós, do Solidarity, certamente nos sentíamos parte e parcela do que estava acontecendo. Em nosso envolvimento na ala de ação direta do movimento antibomba e nas lutas dos sem-teto, estávamos fazendo coisas com as pessoas, não para as pessoas. O novo movimento não era algo externo a nós. Pelo contrário, ele estava no centro da nossa existência política e das nossas preocupações políticas. Esse sentimento de envolvimento influenciou o conteúdo do nosso jornal, os temas que julgávamos dignos de discussão mais completa em nossos panfletos, as questões sobre as quais discutiríamos calorosamente tanto com os outros quanto entre nós. Procuramos até mesmo explorar as suas raízes históricas, em explosões anteriores de autoatividade.

Como consequência lógica de tudo isso, apoiamos plenamente o que nos parece ser a tese principal do texto de Henri Simon, ou seja, que ninguém tem o direito de aspirar a se tornar um líder apenas porque ele pensa que tem uma melhor compreensão dos acontecimentos do que outras pessoas. Mas é sobre esta questão de juízos políticos e críticas que começam também as nossas perplexidades. Por um lado (seção 30), Henri Simon salienta que “a transformação das atitudes em relação aos valores tradicionais do capitalismo, e das instituições ligadas a eles, é pelo menos tão importante quanto a própria luta, e está intimamente ligada à sua evolução”, e descreve esta transformação de atitudes como “uma parte importante do processo revolucionário”. Com estas duas avaliações, estamos de acordo.

Por outro lado, H. S. vê dificuldade (seção 9) naqueles que se atrevem a criticar o Novo Movimento por sua “falta de consciência” ou “atraso ideológico”. Embora nunca tenhamos usado estas palavras, se formos honestos conosco mesmos, devemos nos incluir, às vezes, nesta categoria. De fato, a ideologia dominante tem raízes muito profundas (não seria a ideologia dominante se não tivesse). Parece-nos óbvio que, se o novo movimento possuísse o atributo da consciência socialista em alta medida, o processo de mudança social seria mais avançado do que é. Enfatizamos repetidamente que a crise da sociedade moderna era uma crise de consciência, não uma crise de liderança, e não vemos razão para modificar essa avaliação.

Simon parece também desconfiado (seção 19) daqueles que “dão prioridade a certas formas de pensamento sobre a própria ação”.

Duas interpretações destas afirmações são possíveis.

A primeira é que H. S. está aqui simplesmente atacando a prática de organizações tradicionais que, por causa de sua crença na posse exclusiva da verdade, sentem-se no direito de castrar ou pelo menos manipular todas as lutas que expressam aspirações diferentes ou usam métodos diferentes dos seus. Com esta crítica da esquerda tradicional, estaríamos plenamente de acordo. Mas H. S. poderia alternativamente estar sugerindo (e esta é a segunda interpretação possível das seções 9 e 19) que a mera posse de um sistema coerente de ideias, de um quadro de referência a partir do qual fazer comentários críticos, por si só, constitui alguma forma de elitismo.

Se aceitássemos esta segunda interpretação, o conceito de elitismo seria completamente banalizado. Pensar antes de agir não é elitismo. É o que distingue o homem da maioria das outras espécies, e lhe permite sonhar com – e eventualmente criar – outro tipo de mundo. Também não é elitista julgar, ponderar, avaliar, comparar e, se necessário, achar inaceitáveis certas formas de autonomia. (Quando milhões de pessoas comuns votaram nos candidatos nacional-socialistas em 1933, ou apoiaram as duas guerras imperialistas, os revolucionários deveriam ter se abstido de comentar, alegando que tal comentário implicava em “negar” às pessoas sua autonomia?). Para nós, o termo “elitista” tem um significado muito específico. Implica a crença de que, sem uma elite revolucionária, as pessoas comuns são incapazes de uma ação significativa, seja na destruição da sociedade existente, seja na construção de uma nova. Esta crença é evidentemente absurda e profundamente reacionária. Enfatizamos repetidamente que é esta visão que faz da política uma técnica de manipulação. Esta crença leninista é, além disso, refutada por toda uma experiência histórica, na qual as massas em ação se revelaram repetidamente mais revolucionárias do que os mais revolucionários dos grupos revolucionários existentes.

Mas a crítica final da concepção de que há algo essencialmente elitista nas ideias, viria do fato de que isso tornaria o panfleto de H. S. autocontraditório. Vamos supor que, de fato, é isto o que H.S. quer dizer. Então seu texto assumiria a forma de um ataque coerente à “coerência”, cheio de ideias interessantes, apesar da suposição de que a mera formulação de ideias é, de alguma forma, “vanguardista”[1]. Embora condene aqueles que analisam os acontecimentos (na tentativa de obter uma visão global), o faria de uma forma profundamente analítica. Em sua ênfase implícita na coerência e análise, e quer H.S. goste ou não, seu texto está na melhor tradição do que a ICO costumava produzir. Uma das funções de um grupo como a ICO era, afinal, “discutir problemas gerais como capitalismo de estado, hierarquia, gestão burocrática, guerra, racismo, socialismo, abolição do estado e do trabalho assalariado”. O grupo defendeu “a criação de comitês, associando ativamente o maior número de trabalhadores”. Defendeu “demandas não hierárquicas e não aquelas de categorias particulares de trabalhadores”. Apoiou “qualquer coisa que aumentasse a luta” e foi contra “qualquer coisa que tendesse a isolá-la”.

Pode-se concordar ou discordar desses pontos de vista. Não se pode, no entanto, fingir que eles não são juízos políticos, feitos a partir de um certo ponto de vista. O mesmo se aplica ao texto de H. S. sobre o Novo Movimento. Quer o autor goste ou não, seu texto é uma declaração política. Ele se tornará um ponto de encontro político, um estímulo à diferenciação política (aqueles que concordam com ela e aqueles que não concordam), e possivelmente, até mesmo por um tempo, a vestimenta ideológica do próprio momento que ele está descrevendo com tanta precisão. Não há nada de errado nisso. As ideias sempre desempenharam um papel importante na história da humanidade e sugerir o contrário é reduzir os seres humanos a menos do que sua estatura plena.

Apesar das contradições inerentes a esta segunda interpretação das seções 9 e 19, nos perguntamos se ela não está de fato muito próxima do ponto de vista de H. S. Dizemos isso porque esta interpretação em particular parece seguir muito logicamente a exaltação acrítica por parte de H.S. da autonomia como tal. Aqui, novamente, seu texto não é claro. A ausência de qualquer crítica dos objetivos das lutas autônomas pode ser tomada para implicar que a autonomia per se é um e o único critério para uma política revolucionária. É verdade que os exemplos dados das atividades do Novo Movimento (seção 8) têm todos um conteúdo socialista. Mas existem outros problemas. O que é parte do Novo Movimento, e o que não é? Como devemos julgar se uma luta reflete, ou não, (seção 6) “uma tendência para destruir todas as hierarquias”?

Autonomia, embora extremamente importante, não é suficiente. Pode haver dissidência reacionária autônoma, bem como dissidência revolucionária autônoma. Solidarity nunca deu um apoio generalizado às pessoas “fazendo o que elas queriam, por si mesmas e para si mesmas”. Com ou sem razão (e pensamos com razão), procuramos aplicar certos critérios aos nossos juízos políticos sobre o que as pessoas estavam fazendo. Vimos uma conexão entre os meios e os fins. Tínhamos uma certa visão do tipo de sociedade que queríamos (uma sociedade não alienada, não hierárquica, na qual o trabalho assalariado foi abolido) e essa visão influenciou profundamente os critérios que aplicamos ao que vimos acontecer ao nosso redor. Sem ilusões quanto ao efeito que teria sobre nós, damos todo o apoio possível (em termos de propaganda para suas ideias e criações) às revoltas autogeridas da Hungria 1956 e de Paris 1968. Fizemos isso porque vimos nelas os presságios de uma revolução significativa nas sociedades capitalistas burocráticas, tanto do Oriente como do Ocidente. Mas, em 1975, condenamos os pressupostos reacionários subjacentes à autoatividade do Ulster Workers’ Council [Conselhos Operários de Ulster]. E advertimos repetidamente contra as limitações (e enfatizamos a recuperabilidade) das formas localizadas de autogestão dentro do capitalismo.

Nós nunca sentimos que era suficiente que uma atividade fosse autônoma para que ela justificasse nosso apoio acrítico. Não somos “fetichistas de autonomia”. Somos contra as greves racialistas, por mais autônomas que sejam. Quando consultores hospitalares em tempo parcial procuram destruir o Serviço Nacional de Saúde a fim de aumentar seus privilégios, ou quando “fazer as suas coisas” consiste em inscrever-se em Angola, sentimo-nos no direito, coletivamente, de fazer comentários políticos. O mesmo se aplica a muitas outras áreas. As atividades terroristas, por exemplo, ainda que fortemente dirigidas contra a sociedade estabelecida, são, em nossa opinião, profundamente contraproducentes. Estes são julgamentos políticos, que são a preocupação legítima de uma organização política.

Isto não é picuinha. Em jogo em discussões deste tipo estão algumas questões muito fundamentais. O socialismo é a “autoconsciência positiva do homem”? Se a frase significa alguma coisa, certamente significa que as pessoas alcançaram alguma compreensão do seu ambiente e de si mesmas – e sabem o que querem. O socialismo é algo que terá que ser conscientemente combatido e criado coletivamente? Ou há algum Deus no Panteão revolucionário que, em Sua sabedoria, atribuiu um conteúdo revolucionário e um destino socialista a todas as “lutas” e “conflitos” dentro da sociedade existente?

A humanidade evoluirá para o socialismo através de uma ação coerente e criativa ou através de uma série de reflexos defensivos dirigidos contra a opressão da sociedade existente? São realmente suficientes as condições prévias de Lênin para a revolução, ou seja, que os governantes não tenham mais confiança para governar e os governados não estejam mais preparados para suportar o velho sistema? (Obviamente, não estamos insinuando que há qualquer coisa leninista nas opiniões expressas no Novo Movimento). Ou dever-se-ia acrescentar uma terceira condição prévia, a saber, que aqueles que não aceitam mais a sociedade existente, devem ter pelo menos alguma noção em mente sobre aquilo do que gostariam de substituir por ela? Em nossa opinião, as condições prévias “clássicas” podem produzir o colapso da velha sociedade. Elas não garantirão – e não garantiram – que ela será substituída por uma sociedade sem classes, não hierárquica e não autoritária. De fato, deixadas a si mesmas, as “condições prévias” clássicas garantirão quase inevitavelmente que uma forma de sociedade de classes seja simplesmente seguida por outra. Mas se alguém aceita esta proposição, certas coisas se seguirão. Escolhas terão que ser feitas. Os revolucionários não são meros surfistas sobre as marés da história.


O Novo Movimento – Henri Simon

1. A luta contra a dominação capitalista, que, em suas diversas formas modernas, ocorre em todos os países do mundo, apresenta novas tendências. Tais tendências estão em total contraste com o que ocorreu antes do início do século XX.

2. A característica comum e essencial dessas tendências é a forma pela qual aqueles que lutam lidam com a totalidade de seus interesses por si mesmos, em todas as circunstâncias de suas vidas, no campo da ação e do pensamento.

3. Os sinais do que poderia ser uma transformação radical das relações sociais podem ser vistos nas convulsões do próprio capitalismo, em suas crises e tentativas de se adaptar. Estes sinais podem irromper em explosões isoladas, rapidamente destruídas pelos interesses dominantes, ou podem ser rastreados através do seu lento progresso e mais ou menos impedidos por reformas.

4. Os efeitos do que foi dito acima podem ser mais ou menos encontrados em todas as áreas da atividade humana, em todos os países, tanto no nível dos indivíduos, quanto no nível de todas as organizações nas quais eles estão envolvidos. A luta no clássico lugar da exploração do homem pelo capital – a empresa industrial ou comercial – permanece essencial; mas a expressão da nova tendência pode ser encontrada em todas as áreas da vida e assume formas semelhantes. Os conflitos sociais estão se espalhando por todos os setores da vida social, mostrando que a autonomia não deve ser limitada, mas conquistada em todas as coisas.

5. A abolição do trabalho alienado e, consequentemente, a abolição de toda a dominação do homem sobre o homem, transformará toda a gama de relações sociais. Se isto é verdade, é igualmente verdade que a luta em todas as áreas da vida transforma o conjunto das relações sociais no exato momento em que a própria luta está ocorrendo.

6. Essas tendências para a autonomia e as formas originais assumidas por elas, sejam abertas ou difusas, colidem com todas as estruturas do mundo capitalista: o Estado, os partidos políticos, os sindicatos, os grupos tradicionais da esquerda e contra todo o sistema de ideias e valores da sociedade exploradora. O resultado líquido é um conflito permanente tanto para o indivíduo como para o grupo social ao qual ele pertence. A partir desses conflitos, concluímos que as diversas expressões do Novo Movimento estão em oposição a todas as formas de elitismo e vanguardismo. Elas refletem uma tendência para destruir todas as hierarquias e estabelecer novas formas de relações entre indivíduos e organizações de luta, e entre estas mesmas organizações.

7. As novas lutas e tendências estão ligadas a certas lutas e tendências do passado. Por exemplo, assistimos ao aparecimento dos conselhos operários ou de instituições análogas em todos os períodos nos quais os conflitos sociais tenderam a ameaçar os próprios fundamentos do sistema. O saber, os estudos e a reflexão sobre estes eventos são uma característica do nosso conhecimento do presente. Mas devemos ter cuidado ao pensar que a coleta de informações sobre as lutas passadas e a análise da teorização a partir dessas informações fornecerá as plantas para atividades futuras. O que surge de uma luta é adaptada à necessidade desta luta e por este motivo não pode servir como objetivo para outras lutas ou critério para julgar o que virá de outras lutas.

8. Os elementos de um novo mundo tendem a se revelar continuamente a partir do próprio funcionamento do sistema capitalista. Estes elementos são o produto do funcionamento do sistema e, ao mesmo tempo, necessários ao seu funcionamento; por exemplo, a moderna empresa capitalista precisa da iniciativa individual e coletiva no nível da base para funcionar. Mas as formas em que o Novo Movimento é revelado podem ser apenas transitórias, efêmeras e marcadas pela sociedade em que se desenvolveram. Exemplos de tais formas são o bloqueio de vastas unidades de produção por movimentos espontâneos num setor industrial, greves não passivas, resistência ao próprio trabalho, o movimento das mulheres, ação de comunidades locais, etc. É importante enfatizar a existência desses elementos para analisar seu desenvolvimento e formas, mas é fútil glorificar cada exemplo de atividade autônoma como o iminente advento da revolução. É igualmente fútil criticar sistematicamente estes exemplos, sob o pretexto de que o seu isolamento os leva, no final, a contribuir para reforçar o sistema. A esquerda tradicional que vê em cada greve a revolução ou denuncia cada greve como reformista foi substituída por grupos mais sutis que propõem formas táticas de luta supostamente mais radicais.

9. Quer tenham sido glorificadas ou difamadas, as ações autônomas só raramente foram consideradas como os primeiros sintomas de um Novo Movimento, cuja organização só pode aparecer e desenvolver-se fora da luta propriamente dita. Na prática, as tentativas de analisar essas ações autônomas tentam explicar seu fracasso, seja pela falta de organização ou pela inexistência de um partido revolucionário, seja pela falta de consciência, atraso ideológico, etc. Na verdade, todas as críticas acima se referem a velhos esquemas da esquerda tradicional, que julgam o que acontece de acordo com critérios definidos por uma elite revolucionária. Esta elite supõe que, quando chegar a hora, terá que desempenhar um papel central na revolução usando vários meios. Na revolução operária, essa elite teria que anunciar a crise e traçar o caminho para a libertação, tal como a burguesia fez no seu tempo. Assim, a revolução é concebida como um acontecimento único, no qual o revolucionário se encontra na posse de um poder mágico que lhe permite realizar uma transformação total e brutal de todas as relações sociais; a partir do momento, em que uma força suficientemente violenta seria capaz de quebrar um elo isolado na cadeia de dominação capitalista mundial, todos, de acordo com essa elite, cairiam em uma sociedade comunista.

10. O Novo Movimento opõe-se ao que chamamos de Velho Movimento. Este Velho Movimento refere-se aos planos e situações do período histórico que começa por volta do início do século XIX e continua até a eclosão da guerra de 1914. Antes da Primeira Guerra Mundial, podíamos considerar que os valores e ideias do seu período tinham alguma validade. O que parecia ser revolucionário naquele momento, nos partidos socialdemocratas e bolcheviques ou nas organizações sindicais, era apenas uma revolução na forma do capitalismo (ou seja, capitalismo burocrático planificado em substituição ao capitalismo liberal). Isto deixou a dominação do capitalismo e a exploração do trabalho completamente intactas.

11. Desde a Primeira Guerra Mundial, o Velho Movimento tornou-se cada vez mais inadequado à situação resultante da renovação do capitalismo em que surgiu. Desde seus primeiros sinais, o Novo Movimento se deparou não apenas com as velhas formas de dominação capitalista, mas também contra as diversas formas do Velho Movimento, mesmo se, ao mesmo tempo, estas formas pudessem ainda conter ilusões revolucionárias; por exemplo, o conflito na Rússia entre os bolcheviques e os comitês de fábrica em 1917, e seu epílogo em Kronstadt, pode ser visto como um conflito entre o Velho e o Novo Movimento. O Novo Movimento questiona não apenas a existência do que podemos englobar no termo vanguarda (partidos, grupos, etc.), mas também a própria concepção de revolução. Na medida em que o Velho Movimento é o atual ou o potencial detentor do poder capitalista, ele tem que se engajar em uma luta até a morte com todas as manifestações do Novo Movimento, seja por destruição violenta ou pela absorção total.

12. Nos dias de hoje, uma característica essencial do Novo Movimento é a atitude daqueles que lutam e que não mais exigem apenas coisas de pessoas, grupos e instituições que estão fora deles, por exemplo, de seus pais na família, de seu marido no casamento, do professor na escola ou universidade, do patrão na fábrica, do sindicato no conflito, dos partidos e grupos na organização de ações ou no fornecimento de teorias, etc. Geralmente, a forma de luta tende a ser o próprio fazer ou assumir as coisas exigidas. A nova tendência é para que as pessoas façam o que querem por conta própria e por si mesmas, agindo e fazendo ao invés de pedirem e esperarem.

13. A demonstração mais visível dessa tendência ocorre nas novas formas de luta de classes e na ampliação dos conflitos de classes para confrontos entre os dominadores e dominados em todas as estruturas da sociedade. Estes confrontos ilustram a cisão entre todos aqueles que afirmam agir em prol dos trabalhadores, seja qual for a sua motivação, e as ações dos próprios explorados. As tentativas de rejeição dos sindicatos, a organização subterrânea dos conflitos, os esforços para criar ligações horizontais entre os que lutam, as novas atitudes de estudantes, mulheres, homossexuais e assim por diante, a atitude dos trabalhadores diante do trabalho, tudo isso reflete o desejo dos envolvidos em gerir a luta por si mesmos e para si mesmos.

14. Uma das características constantes do Velho Movimento era que seus praticantes se consideravam como o movimento operário, e fizeram da história de suas organizações a história do movimento operário. Mas o Novo Movimento desenvolve sua própria história, que nada mais é do que a atividade dos próprios trabalhadores, até então ocultada por aqueles que escreveram e fizeram “História” a partir de sua própria atividade “Revolucionária”.

15. O Velho Movimento apenas reconhecerá as diferentes manifestações do Novo Movimento para submetê-las aos seus próprios objetivos políticos. Em geral, ele condena sem perdão tais manifestações sob diferentes rótulos, como “reformista”, “sem consciência”, “hippie”, etc. Mas o Novo Movimento é tão forte que força aqueles que aderem ao Velho Movimento a realizarem uma série das acrobacias para se manterem, tanto quanto possível, na função que se autoproclamaram ou que lhes foi atribuída. Por esta razão, as mudanças ou conflitos dentro dos partidos ou sindicatos, e as atuais cisões em diferentes partidos e grupos, muitas vezes podem ser explicadas por tentativas de adaptar posições fundamentais ao novo caráter dos movimentos de luta, dobrando-os a servir seus próprios interesses.

16. Há alguns que repetem incansavelmente as mesmas velhas ideias ou slogans, como se o mundo capitalista não tivesse mudado profundamente durante os últimos 150 anos. Mas outros tentaram se adaptar.

Pode-se, assim, testemunhar duas correntes de opinião:

A. Há aqueles que dão um valor absoluto a certas lutas particulares. Isto dá origem a um conjunto de teorias que privilegiam a revolta juvenil, a liberdade das mulheres, o poder estudantil, o movimento dos excluídos, etc. Alguns consideram que a recusa ao trabalho e a destruição física do local de trabalho como o único sinal que anuncia a destruição do capitalismo; outros querem restringir a noção de classe operária apenas ao proletariado industrial. Finalmente, há aqueles que negam a existência da luta de classes, vendo apenas vítimas individuais da alienação universal.

B. Por outro lado, há aqueles que rejeitam todos os particularismos e mantêm uma tentativa de dar uma explicação total. Ao fazê-lo, modernizam a linguagem e a teoria, integrando mais ou menos a evolução do capitalismo e a luta de classes, mas ao mesmo tempo rejeitando as características essenciais do Novo Movimento, ou seja, a autonomia, sem exceção, em todos os campos de atividade e luta.

17. Tais tentativas nem sempre são insignificantes, pois elas, geralmente, ajudam a explicar o sentido de novas manifestações de autonomia e sublinham as ambiguidades e os limites da autonomia dentro da sociedade capitalista. Mas a importância de tais teorias, ideias ou atividades de grupo supracitados é muitas vezes exagerada através de debates apaixonados, limitados ao gueto revolucionário vanguardista. Além disso, esses debates em si e as ideias que saem deles são recuperados, como tudo o que se desenvolve na sociedade capitalista, pela própria classe dominante, independentemente do que os criadores de tais debates possam pensar. Os próprios vanguardistas acabam como o caldeirão em que uma ideologia é elaborada, que é apropriada no final pelas estruturas estabelecidas do Velho Movimento.

18. Nos conflitos, a intervenção dessa vanguarda modernizada conduz à situação acima. Os vanguardistas afirmam que trazem grande importância para a luta em todas as áreas. Mas o que realmente acontece é totalmente diferente do que eles pensam. Às vezes, aqueles que eles gostariam de fazer os instrumentos de seus objetivos políticos viram a situação contra eles, e transformam a “boa vontade” de tais vanguardas em instrumentos de sua própria luta. Às vezes, por outro lado, com mais frequência, tal intervenção só consegue travar o desenvolvimento autônomo da luta. Aqui também, os partidos políticos e sindicatos, que eles afirmam superar, utilizam essa intervenção para canalizar e suprimir a própria autonomia para a qual os interventores pareciam contribuir originalmente.

19. No nível da ação e da teoria, todos os grupos vanguardistas, quaisquer que sejam as divergências entre eles, mesmo se eles estejam em punhais sorteados, têm uma característica essencial em comum: recusam aqueles que lutam pela possibilidade de gerir, por si e para si, toda a situação em que estão envolvidos. (Tais situações implicam ação, organização, objetivos, táticas, reflexão e perspectivas). Se pressionados, os grupos reconhecem que aqueles que estão em conflito podem decidir sua própria ação e organização; mas negam-lhes a “consciência” de sua luta, e, a fortiori, a teoria e as perspectivas da luta. Fazendo isso, eles dão prioridade a certas formas de pensamento sobre a própria ação. Desta forma, estes especialistas em teorização política tornam-se novamente os superiores daqueles para os quais a ação e o pensamento são inseparáveis. Tal inseparabilidade é natural para cada indivíduo no processo de luta contra a dominação social no coração da coletividade social em que ele está envolvido. Em numerosos grupos, a autonomia da ação só é aceitável se levar a um padrão de eventos que é definido antecipadamente por especialistas como “socialista” ou “revolucionário”.

20. O Novo Movimento não é o que alguns, sejam eles relativamente numerosos, organizados, estruturados ou coerentes, podem pensar ou construir para libertar os outros. O Novo Movimento é o que cada um e todos criam por si mesmos em sua luta e para sua luta, em seus próprios interesses. A superação dos particularismos, a unificação das demandas e sua transcendência em problemas mais gerais e fundamentais, as perspectivas da luta, tudo isso só pode ser, a qualquer momento, o produto da própria luta. Os sindicatos falam muitas vezes de unidade, a esquerda tradicional das frentes populares, dos comitês, etc.; mas, por exemplo, em cada greve onde a autonomia de ação se expressa, ninguém fala mais dessas coisas, pois a luta é a expressão de todos os trabalhadores em ação.

21. O surgimento do movimento autônomo levou à evolução do conceito de partido. No passado, o Partido, como uma “liderança” se via como a vanguarda revolucionária, identificando-se com o proletariado. Ele se via como uma “fração consciente” do proletariado, que precisava desempenhar um papel determinante no aumento da “consciência de classe”, cujo alto nível seria o sinal essencial da formação do proletariado como classe. Os herdeiros modernos do Partido estão bem cientes da dificuldade de manter tal posição; assim, eles confiam ao partido ou ao grupo a missão muito precisa de reparar o que consideram ser quaisquer deficiências na atividade da classe operária. Isto dá origem a grupos especializados em intervenção, articulação, ação exemplar, explicação teórica, etc. Mas mesmo esses “grupos” não podem mais exercer a função hierárquica de especialistas no movimento geral de luta. O Novo Movimento, o dos trabalhadores e outros em luta, considera todos esses elementos, os velhos grupos como os novos, exatamente da mesma importância que suas próprias ações. Eles pegam o que podem pegar emprestado daqueles que os veem e rejeitam o que não lhes convêm. Teoria e prática parecem agora não ser mais do que um e o mesmo elemento no processo revolucionário – nenhum pode preceder ou dominar o outro. Portanto, nenhum grupo tem um papel essencial a desempenhar.

22. A revolução é um processo. O que pudemos indicar são as primeiras manifestações deste processo em todos os campos da atividade social. Ninguém pode dizer quanto tempo este processo levará, seu ritmo e as formas em que irá progredir. Suas manifestações serão inevitavelmente violentas, pois nenhuma classe dominante se permitirá ser expropriada sem resistir com o máximo de sua força. Mas esta batalha não será uma batalha campal que terminará no colapso do capitalismo e na criação de “estruturas revolucionárias”. Toda uma série de eventos, dos quais não podemos prever nem o lugar, nem o domínio, nem a forma, poderiam afetar todas as estruturas sociais em todas as partes do mundo, surpreendendo a todos, sem dúvida, tanto pela sua rapidez como pelo seu caráter. Nenhum evento constituirá a esperada ruptura brutal e geral. Ninguém poderia afirmar hoje que a Revolução Russa, a Revolução Espanhola, as insurreições no bloco oriental (Hungria, Polônia, etc.) ou Maio de 68 na França foram a Revolução. No entanto, cada um desses eventos influenciou profundamente a evolução do capitalismo e do processo revolucionário. Se olharmos para o mundo de hoje, podemos ver que a revolução, no sentido jacobino, está se tornando progressivamente ultrapassada, mas que o próprio processo revolucionário está se tornando cada vez mais poderoso.

23. A ideia da revolução como um evento único continua a assombrar não só as velhas teorias marxistas ou anarquistas da destruição ou conquista do Estado por um confronto direto. Ela também assombra todos os substitutos mais ou menos modernizados dessas teorias. O Velho Movimento exibe tesouros intermináveis de engenhosidade e realiza esforços inestimáveis em suas tentativas de reconstruir a organização adequada, seja com a ajuda de velhas fórmulas (várias leninistas ou neo-anarquistas), seja com novas fórmulas (grupos dos “excluídos”, diversos comitês, comunas, etc.) ou promovendo uma nova forma de elitismo em nome de “exigência” teórica ou prática.

24. Ao mesmo tempo, as organizações que assumem tarefas particulares desenvolvem-se de acordo com a luta ou com as circunstâncias. Estas organizações então se separam e se reformam em outro lugar. Muitas vezes, elas exibem um caráter ambíguo, uma vez que, geralmente, são animadas por membros de grupos que não perderam todo o seu vanguardismo e tendem a ser substituídos por aqueles que lutam. Mas, cada vez mais, a existência de tais organizações está intimamente ligada a um conflito particular e eles têm que expressar os interesses daqueles que lutam e permanecer sob o controle daqueles que lutam. Todas as tentativas de manter viva essa organização após um conflito ou dar-lhes outra direção, ou de unir-se a uma organização política, termina em fracasso e muitas vezes levam à morte as organizações originais.

25. Cada vez mais, os indivíduos que lutam por seus próprios interesses tendem a realizar eles mesmos todas as tarefas que surgem durante o curso da luta (tais como a coordenação da informação, os contatos, etc.). Na medida em que não se sentem suficientemente fortes para realizarem tais tarefas, recorrem a organizações que lhes oferecem seus serviços, como filiais sindicais, esquerdistas e vários outros grupos. As intervenções e contatos das organizações tradicionais desenvolvem-se e são, ao mesmo tempo, uma ruptura na autonomia. Eles desenvolvem autonomia na medida em que multiplicam aberturas e contatos de todos os tipos e dão confiança àqueles que as utilizam em sua luta contra as estruturas legais estabelecidas. Mas, eles são uma ruptura na autonomia na medida em que conduzem a luta de volta às estruturas ou correntes ideológicas (como sindicatos, partidos, etc.) e na medida em que bloqueiam, por meio de uma ideologia referente ao passado, uma ação e a imaginação que acompanha essa ação, cujo sentido está na direção do futuro.

26. Parece, portanto, que existe um duplo confronto. A hierarquia é contra, por um lado, o capitalismo e suas estruturas e, por outro, àqueles que aparentemente estão em conflito com a ordem estabelecida, mas que sonham em construir novas estruturas que imporiam àqueles que trabalham os conceitos de uma “elite revolucionária”. E assim, está sendo construída uma enorme rede de contatos horizontais que toma diferentes caminhos; é extremamente móvel, possui muitas formas, tanto efêmeras como permanentes, é poderosa através da acumulação de boa vontade, e que renova os meios materiais à sua disposição com uma quantidade de energia inimaginável. Um enorme caldeirão de ideias e teorias é criado. Ele desnuda, sem concessões, as fraquezas e os pontos fortes de todos: todo um processo de autoeducação e auto-organização pela e na luta parece ter começado, e não podemos prever a forma e o fim final deste processo.

27. Há aqueles que acreditam ter descoberto neste novo borbulhar de forças e ideias, o nascimento de um novo movimento de revolucionários, de um novo partido. Com a ajuda da nova situação, eles tentam rejuvenescer as velhas teorias da organização e dos partidos, ou das teorias relacionadas à ação direta das minorias.

28. O Novo Movimento é, no entanto, a própria negação de tais teorias antigas. Algumas evidências disso podem ser encontradas no absoluto fracasso, em termos práticos, de todas as tentativas de monopolizar em uma única organização todas as vertentes do Velho Movimento rejuvenescido e no fracasso para englobar, em uma única ideologia, as inúmeras formas de ação e pensamento levantadas na luta por aqueles envolvidos. A tentação de tentar agrupar essa heterogênea e irrecuperável “vanguarda” nas manifestações de rua, vem por si só do pensamento de todos aqueles que consideram que estão incluídos dentro dela. Tais manifestações mostram, ao mesmo tempo, os pontos fortes e fracos da “elite revolucionária”. São fortes porque, em termos de partidos tradicionais, parecem ser numerosos e podem desempenhar um papel não negligenciável em certos conflitos. Eles são fracos por causa de seu próprio elitismo, e por conta da crença em sua própria força, que permite todos os tipos de manipulações por tais esquerdistas e a ilusão de que eles podem ser substituídos pela autoatividade dos explorados. Por trás de todas essas teorias e ações, encontramos novamente a ideia de que se pode fazer a revolução para os outros.

29. Já enfatizamos que as novas formas de luta que testemunham a existência do Novo Movimento são formas transitórias, moldadas pelas próprias circunstâncias de uma luta num determinado momento, e que, nas tentativas de desarmar aqueles que lutam e superar a crise que abriu tais lutas, o capitalismo tenta usar e lucrar com o que a prática da luta lançou para seus próprios fins. Encontramos isto acontecendo inevitavelmente nas seções mais “dinâmicas” das estruturas de dominação, aquelas estruturas que arregimentam os explorados: empresas “progressistas”, sindicatos, partidos, etc. A autogestão criada por um decreto de poder estatal (qualquer que seja o Estado) é apenas uma tentativa, entre outras, de adaptar às estruturas de dominação capitalista. Mas, como todas essas adaptações, elas só conseguem criar novas formas de luta e desenvolver novas lutas pela emancipação. Todos aqueles que confundem a verdadeira autonomia da luta com sua recuperação (nunca completa), querem negar a dialética do processo de luta. Querem impor sua “ciência teórica” à classe operária sob o pretexto de avisá-la para evitar cair na armadilha da autogestão, etc. Na realidade, aqueles que lutam sabem melhor, que a maioria dos ideólogos dos novos grupos, como distinguir, em sua prática, entre a autonomia ditada pelos seus próprios interesses e as tentativas de integrá-la, ditadas pelos interesses do capital.

30. O que acontece nos conflitos faz justiça a todas as reivindicações dos grupos de esquerda: uma das características do Novo Movimento, o movimento dos próprios explorados, é ensinar as reivindicações das “minorias” ou “elites revolucionárias” a serem este Novo Movimento e reduzi-las ao papel que aqueles que lutam lhes atribuem. A existência e o papel de um grupo revolucionário é, portanto, radicalmente transformado. A reivindicação de tal grupo à universalidade é reduzida a um elemento de uma experiência entre outras. Toda a teorização é apenas uma parte de um todo, e entendida como tal. Além disso, a transformação das atitudes em relação aos valores tradicionais do capitalismo, e das instituições ligadas a eles, é pelo menos tão importante quanto a própria luta, e está intimamente ligada à sua evolução. Esta transformação é uma parte importante do processo revolucionário.

31. Uma crítica baseada nos fatos leva em conta todos os aspectos da teoria, incluindo todos os conceitos de organização. O envolvimento que nos comprometemos é, sobretudo, motivado pela nossa experiência pessoal de relações sociais em um mundo capitalista. Esta experiência, as reflexões de suas consequências e as conclusões que dela retiramos nunca são mais do que um aspecto particularizado da vida, num mundo que é tão vasto e contém profundezas tão desconhecidas de inter-relação e que está em constante transformação; ninguém pode afirmar possuir uma verdade que não seja a sua própria, que ele coloca no mesmo nível de todas as outras verdades.

32. Mesmo quando as pessoas se reúnem com outros para pensar as coisas ou ter alguma atividade conjunta, cada indivíduo age, em primeiro lugar, apenas para si mesmo. A reflexão e a ação de um grupo não têm mais valor do que as de qualquer outro grupo semelhante. Quaisquer que sejam “tarefas” que um grupo possa estabelecer para si mesmo, qualquer que seja o nível de generalização da sua intervenção ou pensamento, não há nenhuma maneira em que ele pode concluir da sua própria existência, que tem uma posição superior a qualquer outro grupo semelhante, ou à organização do próprio movimento de luta, como aparece no Novo Movimento.

33. Grupos e organizações sempre existiram de diversas formas, fazendo várias reivindicações. Sua multiplicação hoje em dia é um fator positivo e mostra precisamente que cada grupo se desenvolve de acordo com as circunstâncias particulares daqueles de quem o forma. Todo este texto teve o objetivo de definir qual poderia ser a orientação geral para o trabalho de tal grupo, que poderia ser mais precisa em relação ao Novo Movimento, como foi descrito acima. A própria concepção do Novo Movimento, como a abordamos neste texto, será transformada na medida em que a evolução do processo revolucionário continuar. O Novo Movimento não é um absoluto imutável, mas uma prática em constante mudança, da qual não podemos prever o futuro.

Publicado em tradução inglesa do original em francês por Solidarity, Londres, 1976.


¹ Talvez isto fosse melhor então ser resumido no uso por parte de H.S. de expressões como “é importante enfatizar”’, … “é fútil criticar”… Importante? Importante para quem? Para um processo histórico abstrato? Ou para indivíduos reais, em um movimento real, a quem ele está procurando convencer? Mas, se ele está procurando convencer as pessoas…

Traduzido por Brenda Santos, a partir das versões disponíveis em: https://libcom.org/library/henri-simon-new-movement &  https://archivesautonomies.org/IMG/pdf/nonfrenchpublications/english/solidarity60-77/pamphlets/solidarity-pamphlet-n51.pdf. Revisado por Felipe Andrade.

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